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Sim, é no berçário que a educação e a alimentação saudável começam

Alimentação saudável começa no berçário

Ana Paula Yasbek, especialista na educação de crianças de 0 a 5 anos de idade diz que os pais devem ficar atentos sobre a qualidade da alimentação oferecida pelos berçários

Alimentação – Em tempos remotos os pais de bebês recorriam aos tradicionais compêndios que abordavam o desenvolvimento dos pequenos seres a cada faixa etária. Rinaldo De Lamares era um deles. Quando o assunto era berçário e os critérios para escolher o que melhor atendia as necessidades da família, o fator principal era a confiança na educadora que cuidaria do bebê. Hoje em dia, a escolha do berçário é muito mais complexa e criteriosa. Envolve a formação dos educadores, o currículo pedagógico, a flexibilidade dos horários e a alimentação que a escola fornece, além de outros requisitos não menos importantes.

O critério “Alimentação” tem um grande peso para as famílias, levando em consideração resultados de várias pesquisas apontando que as experiências nutricionais no início da vida têm consequências duradouras durante o desenvolvimento da criança.  Famílias e educadores das escolas que atendem a primeira infância -berçário e educação infantil – precisam cada vez mais adquirir conhecimentos sobre conteúdos nutricionais e comportamentos alimentares adequados do ponto de vista do desenvolvimento infantil.

Para a educadora e especialista na educação e desenvolvimento da criança entre 0 e cinco anos de idade, Ana Paula Yazbek, os pais devem estar atentos sobre a qualidade da alimentação oferecida aos seus filhos, e como acontece este momento.

Autonomia/competência motora

Ana Paula Yazbek é formadora de educadores de primeira infância, já fez trabalhos pelo Instituto Avisa Lá e pelo Centro de Estudos da Escola da Vila, além de ser diretora do Berçário e Escola Infantil, Espaço da Vila, no Butantã.

Surpreende a quem chega para visitar o Espaço, quando se depara com bebês comendo suas refeições com colher. E os pequeninos e partir de dois anos e meio de idade, manuseando garfo e faca com maestria e cuidado.

“Quando os bebês estão com 9 ou 10 meses começam a demonstrar intencionalidade. Então, se deixamos uma colher disponível durante o momento da alimentação, pouco a pouco as crianças começam a fazer o uso. Com um ano e dois meses, normalmente, eles já estão aptos a comer com a colher”, diz Ana Paula.

Segundo ela, é a partir dos dois anos e meio que os pequenos começam a utilizar o garfo, a faca e a comer com prato raso. “Antes é cumbuca e quando chegam nessa faixa etária, apresentamos os talheres e todos os cuidados que devem ter no manuseio. Não podem levar a faca à boca e nem brincar com o amigo, quando estiverem com uma faca na mão”, conta a educadora, reforçando que a escola aposta que as crianças têm competência para usar este material.

Alimentação saudável

Introduzir os alimentos saudáveis na primeira infância é quesito básico para o bom desenvolvimento físico, social e cognitivo do sujeito já na adolescência. Mas essa é uma tarefa, que segundo a especialista, é muito importante que exista a parceria do berçário com as famílias.

“Quando as crianças entram no berçário, contamos com a ajuda dos familiares para a introdução dos novos alimentos na dieta da criança. Temos de saber quais alimentos a criança já consome, e o que mais – frutas, legumes, hortaliças e proteínas – já estão liberadas para o consumo”, diz Ana Paula.

Segundo ela, nos últimos cinco anos, houve uma demanda das famílias para que fosse diminuída a oferta de sucos naturais para os bebês, e um aumento da oferta de água. “Faz todo o sentido, uma vez que os sucos não têm as mesmas propriedades que as frutas in natura”, conta. As papinhas também começaram a dar mais espaço aos alimentos cortados bem pequeninos quando as crianças já conseguem sentar para dar conta desse processo de forma tranquila.

Contando com nutricionistas para elaborar o cardápio da escola, Ana Paula não desiste de oferecer um alimento para a criança que diz não gostar de determinada coisa. “Quando as crianças estão com 2 anos, começam a ficar resistentes em comer verduras. Nessa hora, chamamos a atenção para os aspectos sensoriais do alimento. Mostramos os diferentes sabores (se for temperado, se estiver acompanhado de um tomate, se é salgado, azedo ou doce). São momentos muito ricos de ampliação de repertório e rituais da cultura”, diz ela.

 

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Ana Paula Yazbek é especialista em educação de crianças da 1ª infância; mestranda da Faculdade de Educação da USP; Formadora de educadores em primeira infância com trabalhos pelo Instituto Avisa Lá e Centro de Estudos da Escola da Vila e diretora pedagógica do Espaço da Vila, berçário e escola infantil

O Ministério da Saúde disponibilizou um Guia para a Alimentação Saudável de crianças menores de 2 anos – Orientações práticas para as mães

Ajudando as crianças a desenvolver hábitos saudáveis de alimentação – Estudo desenvolvido Maureen M. Black, PhD, Kristen M. Hurley, PhD

University of Maryland School of Medicine, EUA

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