by /0 comments

Rede federal de educação profissional tem carência de 8 mil professores

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União constata que a baixa atratividade da carreira é uma das principais causas da falta de profissionais, noticia O Estado de S. Paulo

A rede de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia está com uma carência de 8 mil professores, ou 20% dos profissionais necessários, revela uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O jornal O Estado de S. Paulo informa que o déficit atinge toda a rede de 442 câmpus. Também há falta de profissionais técnicos, já que 5.702 cargos estão ociosos, o que representa 24,9% do necessário. Os dados são de abril de 2012.

Segundo o TCU, a baixa atratividade da carreira é uma das principais causas da falta de profissionais. O TCU destaca ainda outro reflexo da falta de professores: a evasão e a conclusão. Nos cursos para tecnólogos, por exemplo, a razão entre matriculados e concluintes é de 10,7. “Mesmo sendo o melhor resultado obtido pelos institutos federais, o desempenho não se aproxima dos verificados em cursos similares em centros universitários, faculdades e universidades”, cita o relator José Jorge.

O secretário de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação, Marco Antônio de Oliveira, disse ao repórter Paulo Saldana que a falta de professores acontece por causa da grande expansão da história. Ele informou que foram criados 9,1 mil cargos de professores entre 2011 e o início deste ano e cerca de 5,8 mil “contratações estão em curso e vão suprir as necessidades atuais”. Ele citou também “a reformulação da carreira no ano passado e o maior porcentual de correção salarial para os professores”. O secretário alegou também “uma situação estrutural particularmente nas áreas tecnológicas, pela falta de engenheiros”.

Os institutos com maior carência de professores são os do Acre (com 40,1% de vagas ociosas), Brasília, Mato Grosso do Sul e Amapá. Os institutos federais de São Paulo aparecem em seguida, com um déficit de 32,7% profissionais. No caso dos técnicos, Mato Grosso e Brasília têm os maiores déficits.

A pró-reitora de ensino do Instituto Federal de Roraima, Débora Soares Alexandre Melo Silva, disse que muitos professores preferem lecionar em seus Estados. “Nós dependemos da liberação de vagas do governo. Quando temos, os candidatos aprovados voltam para o local de origem assim que conseguem uma redistribuição de vaga”, disse. Outro problema é o reflexo nas atividades de pesquisa e extensão “A gente tem de priorizar o ensino e, por causa disso, fica difícil cumprir as missões de extensão e pesquisa”, relatou.

O professor Celso do Prado Ferraz de Carvalho, da Universidade Nove de Julho, disse que há dificuldades em tirar os profissionais técnicos do mercado de trabalho. “Tem sido difícil retirar professores da área de ciências e tecnologia e convencê-los a trabalhar nesses institutos, pela falta de atratividade da carreira”, afirmou ao jornal.

O TCU destaca ainda que mais de 60% dos concluintes se declararam insatisfeitos com a qualidade dos cursos, segundo a auditoria do TCU. A falta de professor é o maior problema: 22% dos alunos deixaram de cursar ou concluir alguma disciplina por falta de professor.

O Estado de S. Paulo ouviu duas alunas do ensino médio integrado técnico no Instituto Federal de São Paulo e três institutos.

Thalita Lins, de 18 anos, disse que ainda está sem professor de matemática. “Até a semana passada não havia professor de Filosofia e Sociologia”, afirmou ela, que também reclama de goteiras na sala. A colega Letícia Souza Freitas, também de 18, disse que “até os professores reclamam, porque só há (professor) temporário”.

A reitora do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Claudia Sansil, discordou do relatório do TCU sobre problemas de infraestrutura e de os alunos desconhecem o currículo antes de entrar no curso. “Há um grande esforço em fazer com que o estudante entre saia empregado”, disse ela à repórter Angela Lacerda.

O Instituto Federal do Acre negou ao repórter Itaan Arruda que haja falta de professores, apesar de TCU apontar um déficit de professores de 40,1%.

O reitor do Instituto Federal do Piauí, Francisco Santana, admitiu ao repórter Luciano Coelho que nenhum dos 11 câmpus conta com número suficiente de professores e técnicos. Apesar da falta de pessoal, serão abertos mais seis câmpus no Estado.

O TCU faz oito recomendações ao MEC para tentar resolver o problema, entre elas estão contratação, políticas contra evasão e melhorias na relação com o setor produtivo local.

seo оптимизация обучениеноутбуки асермыть сауну