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Rede paulista perde dois professores recém-contratados por dia

Secretaria da Educação informa ao jornal Folha de S. Paulo que devem sair da rede 10% dos 9.300 recém-efetivados

Passados 25 dias letivos de aula na rede pública do Estado de São Paulo, pelo menos 60 professores recém-contratados já pediram exoneração do cargo, revela o jornal Folha de S. Paulo. Há ainda outros pedidos sendo analisados, mas a Secretaria de Educação não informou os números.

Entre os principais motivos citados por professores que pediram desligamento estão a falta de condições de trabalho, com salas lotadas, desinteresse de alunos e baixos salários.

A Secretaria da Educação informou ao repórter Fábio Takahashi que considera normal o número de desistência e disse que devem sair da rede 10% dos 9.300 recém-efetivados.

Para a secretaria, a maioria desiste por motivos pessoais, como outro emprego ou porque queria o certificado de aprovação. O jornal diz que o governo considera a carreira está atrativa (o salário inicial é de R$ 1.834 para uma jornada de 40 horas semanais).

A reportagem cita o depoimento de quatro professores. Edson Rodrigues da Silva passou quatro meses no curso preparatório obrigatório e desistiu no primeiro dia de aula de matemática em uma escola da região do ABC. “Vi que não teria condições de ensinar. Só uma aluna prestou atenção, vários falavam ao celular. E tive de ajudar uma professora a trocar dois pneus do carro, furados pelos estudantes. Se continuasse, iria entrar em depressão. Não vale passar por isso para ganhar R$ 1.000 por 20 horas na semana”, disse ele, que continuará apenas na rede privada.

Juliana Romero de Mendonça, docente de química, disse que “muitos alunos não apresentam condições mínimas para acompanhar o ensino médio e têm até uma postura agressiva com o professor”.

Para Gilson Lopes Silva, professor de filosofia, “a realidade da escola é diferente da mostrada no curso”.

Ana Paula dos Santos elogiou as condições da rede. “Posso fazer aulas diferentes com datashow ou na sala de informática. Se o professor montar uma boa aula, os alunos vão se interessar”, disse ela, que leciona biologia em colégio estadual da zona norte de São Paulo.

A presidente do sindicato dos professores (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, culpa as condições precárias da rede e disse que “a formação nas universidades não é satisfatória, pois elas trabalham com uma escola irreal, de alunos quietinhos”.

A coordenadora do curso de pedagogia da Unicamp, Maria Marcia Malavasi, afirmou que “o cenário é triste; especialmente na periferia, os professores encontraram escolas sem estrutura, profissionais mal pagos, amedrontados e desrespeitados.”

A Secretaria de Educação garantiu que alunos não ficarão sem aula, pois há reposição com temporários.

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