by /0 comments

Reitor da Unipalmares defende cotas para negros no mercado de trabalho

“Essas empresas são contratadas em licitação e devem incluir negros no seu quadro de funcionários,” disse José Vicente na formatura da primeira turma da universidade

 

Ricardo Stuckert

reitor
Maioria dos formandos já está no mercado de trabalho

O reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares), José Vicente, defendeu na madrugada desta sexta-feira, durante formatura da primeira turma da universidade, em São Paulo, a criação de cotas para negros em empresas que prestam serviços públicos. “Essas empresas são contratadas em licitação e devem incluir negros no seu quadro de funcionários,” disse ele ao repórter Vinicius Konchinski, da Agência Brasil.

 

Para ele, se não forem implantadas políticas de cotas, negros não conseguirão nenhuma das vagas de estágio. “Se não tiver um corte para privilegiar os negros, não haverá negros entre os estagiários”, afirmou.

A cerimônia da primeira turma de alunos da Unipalmares, do curso de administração, foi marcada por uma grande festa no Ginásio do Ibirapuera, com a presença de muitos políticos e artistas.

Com 87% dos alunos afrodescendentes auto-declarados, a Unipalmares é a única universidade idealizada e voltada para a população negra do Brasil.

Dívida com os negros

O ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, afirmou o Brasil ainda tem uma dívida tem com os negros, mesmo após 120 anos do fim da escravidão. Ele defendeu que o Estado execute políticas públicas para inserção dessa parcela da população em todos os setores da sociedade.

O ministro ainda afirmou que é necessária a participação da sociedade civil neste processo. “Há uma responsabilidade da sociedade civil em buscar uma saída”.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que “a cor da universidade brasileira está mudando”. Na opinião dele, as políticas de cotas e o Prouni estão provocando uma mudança social, econômica e política.

Ele lembrou que nos 15 anos que estudou na Universidade de São Paulo (USP), nunca teve um colega negro na mesma sala de aula.

Criminalidade não

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso parar de vincular os negros à criminalidade. “Quando mostra negro na televisão, normalmente, é sendo preso pela polícia. Agora, espero que mostrem a cara desses jovens formandos, que a gente vai poder passar a idéia para a sociedade de que o mundo não é apenas da criminalidade que aparece na televisão.”, afirmou.

Lula admitiu que a política de cotas não é a melhor solução. “Não queremos cota. Não queremos dividir universidade de negro e universidade de branco. O que precisamos é construir um país em que todos, sem distinção de cor ou de origem social, tenham a mesma oportunidade de sentar nos bancos das universidades. Quando isso acontecer, não haverá disputa de cota”, disse.

O governador José Serra (PSDB) sugeriu ao reitor José Vicente a criação de um curso de administração pública. “Quero que vocês organizem um curso de administração pública porque isso faz muita falta na prefeitura, no Estado e no governo federal. Para isso, terá todo o apoio do governo do Estado”, disse.

Marketing político

A presença de tantos políticos não agradou muitos os alunos (além do presidente, compareceram seis ministros, o governador de São Paulo, José Serra, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab). “É glamour para eles, né? Eu acho que é jogada de marketing. Eu pelo menos nunca vi nenhum deles na faculdade”, disse a formanda Silene Thomaz de Aquino, ao repórter Fausto Macedo, do jornal O Estado de S. Paulo. Ela cursou os quatro anos da universidade ao mesmo tempo que criou um filho de oito anos e uma de um ano e sete meses.

A Unipalmares nasceu em 2003 pelo trabalho da ONG Afrobras, em um prédio na rua Pedro Vicente, na região central. Hoje, ocupa um prédio maior na Barra Funda, também no centro. “Entramos em uma faculdade de madeira”, lembrou Benvinda Medalha Pereira, de 60 anos, que trabalha como telefonista do Palácio dos Bandeirantes.

Segundo a universidade, dos 1.700 alunos dos cursos de administração e direito, 85% deles estão empregados, graças a parcerias feitas com empresas. Roberto Cláudio Batista, 29, funcionário de um banco, contou ao repórter de O Estado de S. Paulo que se formou só agora porque não pôde estudar antes. “Tentei outras faculdades, mas não dava para pagar e tive que ficar parado”, afirma.

Segundo reportagem do site G1, alguns dos formandos querem acabar com os preconceitos que afetam a imagem da Unipalmares: a de que é apenas para negros. “Tem pelo menos 20 pessoas tão brancas quanto eu na turma. Não sofri preconceito “, afirmou Marcos Bispo de Oliveira ao repórter Roney Domingos.

Leia também: Não somos racistas!

3g камера уличнаякисточка для пудрысправку 86