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Tutoria: uma nova disciplina escolar

Professor especializado acompanha todo o processo de aprendizagem do aluno, identifica problemas e busca soluções

No momento em que os gestores da educação e a sociedade discutem mudanças no currículo para equilibrar conteúdos, competências e habilidades, uma nova “disciplina” vem ganhando espaço em algumas escolas. É a Tutoria, na qual um professor especializado acompanha todo o processo de aprendizagem do aluno, identifica problemas e busca soluções. “Nossa tarefa é ensinar o aluno a aprender a aprender”, diz o professor Iberê Lopes, da Escola Suíço-Brasileira, em São Paulo.

Na escola, as aulas de Tutoria começam na passagem do ensino fundamental 1 para o 2, quando os alunos trocam o sistema de um professor único em uma sala única, para outro método de estudo, com um professor para cada matéria em várias salas. “Neste primeiro momento, quando os alunos saem desta zona de conforto, o tutor tem um papel de acolher o aluno. Mostramos a eles a importância de se organizarem para estudar, como administrar as diversas pastas das matérias, a agenda e até como abordar o professor se o aluno estiver com dificuldade de entender a matéria”, afirma Iberê, que atua como tutor há três anos. As aulas de Tutoria seguem até o 2° ano do ensino médio na Suíço-Brasileira.

O professor afirma que usa algumas estratégias específicas para os alunos na faixa etária dos 10 anos, como ouvir atentamente e trabalhar em grupo. “Nesta idade, as crianças têm dificuldades de trabalhar em conjunto e ouvir o que os colegas estão falando. Nós fazemos muito o trabalho de mediar as relações”, diz.

Quando um aluno reclama que não está entendendo a matéria, a primeira lição do tutor é: você já conversou com o seu professor? Nesta etapa, Iberê mostra diversas formas de abordagens que podem ser adotadas e a necessidade de se falar com calma e objetividade. “Outro dia uma aluna pediu para eu resolver um problema. Eu disse para ela: você quer que eu resolva, ou quer que eu te ensine a resolver? Ela disse que preferia que eu ensinasse a resolver. Parece pouca coisa, mas a menina depois disso ficou muito mais autônoma”, conta Iberê.

Já para os alunos do ensino médio, uma das atividades desenvolvidas é orientar o aluno a entender que as matérias conversam entre si. “A Suíço trabalha muito a interdisciplinaridade. Uma questão de história, por exemplo, pode precisar de conhecimentos de química, ou um problema de matemática pode envolver a biologia. Esta relação entre as matérias é fundamental para o aluno compreender os conteúdos de uma maneira transversal”, ensina Iberê, que também é professor de história.

Além de atuar em todos os projetos extra-classe da escola, como os serviços comunitários, as viagens de estudo e os programas de saúde, o tutor faz sempre uma avaliação da semana anterior, prepara os alunos para a próxima semana e debate os problemas coletivos e individuais. Iberê explica que as reuniões com o corpo docente são essenciais no seu trabalho de tutor. Neste contexto, o chamado livro de classe do professor, onde ele registra tudo sobre a aula e os alunos, é uma ferramenta imprescindível para avaliar o progresso do estudante e da classe como um todo.

Iberê ressalta, no entanto, que o tutor não resolve tudo. “O tutor não é o paizão. Procuramos fazer o aluno entender que ele precisa adquirir habilidade de trabalhar o conhecimento não para ser memorizado e sim para ser assimilado. Ele precisa perceber que o conhecimento acontece após muito suor e estudo”, diz Iberê. “Nós delegamos responsabilidade para que os alunos possam arquitetar sozinhos uma saída. Eu sempre digo para os meus alunos: olhe o mundo com seus olhos”.

 

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