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Uma aula que não é chata

Um dos grandes problemas da educação no Brasil é que as escolas são consideradas chatas. Muitos professores não têm um repertório cultural extenso e a criatividade não é bem trabalhada. Estes dois ingredientes cruciais para o aprendizado começam a ser desenvolvidos nos currículos dos cursos de Licenciatura.

No curso de Pedagogia do Instituto Singularidades, em São Paulo, os futuros professores são estimulados, desde o início, a colocar em prática todas as suas habilidades e competências nas diversas linguagens da Arte e do mundo acadêmico.

Ana Tatit é uma educadora, artista plástica com grande competência nas linguagens da Arte. Ela é a professora da disciplina de Artes do primeiro ano da Pedagogia do Instituto Singularidades. No segundo dia de aula deste ano, Ana convidou seus alunos – por volta de 40 – a recortarem alguns círculos de papel sulfite. Todos fizeram a atividade sem entender muito bem qual seria o objetivo.

Na sequência, a professora avisou aos alunos que embarcariam em uma grande viagem. Com um pandeiro na mão, Ana desenvolve uma brincadeira chamada “Olaria”. A proposta é que, ao som do pandeiro e de uma canção do folclore brasileiro, os alunos desçam ao chão como um vaso velho e quebrado e subam como um vaso novo. É nesta hora que os alunos começam a desconstruir seus preconceitos. Aos poucos vão se soltando e cada vez mais ficam interessados nesta aula, que os faz rir e aprender.

Após a atividade, todos voltam a sentar no chão em círculo. Nesta hora, Ana Tatit conta como foi sua experiência quando professora de Artes da Escola Municipal de Iniciação Artística (EMIA), com crianças entre 5 e 13 anos. Contou aos seus alunos como os professores de linguagens artísticas conseguiam criar projetos integrados e exibiu um vídeo de um projeto que desenvolveu na EMIA.

“As crianças pequenas trabalham com as linguagens artísticas com muita naturalidade. Elas brincam, pulam, cantam e desenham. As crianças são exploradoras, pesquisadoras. São cientistas! Elas perdem esta naturalidade quando um adulto a bloqueia”, diz a professora.

Nessa hora, a conversa impactou a turma. O aluno Marcos Bezerra, que trabalha em uma escola no Taboão da Serra como professor de História, contou que era meio “sargentão” com seus alunos e que após a aula com a Ana Tatit percebeu que sua aula era “chata”. Resolveu, então, fazer uma brincadeira durante sua aula e foi a primeira vez que ouviu dos seus alunos que não queriam que a aula terminasse.

Depois, Ana retoma com a turma as atividades que desenvolvem as linguagens artísticas. A brincadeira proposta teve como mote o projeto da EMIA com as crianças de cinco anos.

“Desenvolvemos esse projeto na EMIA, há muitos anos, e agora iremos fazer algo parecido com a turma da Pedagogia. A canção é um xote polonês que representa a história de duas vilas, separadas por uma ponte. Cada vila é caracterizada por costume e cultura própria. Uma vez por ano, na festa da primavera, os povos das vilas se encontram na ponte, tocam juntos e são convidados a conhecer um a vila do outro ”, conta Tatit.

Ana pede aos alunos que se separem em duas grandes fileiras, representando a vila de cá e a vila de lá. Cada vila toca um ritmo diferente; uma turma utiliza a maraca e outro um tambor de bexiga, acompanhando a canção (xote polonês). Em uma determinada parte da canção, todos dançam juntos na ponte e trocam de vila.

Em seguida, Tatit distribui tintas amarela, azul e magenta e os círculos de papel sulfite feitos no início da aula. Os alunos entintam suas mãos com essas cores e carimbam no papel. As vilas se encontram, dão as mãos, criam novas cores a partir desta mistura, cantam as canções dos seus vizinhos, misturaram suas culturas e ao fim, um espetáculo de cores e de rostos surpresos com o que aprenderam e sentiram.

Depois da grande farra e as mãos dos alunos pintadas com lindas tonalidades de tintas, Ana explicou sobre as cores primárias – azul, magenta e amarelo – e que através da mistura delas, pode-se fazer uma explosão de cores. E nessa hora, passou o recado. “Façam tudo pelas crianças. Ser professor dá trabalho, mas façam, que vale a pena!”

Assista alguns trechos da aula da professora Ana Tatit, da disciplina de Artes do curso de Pedagogia do Instituto Singularidades.

 

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