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Sindicato nacional dos professores faz ressalvas ao Enem para professor

CNTE teme formação de um “ranking” e alerta que “lutará contra qualquer sistema de avaliação profissional limitado a provas teóricas”
A proposta do Ministério da Educação de criar um Exame Nacional para Contratação de Docentes foi recebida com reservas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Em nota publicada no site, o sindicato alerta sobre o uso da prova para avaliar e criar um “ranking” de professores e destaca que “lutará contra qualquer sistema de avaliação profissional limitado a provas teóricas e que desconsidere os demais elementos intrínsecos à atividade escolar”.

Dividida em sete pontos, a nota da CNTE critica o MEC por não ter debatido o tema e diz que “requererá assento” nas discussões sobre a regulamentação do exame. “O correto seria o MEC ter priorizado o debate com os atores educacionais”, diz o texto. Para o sindicato, existem outras prioridades para a categoria que não serão superadas com o exame nacional, como as questões salariais e valorização da carreira.

A entidade, vinculada à CUT, lembra que “o concurso público é a forma apropriada para a contratação” e cobra do ministério que “explicite” que a prova não servirá para a contratação de professores de forma “precária, a exemplo de cargos temporários”.

A CNTE diz temer que a vinculação do exame aos planos de carreiras dos professores por Estados e Municípios poderá limitar a proposta. “Os principais destinatários da proposta – municípios de menor porte – são os que menos possuem planos de carreira para os servidores da educação básica pública”, diz a nota.

O sindicato acredita que “um cadastro nacional de docentes não garante o preenchimento das vagas em todas as localidades, especialmente em razão das condições de trabalho, dos baixos salários e da falta de perspectiva na carreira”.

A nota da entidade lembra que apesar de “prever o sigilo dos resultados individuais do exame”, a divulgação “inapropriada dos dados” poderá “induzir a perspectiva de ranking, o que é um risco do ponto de vista do preconceito étnico-social e profissional”.

A CNTE encerra a nota criticando o MEC por não ter debatido o assunto na Conferência Nacional de Educação, realizada em maio, “uma vez que a pluralidade do evento possibilitaria a formatação de um texto democrático e com respaldo da comunidade educacional”.

Em entrevista a uma rádio gaúcha, o ministro da Educação, Fernando Haddad, considerou como “legítima” a preocupação da CNTE sobre o ranking e garantiu que a proposta é outra. “Não pretendemos ranquear ninguém. O MEC quando faz avaliação, entrega o resultado para quem fez a nomeação, não divulgamos dados individualizados, de nenhum exame, e não será diferente nesse caso”, disse, segundo reportagem do jornal Zero Hora.

Ele criticou a resistência do sindicato e garantiu que nenhum professor que já atua será avaliado. “Eu não consigo compreender como os sindicatos pode ser contra ampliar as oportunidades de trabalho dos professores. Não estamos querendo aplicar essa prova para quem já está em sala de aula. É uma prova de concurso, para quem não foi contratado ainda”, afirmou.

Haddad também frisou que o exame não pretende ser um critério único de seleção. “Evidente que um professor tem que saber alfabetizar em qualquer estado, na Bahia ou no Rio Grande do Sul. Todos os sistemas estão livres para, primeiro, decidir se vão usar ou não os resultados desse exame, e em segundo lugar, se ele será critério único ou se ele será combinado com outros elementos”, disse.

Em Goiás, a secretária de Educação, Milca Severino, informou ao jornal O Popular que irá aderir ao Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. “Esse exame será uma metodologia muito importante para aferir as habilidades e competências. Poderemos escolher os melhores profissionais, com as melhores notas, sem os gastos de um concurso tradicional”, disse.михаил безлепкин интервьюBroker MFXцены на автомойки