FCM inicia discussão sobre revisão curricular do curso de Medicina

A Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp promoverá, de 10 a 13 de agosto de 2021, em plataforma on-line, o Seminário Internacional de Aprimoramento Curricular do Curso de Medicina.

Realizado pela Diretoria, Comissão de Ensino de Graduação (CEG), Núcleo de Avaliação, Pesquisa e Educação em Saúde (Napes) e Núcleo Docente Estruturante (NED), o evento visa discutir as conquistas e os avanços da formação médica, no Brasil e no mundo. As inscrições para o evento já estão abertas e acontecem até 6 de agosto.

Em entrevista ao site da FCM, a coordenadora do Napes, Eliana Martorano Amaral, explica que a partir de experiências nacionais e internacionais, a Comissão Organizadora do evento também tem a expectativa de poder oferecer subsídios ao aprimoramento do currículo do curso de Medicina da Unicamp, que deverá apresentar novidades em sua configuração, a partir de 2023.

FCM Unicamp – Qual o objetivo principal do Seminário Internacional de Aprimoramento Curricular do Curso de Medicina?

Eliana Amaral – Passados 21 anos da Reforma Curricular iniciada em 2000, que esteve alinhada com as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) publicadas posteriormente, em 2004, é preciso rever os avanços e as mudanças ocorridas nas expectativas esperadas de atuação do profissional médico, nas oportunidades formativas que a Unicamp pode oferecer e sua melhor contribuição. Além disso, é preciso ajustar o currículo às demandas das DCN 2014, incorporar atividades de extensão, promover maior integração com as inciativas em saúde da família, incluir estratégias educacionais inovadoras e buscar o melhor aproveitamento possível da ampla variedade de cenários de aprendizagem que temos, dos nossos hospitais à atenção primária e aparelhos sociais, incluindo o papel das simulações e das atividades mediadas por tecnologia, presenciais ou não. Sempre temos o que aperfeiçoar e este momento pós-pandemia traz uma janela de oportunidade.  Todas as escolas de Medicina no mundo estão passando por este momento de auto-avaliação e reflexão sobre como formar os médicos do futuro.

FCM Unicamp – Quais as principais contribuições trazidas pelos convidados internacionais?

Eliana Amaral – Convidamos grandes e experientes nomes mundiais sobre currículo de cursos de Medicina e avaliação da qualidade de formação, que vão se integrar com a discussão de modelos curriculares vigentes ou sendo aprimorados em outros países, como Portugal e Canadá. John Norcini é um nome muito respeitado por contribuir com a avaliação crítica dos processos de avaliação dos estudantes, criador da técnica Mini-CEX e um dos maiores conhecedores do tema – qualidade em formação e o papel da avaliação interna e externa da escola de medicina. A Brownie Anderson teve longa atuação na Associação Americana de Escolas Médicas (AAMC) e  tem se dedicado a entender as diferentes demandas da comunidade internacional nas avaliações de qualidade dos cursos de Medicina. O Stan Hamstrad é um especialista em avaliação e competências, incluindo uso de simulação para a formação, tendo atuado até recentemente no Accreditation Council for Graduate Medical Education (ACGME), que define qualidade para a formação na residência médica.

Teremos o Nuno Souza, que nos falará da evolução dos currículos médicos em Portugal e a demanda de modernização que impulsionou a criação do curso de medicina da Universidade do Minho. Melchor Mendiola, do México, tem uma larga experiência de gestão de ensino médico e a contribuição possível dos recursos digitais. Rodrigo Cavalcanti, da Universidade de Toronto, vai fazer um contraste entre a formação no Brasil e no Canadá. E o professor Tomas Maack, a comunidade da Unicamp já conhece porque esteve conosco no Seminário de Reforma Curricular do final dos anos 90, inspirou a todos e retornou avaliando as mudanças e impacto do currículo que foi implantado após em nossa escola. 

FCM Unicamp – Por que a programação foi pensada da maneira como está? 

Eliana Amaral – Além dos convidados internacionais, teremos convidados nacionais, da FCM e outras escolas, experientes e muito respeitados no Brasil e no exterior. Eles nos darão a oportunidade de saber como têm sido conduzidas as mudanças e os currículos em diversas faculdades de Medicina, no Brasil. Temas de atualidade como ensino pós-pandemia, o papel da simulação, segurança do paciente, profissionalismo, currículo centrado na aprendizagem vão se alinhar com o perfil profissional e nas competências que foram discutidas recentemente nos departamentos. 

Teremos sessões de “estado-da-arte” da formação médica, seguida pela discussão de outros currículos internacionais e nacionais, juntamente com uma revisão da nossa reforma curricular de 2000. Com estes elementos, vamos subsidiar as discussões em grupos, que serão fechadas para esta comunidade, com objetivo de definir princípios e direcionamentos para um currículo a ser proposto e aprovado na Congregação da FCM, no início de 2022, para ser implantado a partir de 2023. 

Esta programação intensa e de alta qualidade vai permitir, à comunidade composta por docentes, discentes e auxiliares de ensino da FCM, rever nossas experiências de sucesso, fortalecer o que tem funcionado e atende às Diretrizes Curriculares da Medicina de 2014 e propor novos caminhos, inclusive para atender a alguns aspectos que precisam ser adequados a esta normativa e outros que têm sido apontados em diferentes avaliações do curso.

FCM Unicamp – Que análise podemos fazer do currículo médico atual?

Eliana Amaral – Temos, na Unicamp, uma formação de qualidade, que se apoia em atividades intensas junto às comunidades e serviços de saúde de diferentes níveis de complexidade, em variados cenários clínicos. A supervisão docente contínua e qualificada, o pensamento crítico e inovador, agregam muito valor às médicas e médicos formados pela FCM Unicamp. Muitos indicadores diferentes mostram isso, como Enade e o Teste de Progresso, os altos índices de aprovação nas provas de residência em todo o Brasil, a percepção de sua capacidade resolutiva para as questões de saúde, o desempenho dos nossos alunos onde vão depois exercer a profissão e outras avaliações eventuais a que são submetidos.

No entanto, é preciso ajustar nosso currículo às dificuldades percebidas por discentes e docentes, atender às DCN 2014 e propor novos caminhos para atender a algumas adequações a normativas, mas, principalmente, à sugestões de melhoria que têm sido apontadas em diferentes formas de avaliação do curso e do médico que estamos formando.

programa procura abranger estes pontos, gerar sugestões para o trabalho posterior de organizar a nova proposta curricular a ser aprovada nas instâncias devidas.

Matéria original publicada no site da FCM da Unicamp. 

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