Unicamp vence desafio de órgão internacional de regulação da Internet

A Unicamp foi a vencedora do 9º Desafio IPv6, uma iniciativa da comunidade técnica e apoiada pelo LACNIC, o órgão internacional responsável pela alocação e administração de numeração IP (principal protocolo utilizado na Internet), pelas regras e políticas de utilização da Internet para a América Latina e Caribe. Ao todo, 26 instituições públicas e privadas que atendem ao escopo do LACNIC participaram da competição, que consistia em apresentar ao menos dois relatórios da implementação do novo protocolo de Internet IPv6 (mais conhecido como IP) a um comitê internacional. Durante o anúncio dos ganhadores, em maio último, o comitê avaliador salientou a qualidade dos trabalhos apresentados e declarou o segundo lugar para Top Communications, da Venezuela, e decidiu oferecer uma menção honrosa a Redes e Assessorias do Mayab do México.

O esforço em participar do desafio partiu da equipe de administradores de rede do Centro de Computação (CCUEC) formada por Aurelio Couto Arruda, Eduardo Augusto Trettel, Ivan Miguel da Silva, Rachel de Carvalho Paschoalino, Rafael Arthur Gazzoni, Ricardo Bueno da Silva e Wesley Davi da Silva e da Faculdade de Ciências Aplicadas (FCA), formada por Henri Alves de Godoy.

No próximo dia 16 de junho, a equipe deverá apresentar o relatório durante o Webinar que marca a comemoração anual do Dia do IPv6 voltado para os profissionais da América Latina e Caribe. “É a primeira vez que uma equipe vencedora do desafio é convidada para apresentar o relatório. Estamos muito satisfeitos com o trabalho realizado. Foi um empenho da equipe que valeu a pena”, destaca Henri Godoy que estima que a documentação necessária para o desafio foi organizada em 45 dias. “Os profissionais de TIC foram muito requisitados neste período de pandemia e, além das demandas gerais, o grupo conseguiu avançar na implementação do protocolo e concluir a documentação no prazo estipulado”, avalia.

Iniciativa de uma parceria FCA e CCUEC possibilitou avançar na implementação do protocolo e concluir a documentação no prazo estipulado pelo Desafio LACNIC
Esforço coletivo do grupo possibilitou avançar na implementação do protocolo e concluir a documentação no prazo estipulado pelo Desafio LACNIC

Segundo Godoy, vencer um desafio neste nível atesta o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelos profissionais de Tecnologia da Informação e de Comunicação (TIC) da Unicamp, além de permitir visibilidade para a Universidade por estar provida com o que há de mais moderno em termos de protocolo de endereçamento na Internet. Com o IPv6 é possível, por exemplo, conectar uma gama substancial de equipamentos e, assim, oferecer à comunidade e visitantes uma Internet estável e segura para o desenvolvimento de atividades de ensino, pesquisa e extensão. O IPv6 possibilitará ainda a interligação da Unicamp com laboratórios e vários centros de pesquisas mundiais que adotaram o protocolo.

A versão do protocolo anterior, o IPv4, de acordo com o profissional, por ter uma faixa de endereçamento mais restrita, poderia influenciar a expansão da rede de uma universidade do porte da Unicamp. Ademais, em 2017 o IPv4 se tornou oficialmente obsoleto, sendo o IPv6 o padrão mundial. “Nos Estados Unidos, por exemplo, é mandatório a adoção desse protocolo em alguns órgãos do governo e administração pública, mas no Brasil, ainda o governo federal se limita a recomendações técnicas apenas e caminha lentamente na implementação do novo protocolo”, ressalta.

Para Godoy, a adoção do IPv6 é inevitável e o quanto antes for feito, menos custos terá sua implantação. Desta forma, a Unicamp assume um papel de vanguarda ao conseguir implementar o IPv6 em uma diversidade de serviços. “Havia uma instalação inicial limitada do protocolo IPv6 e a pandemia e a proposta do Desafio fez também com que avançasse a configuração em vários serviços oferecidos à comunidade, como mais servidores Web, roteadores centrais, telefonia e nas redes sem fio”, lembra.

Desde 2011 começou a inquietação entre os profissionais de TIC da Unicamp em relação, principalmente, ao número de dispositivos conectados à Internet e, consequentemente, o número de IP a serem disponibilizados, o que resultou na criação de um grupo de trabalho. Foram anos dedicados a reuniões, treinamentos e preparação da infraestrutura para atender à comunidade universitária em suas pesquisas e projetos, como por exemplo, a do Campus Tranquilo, Campus Sustentável e Smart Campus. “Trata-se de um trabalho árduo que não aparece, mas constitui a base da conexão da Internet no mundo hoje”, ressalta.

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Assista ao anúncio dos ganhadores: 

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