A defasagem na educação brasileira. Qual a saída?

“O Brasil precisa parar de focar em modismos educacionais tecnocêntricos e passageiros e pensar em projetos de longo prazo, com fundamentos pedagógicos consistentes que melhorem o ensino e a aprendizagem dos estudantes brasileiros”. (Paulo Blikstein é diretor do TLTL – Transformative Learning Technologies Lab da Universidade de Columbia)

Um estudo divulgado esta semana pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, realizado pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da Universidade Federal de Juiz de Fora (CAEd/UFJF), mostra que a suspensão das aulas presenciais está atrasando a aprendizagem dos alunos em matemática e português. Veja o estudo

A coordenadora do curso de licenciatura em Matemática do Instituto Singularidades, Margareth Polido, diz que não existe surpresa no estudo, uma vez que o ensino remoto prejudica o trabalho do professor polivalente no ensino das hipóteses dos alunos. “Nos anos iniciais da educação básica, os alunos constroem o conhecimento em grupos e de forma concreta. O professor que não é especialista em Matemática, não tem o olhar estratégico para trabalhar os conceitos da disciplina em formato remoto. A única forma de amenizar esse retrocesso e de forma emergencial é investir na formação dos professores do segmento com trilhas formativas que trabalham a matemática atrelada as outras disciplinas”, diz.

Paulo Blikstein, especialista em tecnologia da educação e diretor do TLTL – Transformative Learning Technologies Lab da Universidade de Columbia (EUA), concorda com Polido sobre o resultado do estudo. “Não é surpresa. A pandemia deixará legados em todo Brasil, e não só em São Paulo”, diz.

Para Blikstein, o país precisa urgentemente pensar na educação como um projeto nacional, com uma construção cuidadosa entre poder público e sociedade e fazer das escolas o centro da formação da cidadania. Caso contrário, as escola correm o risco de serem cooptadas ou entregues aos sistemas de ensino, às empresas de tecnologia e às grandes corporações.

Todo brasileiro – que acredita na educação como agente transformador – tem o sonho, segundo Blikstein, de ver os estudantes apaixonados pela construção do conhecimento e por suas escolas. Os professores sendo valorizados e fascinados por ensinar e ter as salas de aula transpirando ideias, inovações e invenções entre os grupos de alunos.

Ciente da urgência pelo debate como política pública, o TLTL, em parceria com o Todos pela Educação e o D3E, especialista em dados para um trabalho democrático da educação, estão lançando o relatório “Tecnologias para uma educação com equidade: novo horizonte para o Brasil”. que mostra como as práticas pedagógicas com suporte da tecnologia vão além do ensino remoto e abrangem todas as áreas do conhecimento.

“O Brasil tem de estar preparado para lidar com as emergências, com o dia a dia e articular ações em diversas frentes. Tem de desenvolver estratégia nacional que garanta recursos e infraestrutura para todos. É importante investir na formação dos professores, que devem ser motivados e valorizados, além de proteger os dados dos alunos e dos seus educadores”, reforça Blikstein.

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