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Salário do professor no Brasil é o mais baixo entre 40 países

O salário inicial do professor da rede pública no Brasil é o menor entre os 40 países membros ou parceiros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), informa o jornal O Globo. Segundo o estudo “Education at a glance”, divulgado nesta terça-feira, dia 11 de setembro, os professores brasileiros ficam em último em quase todas as etapas do ensino, exceto na educação infantil.

De acordo com o relatório, o Brasil paga salário mínimo de US$ 13.971 por ano para seus professores e não há muita variação de uma etapa para outra. O país que paga o melhor salário inicial para o professor é Luxemburgo, com US$ 70.192, seguido da Alemanha, com US$ 56.535. No Chile, os professores recebem inicialmente US$ 23.429 por ano.

No fundamental 2, o Brasil continua com o salário inicial anual de US$13.971 na última posição, enquanto a média da OCDE sobe para US$ 33.126. No ensino médio, os países da OCDE pagam em média US$ 34.534 por ano, e o Brasil segue com o mesmo salário inicial anual.

O documento alerta que a remuneração e as condições de trabalho são importantes para atrair, desenvolver e reter professores qualificados. “Os salários mínimos podem lançar luz sobre a atratividade da profissão, e no Brasil também são consideravelmente menores que em outros países latino-americanos, como Costa Rica (US$ 24.900) e México (US$ 20 mil na educação infantil e anos iniciais do fundamental para US$ 49.300 no ensino médio)”, informa o relatório.

A OCDE informa que não calculou bônus ou subsídios dados aos professores e ressalta que os valores podem variar dependendo das qualificações, do tipo de instituição e das regiões do país.

Ensino Médio

O estudo mostra que na população entre 25 e 64 anos mais da metade dos brasileiros não completaram o ensino médio. O índice é mais que o dobro da média registrada pelos países da OCDE.

A pesquisa destaca, no entanto, que o índice de jovens adultos, de 25 a 34 anos, que atingiram o ensino médio passou de 47% em 2007 para 64% em 2015. Nesse cenário, o Brasil registrou um dos maiores aumentos entre todos os países analisados.

A baixa nas matrículas do ensino médio reduz o percentual da população matriculada na escola. No Brasil, 69% dos jovens de 15 a 19 anos estão matriculados, enquanto a média da OCDE é de 85%.

Segundo a organização, o menor nível de escolaridade tende a ser associado com a maior desigualdade de renda. A BBC destaca que o Brasil tem o segundo maior nível de desigualdade de renda entre os 46 países do estudo, ficando atrás apenas da Costa Rica.

A OCDE chama a atenção de que a evasão escolar no ensino médio produz não apenas dificuldades no mercado de trabalho, com menores salários, mas também tem impacto nas competências cognitivas, como memória, habilidades motoras, atenção.

Desigualdades regionais

O Brasil enfrenta ainda “desigualdades regionais significativas”, diz o relatório, de acordo com a BBC Brasil.

No Distrito Federal, 33% dos jovens chegam à universidade. No Maranhão, o estado com o menor PIB per capita, esse número é de 8%. O “Education at a glance” ressalta que a desigualdade regional no Brasil “é, de longe, a maior na comparação com toda a OCDE e países parceiros”.

No Brasil, 17% dos alunos com idade entre 24 e 34 anos atingem o ensino superior. Em 2007, o índice era de 10%. A média da OCDE é de 37%.

Investimento por aluno

O relatório destaca que apesar de o Brasil investir 5% do PIB em educação (2015) – acima da média de 4,5% do PIB dos países da OCDE – o investimento por aluno no ensino fundamental e médio é de US$ 3,8 mil por estudante, menos da metade dos países da OCDE.

Já a diferença de investimento por estudante entre o ensino superior e o básico no Brasil é o maior entre todos os países da OCDE. Ao incluir os alunos do ensino superior público, o Brasil investe, na média, US$ 14, 3 mil, abaixo da média da OCDE, que é de US$ 15,7 mil.

Mulheres e homens

O número de mulheres que obtêm um diploma do ensino superior é maior que o de homens nos países da OCDE – mas elas tem uma participação menor no mercado de trabalho. No Brasil, 20% das mulheres entre 25 e 34 anos tinham diploma de ensino superior em 2017, enquanto entre os homens esse percentual era de 14%.

Já no mercado de trabalho, entre as mulheres que têm diploma superior, 83% estavam empregadas, enquanto entre os homens esse percentual era de 91%. Na diferença salarial, em média, as mulheres com diploma superior tinham rendimento 35% inferior ao dos homens.

Leia a íntegra do “Education at a glance” (em inglês)

Acesse o capítulo específico sobre o Brasil (em inglês)

Veja um resumo sobre o Brasil (em português)