Pelo segundo ano, estudantes e professores da rede pública estadual podem indicar livros para o acervo escolar

Para promover a leitura e ampliar o acervo das escolas da rede estadual, a Secretaria da Educação do Estado (Seduc-SP) inicia o processo de indicação de livros. Pelo segundo ano consecutivo, estudantes e professores do ensino fundamental (Anos Iniciais e Finais), ensino médio e EJA (Educação de Jovens e Adultos) podem sugerir títulos técnicos e literários. Vinculada à Coordenadoria Pedagógica (Coped), a ação está na fase de mobilização da comunidade escolar.

Entre os estudantes, é permitida a indicação de até cinco títulos literários. Já os docentes podem optar por cinco títulos literários voltados aos educandos e outros cinco títulos técnicos para o aprimoramento das práticas pedagógicas. A novidade deste ano fica por conta das escolas de ensino médio: os professores poderão indicar mais dois títulos de obras técnicas voltados para cada Itinerário Formativo que a escola ofertar a partir do próximo ano letivo.

Com orientação do Programa Sala de Leitura, o primeiro período nas escolas vai até 17 de setembro. Neste momento, as indicações devem ser pautadas em dois aspectos: o pedagógico, que envolve aprendizagem colaborativa, desenvolvimento de habilidades e competências cognitivas e socioemocionais; e o técnico, por meio de validação das unidades escolares, Diretorias de Ensino (DEs) e Órgão Central (Coped e Efape – Escola de Formação e Aperfeiçoamento dos Profissionais da Educação do Estado de São Paulo).

Protagonismo da comunidade escolar
Para o secretário da Educação do Estado, Rossieli Soares, a ação é um diferencial na prática docente em sala de aula, em projetos interdisciplinares e na colaboração técnica em rede. “Desta forma, contribuímos no desenvolvimento da aprendizagem e do protagonismo da comunidade escolar como um todo, para que todos possam ampliar o acesso à informação, inclusive nas salas e ambientes de leitura. É importante para democratizar o processo de composição dos acervos escolares e instrumentalizar professores e gestores sobre temas fundamentais, como racismo, xenofobia, entre outros”, resume.

Rossieli acrescenta que as medidas tomadas visam garantir a qualidade das obras de todas as etapas de ensino. “A equipe envolvida desenvolveu critérios de validação dos livros, que passam por adequação da linguagem à faixa etária e segmento atendido, materiais de apoio às escolas e DEs, como tutoriais e guias, entre outros pontos”, conta.

Alinhado ao Plano Estadual de Educação e o Plano Estratégico 2019-2022, o processo da 2ª Indicação de Livros já apresentou bons números na primeira edição, que ocorreu em novembro de 2020. Foram adquiridos mais de 1,3 milhão de exemplares de 272 títulos, segundo a Coped. O montante foi distribuído em 100% da rede – 5,1 mil escolas estaduais.

Entre os estudantes, a participação ativa dos Grêmios Estudantis é fundamental para que mais pessoas possam ser ouvidas em busca de um consenso. O coordenador pedagógico da Seduc-SP, Caetano Siqueira, destaca a importância da mobilização interna. “Convocamos todos os atores escolares para que as escolas consigam fazer um trabalho legal de indicação, chamando os gremistas para promover essas discussões dentro da escola. Queremos ampliar o espaço de formação de leitores, onde professores e estudantes formem uma comunidade leitora fluente e atuante de forma positiva para construção da sociedade”, afirma.

Conversas, pesquisas e “exposições”
Na DE de Catanduva, por exemplo, o trabalho de mobilização está presente nas 27 escolas da região, que, juntas, reúnem mais de 5,3 mil estudantes, entre ensino fundamental e ensino médio. Com apoio da supervisora de ensino, Marisete Guimarães, a professora coordenadora do núcleo pedagógico, Silvia Pelicano, 47, conta alguns passos dados para envolver a comunidade escolar. “Iniciamos a divulgação com reuniões virtuais junto às equipes gestoras das escolas e com os professores das Salas de Leitura. Depois, envolvemos os responsáveis pelos Grêmios Estudantis e os líderes de turma das escolas PEI (Programa Ensino Integral). A partir daí, sim, pudemos movimentar os estudantes de forma mais direta”, diz.

A divulgação tem sido realizada com títulos que já existem nas escolas e com algumas pesquisas dos alunos no site da Biblioteca Nacional, segundo a professora. “Existem muitas conversas a respeito, principalmente durante as aulas de Língua Portuguesa. Em algumas escolas estaduais da nossa regional, como na Capitão Horácio Antônio do Nascimento, em Tabapuã, e na Professora Ruth Dalva Ferraz Farão, em Itajobi, durante os intervalos, existem exposições com alguns títulos, como se fosse uma feira de livros, para incentivar essa participação”, revela.

Após discussões e validações internas, o trio gestor – diretor, vice-diretor e professor coordenador – deve informar a listagem na Secretaria Escolar Digital (SED), entre 13 e 17 de setembro. Na sequência, esses dados serão ranqueados e passados à DE. Depois, estão previstas algumas etapas: aquisição dos títulos, gestão e logística das entregas, controle de qualidade, além de orientações de práticas pedagógicas para o uso deste acervo.

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