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Religião, discriminação e racismo no espaço escolar

Todos os dias os professores enfrentam situações relacionadas a estes
temas que vão da simples divergência de ideias à violência, da brincadeira racista à exclusão e da diferença à discriminação. A discussão sobre religião, discriminação e racismo no espaço escolar visa preencher uma lacuna institucional, caracterizada pela ausência de materiais prescritivos e diretivos, e propõe um reforço à formação dos docentes no que se refere ao tema, trazendo ferramentas e recursos pragmáticos para o seu enfrentamento no cotidiano escolar.

O grupo de pesquisa Práticas de Socialização Contemporâneas (GPS/FEUSP), com o apoio do grupo Discriminação, preconceito, estigma: minorias étnicas e religiosas, cultura e educação (FEUSP) e do Laboratório Éducation, cultures et politiques (ECP/Université Lyon2) promovem o Seminário Religião, discriminação e racismo no espaço escolar, dias 24 e 25 de junho, na USP, Campus Cidade Universitária. Trata-se do compartilhamento e divulgação de resultados da pesquisa internacional Religião, discriminação e racismo no espaço escolar dirigida por Françoise Lantheaume que tem sido desenvolvida em parceria com pesquisadores brasileiros.

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Além disso, especialistas nas temáticas abordadas são convidados enquanto comentaristas para a discussão que, além de uma perspectiva comparativa internacional, promove o acesso a
conhecimentos produzidos em diferentes regiões brasileiras (Nordeste, Sul e Sudeste). Assim, o
seminário busca responder os seguintes questionamentos:

Como professores e professoras agem, quais recursos (humanos, dispositivos, argumentos ou outros) mobilizam em situações em que as questões da religião, da discriminação e do racismo são trazidas para o contexto escolar? Quais as lógicas de ação utilizadas por eles? Qual a influência das diferentes configurações sócio-culturais nas práticas docentes relacionadas à estes temas?

As questões abordadas são frequentemente veladas e estão ausentes do debate no cotidiano escolar, principalmente porque a preocupação maior é sobretudo com a transmissão dos conhecimentos tradicionalmente postos nos currículos oficiais, cobrados em avaliações externas. No entanto, a escola forma e socializa para além da transmissão de conteúdos prescritos, de modo que esse debate se mostra necessário e pertinente para professores em exercício, formadores de professores e professores em formação.

A principal contribuição do evento para a comunidade acadêmica é avançar os conhecimentos sobre a atividade profissional do professor, sobretudo aquilo que vai além do currículo e das prescrições. Ao avançar os conhecimentos sobre intolerância religiosa, discriminação e racismo, as discussões no evento vão contribuir para conscientizar o público que tais fenômenos estão presentes nas escolas públicas, o que seria um primeiro passo para que os futuros professores deem a devida atenção e exerçam sua função cidadã na garantia do direito fundamental da educação em uma escola pública, laica, universal e gratuita.

A exposição das diferentes pesquisas nos permitirá desnaturalizar algumas dimensões das práticas locais e nos apropriarmos dos debates e de práticas bem-sucedidas em diferentes regiões e países.

O evento é mais uma maneira de contribuir para a internacionalização da pesquisa acadêmica brasileira.Este evento contribuirá para a academia brasileira pensar a coexistência e a tensão de valores em uma sociedade sincrética como é nosso país. Além disso, o debate e a discussão sobre as temáticas propostas colaborarão para o desafio sociológico, político, educacional
e jurídico presente nos diferentes países, no que diz respeito à articulação entre identidades
privadas e políticas públicas, a fim de preservar o espaço de cidadania comum e a capacidade de viver em conjunto.

Esperamos que o evento organizado seja base para elaboração de diretrizes para a gerência de situações envolvendo os temas de religião, discriminação e racismo para reflexões sobre possíveis elementos dos currículos escolares que visibilizam ou silenciam situações de discriminação, racismo, intolerância religiosa e laicidade, na educação básica; para uso dos professores das escolas básicas de ensino; e, para a elaboração de propostas pedagógicas para o fomento das discussões sobre religião, discriminação e racismo na formação inicial e continuada dos docentes.