Racismo ou xenofobia? O que falta, é educação

A Coalizão Negra informou que vai denunciar a morte do congolês Moïse Mugenyi Kabagambeao ao Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial da Organização das Nações Unidas (ONU). Articulados por mais de 250 movimentos e coletivos nacionais, eles irão pedir medidas contra possíveis crimes de racismo e xenofobia. O documento ainda está em fase de produção e a previsão é que seja enviado à ONU ainda na quarta-feira (2). ( Reportagem da CNN 02/02)

Enquanto isso, o movimento antirracista nas escolas está crescendo. A divulgação do Anuário Brasileiro da Educação Básica pelo Todos pela Educação mostra que menos da metade das escolas brasileiras debatem o racismo e as relações étnico-raciais. A plataforma de filmes educativos TamanduáEdu é uma boa ferramenta para debater o tema.

As mídias noticiam os casos de violência que envolvem o racismo e o preconceito e evidenciam a urgência para que as escolas tenham  projetos antirracistas que envolvam a gestão e currículo,  envolvendo professores de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Escolas privadas criam encontros de formação para amplificar o conhecimento dos docentes sobre o tema, e utilizam as produções audiovisuais.

A professora de história do Colégio Equipe (SP), Eliane Yambanis, foi a responsável pela liveclass que discutiu o filme “A última abolição”, de Alice Gomez e mais dois outros títulos disponíveis no Festival de Cinema Filmes que Ensinam – História Política, da TamanduáEdu. O encontro online pode ser assistido aqui.

“O acervo de filmes da TamanduáEdu tem muita qualidade, e como está todo classificado de acordo com a BNCC, facilita para o professor que quer criar situações didáticas disparadas por bons filmes”, diz Yambanis.

Para ela, o filme “A última abolição” traz uma síntese histórica e perspectiva crítica sobre o tema, com o foco na inclusão social. “Esse filme é um disparador didático riquíssimo. Como um sistema tão aviltante e imoral como foi a escravidão, pode ser perpetuado por tanto tempo? Como as pessoas dormiam tranquilas promovendo a exploração, o sofrimento e a violência?”, questiona.

No fim de 2021  educadores integrantes do movimento antirracista do Instituto Singularidades, em parceria com a plataforma de filmes streaming voltados para a educação – Tamanduá Edu – realizaram um debate online ( assista AQUI) sobre alguns dos filmes da plataforma que compõe a série “Educação Antirracista”.

A professora Waldete Tristão, indicada ao prêmio Jabuti com o livro “Conhecendo os Orixás”, falou sobre o documentário Àkàrà, no fogo da intolerância “Esse documentário nos remete a muitas reflexões sobre a apropriação cultural e a religiosidade. O Akará é uma palavra em Yoruba, que significa “comida de Iansã”, representada pelo acarajé. Essa iguaria pertencente a cultura africana, não pode ser desconectada da sua origem. Quem faz e vende o acarajé originalmente, são as filhas de Iansã”, conta a educadora, explicando que existem relatos que denominam o acarajé de “bolinho de jesus”. “Um acarajé não dá para ser cristão. Isso é querer apagar uma cultura que conecta essa iguaria ao povo brasileiro”, diz.

A professora de Ética e Diversidade, Denise Rampazzo, falou sobre o documentário Libertem Angela Davis que  retrata a vida da jovem professora universitária norte-americana que lutou na defesa dos direitos humanos e tornou-se a mulher mais caçada pelo FBI.  “O fato de Angela ser mulher preta e comunista fez com que passasse a ser perseguida de forma escandalosa, e ela só pedia respeito ao cidadão. O filme mostra outras diversas situações que ainda acontecem na sociedade brasileira. As escolas demoraram demais para trazer a compreensão do racismo estrutural no Brasil. Temos obrigação enquanto professores, de potencializar essas histórias e dar visibilidade ao tema para formarmos pessoas cidadãs”, diz.

“Entendo o antirracismo como uma pauta necessária e cotidiana. Quando assisti aos filmes da Tamanduá Edu, fiquei pensando em minha atuação como professora. Escolhi o documentário “Djamila Ribeiro”, que é escritora e mestre em filosofia política pela Unifesp e explica o que é racismo estrutural, o conceito de lugar de fala, o medo do feminismo negro e o assassinato de George Floyd”, conta a professora de literatura, Dayse Ramos.

“A Djamila mostra que nossa história é feita por homens brancos. Os filmes da série discutem e evidenciam o quanto o racismo molda todas as nossas relações culturais, sociais e políticas e o quanto é necessário olhar, admitir e então passar a construir uma nova potência. Os professores que assistirem o catálogo de filmes antirracista da plataforma, perceberão que dá para trabalhar ciências humanas, literatura, filosofia a partir de uma lógica não hegemônica, geopolítica e modelos estéticos literários. Quem é Maria Firmina dos Reis? Os documentários nos preparam para formar um cidadão melhor”, diz Dayse.

Sobre a TamanduáEdu:

A plataforma TamanduáEdu integra o grupo de difusão audiovisual Curta! – Curta na Escola, Canal Curta, Tamanduá TV – especializado em curadoria de conteúdos relevantes.

“A TamanduáEdu foi criada para estar a serviço do professor, dos alunos e de suas famílias. O acervo é apresentado em planos segmentados para todas as etapas do ensino básico – infantil, fundamental 1 e 2 e médio – e formação de professores. Temos ainda planos para cadeiras especificas de humanas, do Ensino Superior”, conta Ana Gabriela Lopes, diretora da plataforma. 

A TamanduáEdu permite que o professor crie seus planos de aula na plataforma associando componentes curriculares, competências e habilidades e descrevendo as situações didáticas. Os educadores também podem criar canais ou coleções de títulos e partilhar os links com seus alunos. A tecnologia utilizada permite a integração de uma rede colaborativa entre gestores, professores e pais, promovendo a exibição de filmes na escola e na família, além de fornecer métricas e relatórios analíticos a coordenadores e gestores.

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