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Volta às aulas: Rumo ao 1°ano

 

 

 

 

 

 

Cada etapa da trajetória escolar é cheia de descobertas. Mas, depois do primeiro dia de aula da vida de uma criança, talvez a mais significativa delas seja a ida para o 1o ano do ensino fundamental. É o encerramento do ciclo inicial do seu filho na escola (muitas instituições investem em cerimônias e festa de formatura) e o fim da educação infantil. Também é aquela hora em que você olha para ele e pensa: “Dá para congelar o tempo?”. Pois é, não dá. Mas começa agora uma nova jornada com ainda mais desafios, já que, normalmente, é no primeiro ano que se dá a alfabetização. E ele vai precisar da sua tranquilidade. Por isso, não se apresse. “Muitos pais esperam ver os filhos alfabetizados e fazem comparações entre o desempenho dele e de outras crianças. O que só gera estresse e ansiedade, diante do desejo da criança não conseguir se desempenhar satisfatoriamente”, diz Elizabeth Sanada, doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento, do Instituto Singularidades (SP).

Às vezes, devido a essa cobrança da família, algumas escolas deixam de lado o brincar, fundamental em todas as fases da vida da criança, dentro e fora dos muros da escola. Mas quem disse que só porque seu filho fez 6 anos, de repente, cresceu?

Por isso, o aprendizado deve ser conduzido por elementos lúdicos, que envolvem trabalhos em grupo, contato com a natureza, o uso da literatura, de jogos e de experiências prazerosas, que despertem todos os sentidos dos pequenos. E como isso acontece na prática? CRESCER conversou com diversos especialistas sobre os pontos que geram mais dúvidas (e receios) para deixar esse caminho rumo ao 1o ano mais fácil, para pais e crianças.

O conteúdo será dividido em disciplinas

Não existe uma regra. No entanto, todas as turmas de 1o ano devem seguir os Parâmetros Curriculares Nacionais do MEC, que abrangem língua portuguesa, matemática, ciências naturais, história, geografia, arte e educação física. Mas cada instituição faz isso de maneira diferente. Há as que têm a divisão já bem certinha, outras que trabalham por projetos, que nascem do interesse da classe por determinada questão e envolvem várias disciplinas. Algumas, ainda, possuem essa divisão na estruturação do plano anual, mas também trabalham as matérias de forma integrada. Por exemplo: quando falam sobre contos de fadas (leitura), abordam a vida nos castelos (história) e a alimentação (ciências). Se o seu filho se sentir perdido em meio aos conteúdos, ajude-o a se organizar. Defina os dias em que cada matéria será estudada de acordo com as necessidades dele. Outra ideia é fazer resumos do que foi visto em cada dia, como um diário.

Um professor para cada matéria

A maioria das escolas trabalha da mesma forma: o professor regente é o responsável por quase todo o conteúdo, sendo que a criança tem contato com outros tutores em disciplinas como arte, música, educação física ou inglês. Pode ser que o seu filho se sinta um pouco intimidado, mesmo que ele já tenha vivido isso na pré-escola. Explique a ele, no entanto, que todos estão lá para ajudá-lo a crescer e serão seus companheiros durante o ano inteiro.

Mais alunos na turma

O 1º ano do fundamental é um período que exige atenção dos professores, devido ao processo de alfabetização – que não acontece de maneira igual para todos. Portanto, muitas escolas priorizam um número reduzido de crianças por classe, igual ou similar à educação infantil (aumentando de 20 para 22, por exemplo). Porém, algumas chegam a colocar cinco alunos a mais. Mostre ao seu filho que essa será uma boa chance de aumentar o círculo de amizades.

Lanche na cantina

Na maioria das escolas, as crianças têm acesso à cantina a partir de agora. Algumas já com autonomia total, outras com monitoramento do professor ou, então, em determinados dias da semana. Aproveite a oportunidade para conversar com o seu filho sobre o uso do dinheiro e a importância de escolhas saudáveis.

Avaliação com provas

Muitas instituições mantêm o processo avaliativo similar ao da educação infantil, com sondagens realizadas em sala durante a rotina escolar. Assim, avalia-se o desenvolvimento do aluno perante ele mesmo e a turma, sem notas ou boletins. Outras inserem o sistema de provas, porém elas são feitas com o auxílio do professor (devido aos diferentes níveis de leitura dos alunos). E ainda há aquelas que já aplicam provas formais, também com o cuidado de orientar as crianças nos enunciados. Seja como for, não coloque no seu filho mais expectativas em relação às avaliações do que ele já terá, combinado?

Lição de casa com frequência

De novo, varia. Mas, dificilmente, seu filho se verá livre dela – são exercícios mais simples em geral. E é comum que a lição aumente gradativamente. Porém, muitas instituições já enviam lição de segunda a sexta, para estimular o hábito. Sendo assim, crie um cantinho de estudos bem aconchegante e estipule horários fixos.

Menos brincadeiras?

O brincar, como falamos, continua tão importante para as crianças quanto era na educação infantil – ainda bem! Infelizmente, a tendência é que o tempo e o espaço destinados à brincadeira diminuam a partir de agora, devido ao aumento da demanda pedagógica. Em boa parte das escolas, ela fica restrita a momentos como a hora do recreio ou de entrada e saída. Por isso, se achar que o período destinado ao brincar não é o suficiente na escola do seu filho, faça um esforço ainda maior para garantir que ele tenha tempo livre no dia a dia. Nada de lotar a agenda dele com atividades extras, para que ele possa brincar mais. Claro que a rotina muda, especialmente com a alfabetização. Mas ainda são crianças de 6 anos, ou seja, precisam brincar em casa, na rua, no parque e – por que não? – também na escola.

Quando ele muda de escola

É comum a criança começar o 1o ano em uma escola nova. Ansiedade em dose dupla! Mesmo que ele já tenha conhecido o espaço ao longo da matrícula, faça mais visitas antes do início das aulas, se achar necessário. Não tenha medo de perguntar nada à coordenação, mesmo coisas óbvias.

Quando alguns amigos vão à mesma escola, a criança se sente mais segura. Mas, se não for o caso, tenha paciência na adaptação. E não se preocupe: as instituições tendem a criar diversas maneiras de fazer com que os novos alunos se sintam acolhidos. Confie na sua escolha!

Tenha nos professores da turma seus maiores aliados: com o carinho e a dedicação de vocês, seu filho vai aprender a amar a nova escola também.

Outras fontes: Anna Claudia Ranieri, coordenadora pedagógica da Stance Dual School (SP); Diana Ribeiro Tatit, coordenadora de série da Escola Lourenço Castanho (SP); Flávio Cidade, coordenador da Educação Infantil do Colégio Ítaca (SP); Luciana Fevorini, diretora escolar do Colégio Equipe (SP); Maria de Fátima Galvão de França Pupo, coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I e II do Colégio Academia, de Jaú (SP); Nevinka Lucia Saavedra Tomasich, diretora do Colégio Jardim Anália Franco (SP); e Sara Curvello, assistente psicopedagógica do Colégio Marista Brasília Asa Sul – Educação Infantil, de Brasília (DF).