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Violência, não! Indisciplina, também não!

“Não deixe a água escorrer, pois depois vai se arrepender”; “Não coma onde quiser, só coma onde puder”; “Não fique carregando sua mochila por aí. Tome uma decisão acertada: guarde-a no mochilódromo”; “Ler é aprender, só não se esqueça de devolver”; “Quem é o dono? Ajude seus amigos, devolvendo o que não é seu na secretaria da escola”…e através de slogans impressos em informes publicitários pelos próprios alunos, e fixados por todo espaço escolar, a Escola Móbile, na zona sul da capital, garante uma convivência saudável e de respeito entre sua comunidade.

A prática em se trabalhar ações que coíbem a indisciplina faz parte do princípio da própria escola, que introduziu espaços democráticos de discussão de problemas desde sua fundação na década de 70. Hoje, esses espaços são caracterizados por assembléias em sala de aula e assembléias de representantes de classe. Segundo a orientadora pedagógica Lucia Vinci, todo início de ano a equipe de educadores e orientadores leva para as salas do ensino fundamental, a partir do 2º ano, “problemas” que foram levantados pelos próprios alunos no ano anterior, e que precisam de atenção.

“Este ano alguns temas como a fila da cantina; a entrada e a saída da escola e o trânsito nos corredores foram discutidos pelos alunos. Cada sala de aula, e um grupo de educadores, orientadores e funcionários, ficou responsável por cuidar da resolução de um dos “problemas” propostos, através da divulgação das regras estabelecidas em discussão nas assembléias”, conta Vinci.

Para a educadora, o mais importante para o desenvolvimento de um projeto de convivência na escola é o envolvimento integral dos alunos em relação aos temas trabalhados. “Durante os espaços democráticos, os alunos argumentam e escutam as opiniões dos outros criando de imediato, uma regulação do grupo” diz.

A partir do 6º ano, as salas de aula passam a contar com dois representantes de classe – um menino e uma menina – que são eleitos por voto secreto e, se necessário, com segundo turno. “Os representantes, quando convocados, participam das reuniões que ocorrem fora do período de aula e atuam em projetos específicos”, conta Lúcia.

Um dos projetos que contou com a atuação dos representantes, foi relacionado à limpeza dos banheiros. “Tivemos reclamação de que os alunos estavam deixando os banheiros muito sujos. A equipe de orientadores educacionais convocou uma reunião com os representantes, e apresentou o problema”, diz Lúcia. A primeira iniciativa dos representantes foi a de entrevistar os funcionários da limpeza, que contaram sobre as dificuldades que estavam tendo para limpar os banheiros.

A partir da entrevista e muitas fotos dos banheiros sujos, os representantes se dividiram em grupos e partiram para a comunicação das novas regras aos demais colegas da escola. “Fizeram painéis pelos corredores com as fotos e entrevistas dos funcionários, criaram slogans e folhetos que foram fixados em pontos estratégicos e distribuídos entre os alunos. O problema com os banheiros foi resolvido imediatamente”, contou a orientadora.

As assembléias de classe e atuação dos representantes também ajudam os alunos nas propostas que querem fazer à escola. Um dos projetos amplamente trabalhado, discutido e avaliado é o Projeto Recreio, que tem a finalidade de deixar o momento do lazer mais divertido. “Cada classe vota em três atividades que gostariam que fossem inseridas durante o recreio. Em uma assembléia geral com os representantes, todas as propostas são colocadas em votação e definidas. Os representantes então, se dividem em grupos, e partem para a organização das novas atividades – corda, violão, campeonatos de ping-pong e etc. – e trabalham em sua divulgação”, conta a orientadora.

As assembléias na Escola Móbile ocorrem nas disciplinas de Orientação Educacional até o último ano do ensino fundamental. Leia mais sobre o Projeto Conviver da Escola Móbile nos links abaixo:

Como funcionam as assembléias?

• Regras para uma convivência saudável

O recreio como espaço de convivência

Informes publicitários definem as regras elaboradas pelos alunos

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