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Universidade do Estado do Rio diz que governo força seu fechamento

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) acusa o governo do Estado de estar “forçando o fechamento da universidade” por causa da falta de pagamento dos salários, bolsas e verbas de custeio.

Na última sexta-feira, dia 6 de janeiro , o Conselho Universitário da Uerj divulgou uma carta endereçada ao governador Luiz Fernando Pezão sobre a possibilidade de interromper as atividades nas diversas unidades acadêmicas e administrativas.

Na segunda-feira, dia 10, o reitor Ruy Garcia Marques também divulgou uma carta enviada ao governador em que afirma que “forçar o fechamento da Uerj é não pensar no futuro de nosso estado e de nosso país”.

No documento, chamado “A Uerj e o Futuro do Rio de Janeiro”, o reitor destaca a situação precária de funcionamento da universidade após os atrasos em pagamentos e repasses de verbas. Os salários dos professores e técnicos, além do pagamento a alunos bolsistas, estão atrasados desde novembro, informa a Agência Brasil.

Marques afirma que “desprezar o ensino superior, a pós-graduação e a pesquisa é apostar na miséria, na violência e num futuro sem perspectivas positivas”.

Assinado também pela vice-reitora, Maria Georgina Muniz Washington, e com o apoio de diversos ex-dirigentes, o texto diz que “a Uerj está sendo sucateada, numa absoluta falta de visão estratégica por parte dos governantes do nosso estado, a quem incumbe o financiamento de uma universidade pública e inclusiva como a nossa”.

A carta informa que a Uerj é a 11ª colocada em qualidade entre as 195 universidades brasileiras e a 20ª da América Latina, segundo o ranking da Times Higher Education de 2016. “São cerca de 35 mil alunos em seus cursos de graduação, nas modalidades presencial e de ensino a distância, mais de 4 mil em cursos de mestrado e doutorado, cerca de 2 mil em cursos de especialização e 1,1 mil nos ensinos fundamental e médio (Instituto de Aplicação – CAp-Uerj). Além do Campus Maracanã, dispõe-se em 13 unidades externas, constituindo seis campi regionais espalhados pelo estado do Rio de Janeiro, colaborando com seu desenvolvimento regional”.

A Uerj também é responsável pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), pela Policlínica Piquet Carneiro (PPC) e pela Universidade Aberta da Terceira Idade (UnATI).

Universidade sem salário

A Secretaria de Fazenda (Sefaz) informou que o salário de novembro “está sendo parcelado em 5 vezes. Foram pagas as duas primeiras parcelas dias 5 e 6 e serão pagas as demais dias 11, 13 e 17”.

Segundo a sub-reitora de graduação, Tania Maria de Castro Carvalho, o não recebimento de verbas vem desde 2015, mas agora chegou a uma situação insustentável. “Desde meados de 2015 isso já começou a se aprofundar. Só que agora chegou numa situação de profunda agudização. Ainda não recebemos as bolsas, nem os salários dos professores e servidores, exceto os técnicos administrativos que são do hospital Pedro Ernesto e trabalham na área de saúde. São os únicos que receberam o salário de novembro” disse.

De acordo com ela, a falta de pagamento chegou a todos os setores, o que impossibilita a universidade de abrir as portas. “A Uerj tem funcionado muito precariamente, às vezes sem luz, sem internet funcionando, o serviço de limpeza pago é com atraso, segurança, restaurante universitário, tudo com atraso. Mas, principalmente, com atraso nas bolsas dos estudantes. São mais de 9 mil cotistas que têm a bolsa-permanência, que é uma verba do governo federal para permanência de quem tem baixa renda comprovada, além dos alunos bolsistas dos projetos da universidade que também estão sem receber desde novembro”.