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Secretário de Educação de São Paulo ataca faculdades de pedagogia e sindicatos

Paulo Renato Souza defende a cobrança de mensalidade nas universiade públicas e elogia o trabalho do Ministério da Educação, em entrevista à revista Veja

Em entrevista à reviste Veja, o secretário de Educação do Estado de São Paulo, Paulo Renato Souza, culpou as faculdades de pedagogia pela má formação dos professores e acusou o sindicato dos professores (Apeoesp) de não estar preocupado com o ensino dos alunos.

Ex-ministro da Educação no governo Fernando Henrique Cardoso, ele também defendeu a cobrança de mensalidades nas universidades públicas e elogiou o seu projeto que prevê aumento salarial dos professores mediante aprovação em provas de avaliação, que deve ser sancionado em breve pelo governador.

Segundo ele, as universidades que pretendem formar professores “passam ao largo da prática da sala de aula e optam por se dedicar a questões mais teóricas”. Na opinião dele, há muita discussão ideológica e resistência em mudar, principalmente da USP e Unicamp. “(As faculdades de pedagogia acabam se perdendo em debates sobre o sistema capitalista”, afirmou em entrevista à editora Monica Weinberg. “O que se discute hoje nessas faculdades está muito distante de qualquer ideia que seja cientificamente aceita, mesmo dentro da própria ideologia marxista. A resistência vem de universidades como USP e Unicamp, as maiores do país”.

Paulo Renato defendeu a cobrança de mensalidades nas universidades públicas para quem pode pagar e disse que elas tem “um terrível preconceito” contra o setor privado. “Qualquer contato com as empresas é visto como um ato de ‘venda ao sistema'”, disse. Para ele, se as universidades ficarem longe das empresas elas serão menos produtivas e inovadoras.

O secretário de Educação de São Paulo classificou de “bobagem” preservar a universidade gratuita e cobrou mais pragmatismo na educação. “Preservar a universidade gratuita virou uma questão de honra nacional. Bobagem. É preciso, de uma vez por todas, começar a enxergar as questões da educação no Brasil com mais pragmatismo e menos ideologia”, afirmou.

Umbigo

Paulo Renato acredita que seu projeto de condicionar os aumentos salariais dos professores à aprovação em provas poderá atrair os jovens para a carreira do magistério. “O plano de São Paulo não apenas eleva os salários, o que é um chamariz por si só, mas faz isso reconhecendo, por meio de avaliações, o mérito dos melhores profissionais”, afirmou à revista.

O secretário acusou os sindicatos de “puro corporativismo” por se manifestarem contrários ao projeto. “Está claro que os sindicatos estão focados cada vez mais no próprio umbigo e menos nas questões relativas à educação”, acusou. Para ele, “o movimento sindical politizou-se a um ponto tal que não se acham mais nele pessoas realmente interessadas em educação”. Ele disse que “os sindicatos estão tomados por partidos radicais de esquerda”, são “insignificantes” e defendem um “ideário atrasado e contraproducente para o ensino”.

Ele considera “um absurdo” que os professores critiquem a existência de uma prova para avaliar o trabalho deles. “A crítica expressa também uma resistência à avaliação, que até hoje se vê arraigada em certos setores da sociedade brasileira”, afirmou.

O secretario se disse contrário ao conceito de isonomia e lembrou que o limite os número de promoções a 20% por ano evitará um rombo no orçamento. “A maior preocupação (do sindicato) é lutar por direitos iguais para todos – velha bandeira que ignora qualquer noção de meritocracia; 20% é um teto razoável: evita um rombo no orçamento e promove uma bem-vinda competição”, afirmou.

Na entrevista, ele elogiou a posição do Ministério da Educação, que segundo ele, adota políticas com base em avaliações, metas e cobrança de resultados, mas se disse contrário à divulgação de rankings. “Diria que eles chegam até a exagerar na dose, divulgando rankings que, como ministro, eu mesmo preferia não trazer a público. É o caso do Enem”, afirmou. Paulo Renato diz que o problema do Enem é que “ele não necessariamente traduz a qualidade de ensino na escola como um todo”, já que não é obrigatório. “E se apenas os bons alunos de determinado colégio se submeterem à prova? O retrato sairá distorcido”, reconhece, apesar de considerar que o exame “até espelha bem a realidade”.

Leia a íntegra da entrevista

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