Pesquisa busca estimular mudanças comportamentais de acordo com os protocolos sanitários da OMS

Os insights comportamentais têm sido utilizados por governos ao redor do mundo, principalmente na última década, para promover políticas públicas focadas na melhoria da qualidade de vida dos indivíduos. A ideia central é que a tomada de decisão por parte dos indivíduos pode ser bastante influenciada por pequenas mudanças de contexto. A fundamentação teórica vem das ciências comportamentais, campo multidisciplinar que integra conhecimentos da economia, psicologia, filosofia, sociologia, entre outras ciências sociais.

Documentos como o relatório “Behavioral Science Around the World” (BID, 2019) e o “Behavioral Insights and Public Policy: lessons from around the world”(OCDE, 2017) destacam a criação, dentro e fora dos governos, das “Behavioral Insights Units”, cujo objetivo é a implementação de iniciativas de políticas públicas baseadas nas ciências comportamentais.

Iniciativas deste tipo buscam promover a criação de hábitos e escolhas saudáveis, e neste contexto atual de pandemia de COVID-19 se tornam muito relevantes e oportunas. Neste momento, se torna urgente e muito desafiadora a criação de hábitos individuais e coletivos que ajudem no combate ao espalhamento da doença.

Evento ocorrido no dia 28 I Workshop de Ciências Comportamentais aplicados ao Compliance Sanitário, realizado no último dia 28, com a finalidade de definir as questões comportamentais críticas que impactam no compliance sanitário

É neste contexto que o Laboratório de Estudos do Setor Público (LESP), da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), em parceria com a CLOO – Behavioral Insights Unit, desenhou juntamente com a Reitoria da Unicamp uma pesquisa que busca estimular mudanças comportamentais que vão ao encontro dos protocolos sanitários definidos pela Organização Mundial de Saúde e pela Unicamp.

O convênio entre Unicamp e CLOO, coordenado pelas professoras Juliana Pires de Arruda Leite, Milena Pavan Serafim da Unicamp e pelo professor Carlos Mauro da CLOO, selecionou como locais de estudo e de intervenção o Caism, o CECOM e a SVC/DEPI. Esses locais foram escolhidos porque possuem as características necessárias e aplicam os protocolos sanitários da OMS e da Unicamp junto aos públicos interno e externo. Espera-se que os resultados produzidos tenham impactos positivos tanto para a comunidade universitária (alunos, professores, funcionários internos e externos) bem como para outros setores da sociedade (fundações, empresas, instituições de ensino etc).

A professora Juliana Leite aponta que “esta parceria com a CLOO trará resultados muito importantes, não só para a comunidade da Unicamp, mas também para a sociedade. Já iniciamos as ações do projeto sobre compliance sanitário, em breve iniciaremos as ações sobre o trabalho remoto.”

Nessa mesma linha, o professor Carlos Mauro refere que “o convênio entre a Unicamp e a CLOO expressa o alinhamento existente acerca da busca de impacto social através da realização de pesquisa científica aplicada. Para além disso, todos os protocolos, dados e análises serão publicados, ficando disponíveis para outros pesquisadores e interessados, independentemente dos resultados.”

No dia 28 de janeiro, foi realizado o I Workshop de Ciências Comportamentais aplicados ao Compliance Sanitário, com a finalidade de definir as questões comportamentais críticas que impactam no compliance sanitário desses órgãos. A professora Milena Serafim coloca que “a parceria dos órgãos da Unicamp e a participação dos servidores no workshop espelham a seriedade e o compromisso da nossa comunidade e da nossa instituição com a prevenção sistemática e com a não propagação da COVID-19. Ainda que a vacina seja o caminho desejável, sabemos que a convivência com o vírus ainda permanecerá por um bom tempo. Por isso, temos que continuar vigilantes com a propagação do vírus e o cumprimento das regras de compliance sanitário”.

Também destaca Henry Nasser, Lead Behavioral Advisor na CLOO, que “é de vital importância para o sucesso das iniciativas a coordenação entre os diversos agentes envolvidos no projeto por meio da troca de experiências entre as equipes multidisciplinares, bem como a aplicação de metodologias que consigam, ao mesmo tempo, identificar situações do cotidiano que envolvam comportamentos específicos e realizar a análise de heurísticas e vieses atrelados a tais comportamentos, a fim de seja possível gerar conhecimento aplicado que busque melhorar a vida das pessoas”.

“Sabemos quão difícil pode ser a mudança de hábitos, mesmo que conscientemente direcionada à melhoria da saúde, como parar de fumar e adotar a prática regular de atividades físicas. A Covid-19 trouxe uma necessidade abrupta e urgente de usar máscaras, ficar longe, higienizar mais as mãos; parte da população aderiu a estas recomendações, e parte não. Com o passar do tempo, mesmo quem aderiu inicialmente está desistindo de manter a mudança. Neste contexto, e ainda sem previsão para o fim da pandemia, considero muito importante a ajuda das Ciências Comportamentais no reforço do compliance sanitário relativo às medidas de prevenção da doença. Passado o I Workshop, já identificando-se oportunidades de intervenção, ficamos aqui no CECOM com uma expectativa de excelentes resultados após a implantação deste projeto, que certamente trará benefícios aos nossos usuários, além de grande aprendizado para a equipe participante” destaca Patrícia Leme, coordenadora do CECOM.

Sobre a CLOO

A CLOO é uma Behavioral Insights Unit que realiza projetos de interesse público e social. O seu propósito é a aplicação das Ciências Comportamentais ao desenvolvimento de intervenções e políticas de mudança comportamental para melhoria da qualidade de vida dos indivíduos. O escopo de atuação da CLOO tem como foco o desenvolvimento de inovações que geram mudanças em comportamentos específicos em contextos de mobilidade, saúde, educação, segurança, integridade, sustentabilidade, entre outros. As abordagens utilizadas são cientificamente fundamentadas e a equipe trabalha em estreita colaboração com diversos parceiros, tais como governos, fundações, ONGs e empresas na Europa e no Brasil. Para mais informações: www.cloo.com.br
 

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