<?xml version="1.0"?>
<oembed><version>1.0</version><provider_name>CGC</provider_name><provider_url>https://cgceducacao.com.br</provider_url><author_name>cgceducacao</author_name><author_url>https://cgceducacao.com.br/index.php/author/cgceducacao/</author_url><title>Topon&#xED;mia uspiana - CGC</title><type>rich</type><width>600</width><height>338</height><html>&lt;blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="Q7aiVZudNP"&gt;&lt;a href="https://cgceducacao.com.br/index.php/2025/01/22/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br/"&gt;Topon&#xED;mia uspiana&lt;/a&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;iframe sandbox="allow-scripts" security="restricted" src="https://cgceducacao.com.br/index.php/2025/01/22/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br/embed/#?secret=Q7aiVZudNP" width="600" height="338" title="&#x201C;Topon&#xED;mia uspiana&#x201D; &#x2014; CGC" data-secret="Q7aiVZudNP" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" class="wp-embedded-content"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;
/* &lt;![CDATA[ */
/*! This file is auto-generated */
!function(d,l){"use strict";l.querySelector&amp;&amp;d.addEventListener&amp;&amp;"undefined"!=typeof URL&amp;&amp;(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&amp;&amp;!/[^a-zA-Z0-9]/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret="'+t.secret+'"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret="'+t.secret+'"]'),c=new RegExp("^https?:$","i"),i=0;i&lt;o.length;i++)o[i].style.display="none";for(i=0;i&lt;a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&amp;&amp;(s.removeAttribute("style"),"height"===t.message?(1e3&lt;(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r&lt;200&amp;&amp;(r=200),s.height=r):"link"===t.message&amp;&amp;(r=new URL(s.getAttribute("src")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&amp;&amp;n.host===r.host&amp;&amp;l.activeElement===s&amp;&amp;(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener("message",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener("DOMContentLoaded",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll("iframe.wp-embedded-content"),r=0;r&lt;s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute("data-secret"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+="#?secret="+t,e.setAttribute("data-secret",t)),e.contentWindow.postMessage({message:"ready",secret:t},"*")},!1)))}(window,document);
//# sourceURL=https://cgceducacao.com.br/wp-includes/js/wp-embed.min.js
/* ]]&gt; */
&lt;/script&gt;
</html><thumbnail_url>https://cgceducacao.com.br/wp-content/uploads/2024/05/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg</thumbnail_url><thumbnail_width>1200</thumbnail_width><thumbnail_height>100</thumbnail_height><description>Guilherme Ary Plonski, professor s&#xEA;nior da Faculdade de Economia, Administra&#xE7;&#xE3;o, Contabilidade e Atu&#xE1;ria (FEA) e da Escola Polit&#xE9;cnica (Poli) da USPTopon&#xED;mia uspianaO professor Fl&#xE1;vio Fava de Moraes foi o primeiro Reitor com quem tive o prazer de trabalhar diretamente, a partir de fevereiro de 1994, quando assumi a coordena&#xE7;&#xE3;o da Coordenadoria Executiva de Coopera&#xE7;&#xE3;o Universit&#xE1;ria e de Atividades Especiais (Cecae), &#xF3;rg&#xE3;o recente, vinculado &#xE0; Reitoria. Af&#xE1;vel, acolhedor e sereno, surpreendia-nos frequentemente com observa&#xE7;&#xF5;es espirituosas e, ao mesmo tempo, ilustradas.Uma delas, perto do final de sua gest&#xE3;o, &#xE9; a afirma&#xE7;&#xE3;o de que n&#xE3;o gostaria de ser homenageado pela nomina&#xE7;&#xE3;o de uma das vias da Cidade Universit&#xE1;ria, pois elas carregavam os nomes de reitores mortos&#x2026;De fato, ressalvadas algumas denomina&#xE7;&#xF5;es pict&#xF3;ricas (como &#x201C;Pra&#xE7;a do Rel&#xF3;gio&#x201D; e &#x201C;Rua do Mat&#xE3;o&#x201D;), as avenidas e pra&#xE7;as recebem tipicamente os nomes de reitores falecidos que exerceram o mandato antes da ocupa&#xE7;&#xE3;o da Cidade Universit&#xE1;ria &#x201C;Armando de Salles Oliveira&#x201D; pela USP. Esta ocorre a partir da segunda metade da d&#xE9;cada de 1950.Cabe observar que o Instituto de Pesquisas Tecnol&#xF3;gicas do Estado de S&#xE3;o Paulo (IPT) &#xE9; o primeiro ocupante da Cidade Universit&#xE1;ria, para onde come&#xE7;ou a se mudar em 1937. A constru&#xE7;&#xE3;o do pr&#xE9;dio Adriano Marchini, seu ic&#xF4;nico edif&#xED;cio-sede, inicia em 1947 e conclui em 1953. A USP chega mais tarde; os relatos verbais indicam que os primeiros servidores da USP a se instalarem ali utilizavam como local de almo&#xE7;o o refeit&#xF3;rio do IPT, ent&#xE3;o o &#xFA;nico dispon&#xED;vel no campus.H&#xE1; duas exce&#xE7;&#xF5;es na topon&#xED;mia uspiana. Uma &#xE9; a Avenida Orlando Marques de Paiva, em que se situa a Faculdade de Medicina Veterin&#xE1;ria e Zootecnia (FMVZ). A sua gest&#xE3;o reitoral transcorreu no per&#xED;odo 1973-1977, em que a Cidade Universit&#xE1;ria j&#xE1; estava intensamente ocupada. D&#x2019;ailleurs, o homenageado foi docente e diretor da FMVZ.A outra exce&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a pra&#xE7;a em frente ao port&#xE3;o de entrada do IPT. Ela reverencia o engenheiro-arquiteto paulistano Francisco de Paula Ramos de Azevedo, respons&#xE1;vel por projetos ic&#xF4;nicos como o Teatro Municipal, o Pal&#xE1;cio da Justi&#xE7;a e o Liceu de Artes e Of&#xED;cios (atual Pinacoteca). Foi, ademais, um dos fundadores da Escola Polit&#xE9;cnica (Poli), incorporada &#xE0; USP em 1934. Diferentemente dos demais nominados nas vias do campus, ele n&#xE3;o foi reitor da USP, nem poderia ter sido, pois faleceu antes da cria&#xE7;&#xE3;o da Universidade.O vis&#xED;vel monumento de 22 toneladas e 25 metros de altura, que estava originalmente instalado na avenida Tiradentes, em frente ao Liceu e perto das antigas instala&#xE7;&#xF5;es da Poli, teve que ser desmontado para a constru&#xE7;&#xE3;o da linha pioneira do Metr&#xF4;. Como s&#xF3;i acontecer nestas plagas, seus peda&#xE7;os ficaram encostados por alguns anos num barrac&#xE3;o da Pinacoteca, at&#xE9; que fosse decidido o que fazer. Num ato de justi&#xE7;a po&#xE9;tica, a obra, que havia sido inaugurada no ano de cria&#xE7;&#xE3;o da USP, acabou acompanhando a mudan&#xE7;a da Poli e est&#xE1;, remontada, na Cidade Universit&#xE1;ria.A &#x201C;minha&#x201D; viaNo momento da escrita deste depoimento, tenho 47 anos de atua&#xE7;&#xE3;o como servidor docente da Universidade. Todos os envolvimentos transcorrem nas imedia&#xE7;&#xF5;es de uma &#xFA;nica via, a Avenida Professor Luciano Gualberto, que foi reitor no bi&#xEA;nio 1950-1951. Seguindo a numera&#xE7;&#xE3;o crescente da via, minhas atividades ocorrem em seis locais:1) O pr&#xE9;dio da antiga &#x201C;Nova Reitoria&#x201D;, onde se localiza o Instituto de Estudos Avan&#xE7;ados, do qual sou professor s&#xEA;nior, ap&#xF3;s ser conselheiro, vice-diretor e diretor. Ali tamb&#xE9;m atuei na implementa&#xE7;&#xE3;o da Escola T&#xE9;cnica e de Gest&#xE3;o da USP (Escola USP), da qual fui o primeiro coordenador;2) O pr&#xE9;dio atual da Reitoria, onde coordenei a Cecae (na ocasi&#xE3;o o pr&#xE9;dio era denominado &#x201C;Antiga Reitoria&#x201D;);3) O pr&#xE9;dio do Centro de Inova&#xE7;&#xE3;o da USP (InovaUSP), do qual fui vice-coordenador em duas gest&#xF5;es reitorais;4) O pr&#xE9;dio da Faculdade de Economia, Administra&#xE7;&#xE3;o, Contabilidade e Atu&#xE1;ria (FEA), onde sou professor-s&#xEA;nior, ap&#xF3;s d&#xE9;cadas de doc&#xEA;ncia ativa no Departamento de Administra&#xE7;&#xE3;o. Fui tamb&#xE9;m coordenador cient&#xED;fico do N&#xFA;cleo de Pol&#xED;tica e Gest&#xE3;o da USP (PGT), ali sediado;5) O &#x201C;pr&#xE9;dio do Bi&#xEA;nio&#x201D; da Escola Polit&#xE9;cnica, onde se localiza o Departamento de Engenharia de Produ&#xE7;&#xE3;o, do qual fui docente ativo por v&#xE1;rias d&#xE9;cadas; e6) O complexo do IPT, do qual fui Diretor Superintendente por nomea&#xE7;&#xE3;o do Governador. Embora legalmente afastado, continuei a ministrar aulas na Poli e na FEA, assim como a orientar disc&#xED;pulos.Mas quem foi Luciano Gualberto?Curiosamente, h&#xE1; tamb&#xE9;m uma via hom&#xF4;nima &#xE0; do meu conv&#xED;vio cotidiano no campus. &#xC9; a rua Professor Luciano Gualberto no bairro do Jardim Morumbi. O logradouro, originalmente denominado &#x201C;Rua 3&#x201D;, foi oficializado pelo Prefeito Jos&#xE9; Vicente de Faria Lima pelo Decreto n&#xBA; 6.512, de 17 de junho de 1966. Ali se determina que na placa deve constar o dizer &#x201C;M&#xE9;dico Em&#xE9;rito&#x201D;.O Dicion&#xE1;rio de Ruas, plataforma do Arquivo Hist&#xF3;rico Municipal que re&#xFA;ne informa&#xE7;&#xF5;es sobre os nomes das vias da cidade de S&#xE3;o Paulo, se estende sobre a sua biografia, aqui transcrita com pequenas corre&#xE7;&#xF5;es formais e separa&#xE7;&#xE3;o de par&#xE1;grafos para mais f&#xE1;cil leitura:O professor Luciano Gualberto, nasceu em 14 de janeiro de 1883, em Petr&#xF3;polis, Estado do Rio de Janeiro. Fez seus primeiros estudos nos Col&#xE9;gios S&#xE3;o Vicente de Paulo e S&#xE3;o Lu&#xED;s.Diplomou-se pela Faculdade de Medicina em 1907. Viajou para a Europa, onde permaneceu por muito tempo estudando com Seguem, Marion, Victor Pauchet e Layte Pozzi, al&#xE9;m de ter sido assistente de professores famosos em Roma e Floren&#xE7;a.Vindo para S&#xE3;o Paulo, foi assistente dos professores Arnaldo Vieira de Carvalho, Alves de Lima e Alfonso Bovero. Ap&#xF3;s provas brilhantes, alcan&#xE7;ou em primeiro lugar a c&#xE1;tedra de Ginecologia da Faculdade de Medicina. Foi professor de anatomia, m&#xE9;dico-cirurgi&#xE3;o da cl&#xED;nica urol&#xF3;gica.Ocupou importantes cargos administrativos no setor universit&#xE1;rio, entre os quais o de membro do Conselho Universit&#xE1;rio, chefe do servi&#xE7;o da Santa Casa de Miseric&#xF3;rdia e Reitor da Universidade de S&#xE3;o Paulo. Grande cirurgi&#xE3;o, foi cirurgi&#xE3;o-chefe do Hospital das Cl&#xED;nicas, Hospital Municipal, Pronto Socorro da Cruz Vermelha, Hospital da For&#xE7;a P&#xFA;blica, e nos hospitais da frente de combate durante a grande guerra.Membro de v&#xE1;rias academias e sociedades de medicina, possu&#xED;a diversas condecora&#xE7;&#xF5;es e t&#xED;tulos honor&#xED;ficos. Pol&#xED;tico militante, foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito interino da Capital paulista, al&#xE9;m de presidente da Via&#xE7;&#xE3;o A&#xE9;rea S&#xE3;o Paulo S.A. &#x2013; VASP.Como escritor, deixou diversos romances e volumes de poesias, tais como: A Sociedade Moderna; O homem que perdeu a F&#xE9;; Gondola Azul e Torre de Babel. Cientista, escreveu trabalhos de grande valor. Faleceu em 21 de setembro de 1959.A sua produ&#xE7;&#xE3;o liter&#xE1;ria o torna membro da Academia Paulista de Letras de 1941 at&#xE9; seu falecimento, em 1959. Foi o segundo ocupante da cadeira no. 29, cujo patrono &#xE9; Paulo Eir&#xF3;. Anos mais tarde, a cadeira passa a ser ocupada por um not&#xE1;vel colega da FEA, professor Jos&#xE9; Pastore, do Departamento de Economia, a quem por vezes encontro tamb&#xE9;m num dos concertos apresentados na Sala S&#xE3;o Paulo.Em seu discurso de posse ele faz uma importante men&#xE7;&#xE3;o &#xE0; trajet&#xF3;ria de Luciano Gualberto, reproduzida a seguir:Valdomiro Silveira foi sucedido por Luciano Gualberto, um extraordin&#xE1;rio m&#xE9;dico e administrador p&#xFA;blico que, dentre os v&#xE1;rios cargos que ocupou, destaco o de Reitor da Universidade de S&#xE3;o Paulo.Mas Gualberto fora colaborador de Arnaldo Vieira de Carvalho e Alfonso Bovero na cria&#xE7;&#xE3;o da Faculdade de Medicina da mesma Universidade. Especializou-se em urologia, tendo escrito e traduzido in&#xFA;meras obras nesse campo.Al&#xE9;m de sua compet&#xEA;ncia cient&#xED;fica, Luciano Gualberto foi um agrad&#xE1;vel professor, que entremeava suas aulas com est&#xF3;rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n&#xE3;o &#xE9; aquele que s&#xF3; implanta fatos na cabe&#xE7;a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina&#xE7;&#xE3;o e a criatividade.A veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre &#x201C;A Prote&#xE7;&#xE3;o do Oper&#xE1;rio em Casos de Acidentes do Trabalho&#x201D;. Inspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote&#xE7;&#xE3;o aos acidentados. Mas isso foi em 1919 &#x2013; dez anos depois. Como se v&#xEA;, a demora em decidir n&#xE3;o &#xE9; inven&#xE7;&#xE3;o dos governos de hoje.Os acidentes da &#xE9;poca eram devastadores devido &#xE0; rudeza do ferramental da agricultura, ao fogo err&#xE1;tico das forjarias, aos perigosos andaimes da constru&#xE7;&#xE3;o civil e tantos outros fatores de risco. A devasta&#xE7;&#xE3;o permaneceu por v&#xE1;rios anos. N&#xE3;o muito distante, ao longo da d&#xE9;cada de 90, 39 mil brasileiros que sa&#xED;ram de casa para trabalhar, n&#xE3;o voltaram. Morreram trabalhando: 39 mil em dez anos!Esses s&#xE3;o os casos notificados. At&#xE9; hoje, a grande maioria dos acidentes de trabalho n&#xE3;o &#xE9; notificada. Os estragos s&#xE3;o brutais para os trabalhadores, as fam&#xED;lias e a economia do pa&#xED;s. Pesquisa recente mostrou que os acidentes do trabalho custam ao Brasil 25 bilh&#xF5;es de reais por ano! S&#xE3;o 100 bilh&#xF5;es de reais a cada quatro anos (11). Uma f&#xE1;bula de recursos! Sem contar a dor, o sofrimento e as vidas, que, evidentemente, n&#xE3;o t&#xEA;m pre&#xE7;o.Nos &#xFA;ltimos tempos, os n&#xFA;meros melhoraram. Efici&#xEA;ncia? N&#xE3;o, infelizmente. &#xC9; ir&#xF4;nico dizer que a redu&#xE7;&#xE3;o do n&#xFA;mero de acidentes resultou, em grande parte, de uma lei que desestimulou a notifica&#xE7;&#xE3;o por parte das empresas (Lei 6.367 de 1976). Um absurdo.No Brasil &#xE9; assim. Quando a febre est&#xE1; muito alta, troca-se o term&#xF4;metro&#x2026; Na infla&#xE7;&#xE3;o, d&#xE1;-se o mesmo. Quando o pre&#xE7;o do chuchu dispara, tira-se o chuchu da lista do custo de vida. E a infla&#xE7;&#xE3;o baixa. &#xC9; assim que os tecnocratas demonstram a sua genial criatividade&#x2026;Al&#xE9;m de m&#xE9;dico e professor, Luciano Gualberto foi um homem de vida p&#xFA;blica e de a&#xE7;&#xE3;o en&#xE9;rgica, como era o seu jeito de ser &#x2013; sempre falante, direto e contundente.Foi vereador em tr&#xEA;s legislaturas, deputado estadual, vice-prefeito, prefeito interino e secret&#xE1;rio da sa&#xFA;de e da educa&#xE7;&#xE3;o.Sa&#xFA;de e educa&#xE7;&#xE3;o foram suas grandes paix&#xF5;es. Perd&#xE3;o. N&#xE3;o posso omitir a sua voca&#xE7;&#xE3;o de poeta &#x2013; poeta das horas vagas, como se auto-definia. Ele costumava brincar, dizendo que suas poesias sa&#xED;am sempre de &#x201C;p&#xE9; quebrado&#x201D; porque, como urologista, n&#xE3;o dominava as ferramentas dos ortopedistas&#x2026;Pura mod&#xE9;stia. As cria&#xE7;&#xF5;es liter&#xE1;rias de Luciano Gualberto foram simples, mas retrataram seu diuturno conv&#xED;vio com o sofrimento humano nas cl&#xED;nicas, nos centros de sa&#xFA;de e nos hospitais, como se nota nos seguintes versos:Eu conhe&#xE7;o o sabor da l&#xE1;grima e do riso,Tenho rido e chorado e, assim, dessa maneira,Ora tendo o caminho eri&#xE7;ado, ora liso,Senti as sensa&#xE7;&#xF5;es de uma exist&#xEA;ncia inteira.Chamo a aten&#xE7;&#xE3;o a aspectos da vida de Luciano Gualberto que o professor Pastore destaca. Eles enfatizam quest&#xF5;es centrais tamb&#xE9;m da trajet&#xF3;ria do homenageador, um soci&#xF3;logo internacionalmente reconhecido pelos seus estudos e atua&#xE7;&#xE3;o como intelectual p&#xFA;blico no campo da economia do trabalho e das rela&#xE7;&#xF5;es do trabalho.Afinidades acad&#xEA;micasN&#xE3;o tive oportunidade de interagir com o professor Luciano, pois tinha apenas 11 anos quando do seu passamento. Contudo, identifico algumas afinidades, al&#xE9;m naturalmente do fato de termos ambos encontrado na Universidade de S&#xE3;o Paulo o ambiente ideal para desenvolvimento pessoal e contribui&#xE7;&#xE3;o &#xE0; sociedade ampla. Valho-me da resenha feita pelo professor Pastore, da qual extraio alguns trechos.Sobre a fun&#xE7;&#xE3;o do professor universit&#xE1;rio: &#x201C;Luciano Gualberto foi um agrad&#xE1;vel professor, que entremeava suas aulas com est&#xF3;rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n&#xE3;o &#xE9; aquele que s&#xF3; implanta fatos na cabe&#xE7;a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina&#xE7;&#xE3;o e a criatividade&#x201D;.Se sou ou n&#xE3;o bom professor e orientador deixo por conta dos/as que tive o privil&#xE9;gio de ter como alunos/as e orientado/as. Mas, como Luciano, entremeio as aulas com est&#xF3;rias. Em algumas busco expor os estudantes aos contextos relevantes em que teorias foram propostas, t&#xE9;cnicas foram desenvolvidas e inova&#xE7;&#xF5;es emergiram. Destaco sempre o &#x201C;fator Quem&#x201D;: por exemplo, qual foi a trajet&#xF3;ria pessoal e a jornada profissional de Jorge S&#xE1;bato que o levaram a propor o modelo trino pioneiro para gera&#xE7;&#xE3;o de desenvolvimento econ&#xF4;mico e social a partir da Ci&#xEA;ncia, tr&#xEA;s d&#xE9;cadas antes da hoje dominante H&#xE9;lice Tr&#xED;plice. O importante no processo de ensino-aprendizagem &#xE9; integrar logos, p&#xE1;thos e ethos.Sobre a responsabilidade social do professor universit&#xE1;rio: &#x201C;A veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre &#x2018;A Prote&#xE7;&#xE3;o do Oper&#xE1;rio em Casos de Acidentes do Trabalho&#x2019;&#x201D;.Cedo tamb&#xE9;m entendi a multidimensionalidade do papel do engenheiro. Tendo declinado do convite para ser docente da Poli logo ap&#xF3;s me formar, com o algo ing&#xEA;nuo argumento de que &#x201C;antes de ser professor de engenharia precisava ser engenheiro&#x201D;, fui admitido numa das principais empresas de engenharia consultiva do Brasil. Coincidindo com Luciano, o meu primeiro texto publicado mostrava o tamanho da trag&#xE9;dia dos acidentes do trabalho e doen&#xE7;as profissionais no Brasil no come&#xE7;o dos anos 1970, tema n&#xE3;o muito apreciado no regime autorit&#xE1;rio de ent&#xE3;o.Sobre a transla&#xE7;&#xE3;o do conhecimento acad&#xEA;mico em pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas: &#x201C;Inspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote&#xE7;&#xE3;o aos acidentados.&#x201D;.N&#xE3;o tenho a ilus&#xE3;o de que o modesto artigo de engenheiro rec&#xE9;m-formado tenha impulsionado uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica em defesa dos trabalhadores. Mas desde sempre considerei a frutifica&#xE7;&#xE3;o do conhecimento gerado na universidade em inova&#xE7;&#xF5;es transformadoras um dos eixos direcionadores do meu papel de gestor ao longo da jornada uspiana, especialmente na coordena&#xE7;&#xE3;o da Cecae e do PGT, assim como na dire&#xE7;&#xE3;o do IEA. E, &#xE7;a va sans dire, tamb&#xE9;m quando fui dirigente do IPT, institui&#xE7;&#xE3;o particularmente bem-posicionada para esse mister. Um exemplo concreto &#xE9; a cria&#xE7;&#xE3;o pelo Instituto do &#x201C;Espa&#xE7;o Tecnologia&#x201D; na Assembleia Legislativa do Estado de S&#xE3;o Paulo.Sobre a demora para implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil: &#x201C;Mas isso foi em 1919 &#x2013; dez anos depois. Como se v&#xEA;, a demora em decidir n&#xE3;o &#xE9; inven&#xE7;&#xE3;o dos governos de hoje&#x201D;.Esposo id&#xEA;ntico assombro. Ele &#xE9; objeto de um dos cap&#xED;tulos do livro &#x201C;Vencer&#xE1;s pela Ci&#xEA;ncia, Transformaremos pela Inova&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, uma das obras alusivas aos 90 anos da USP a ser publicada pela Edusp em 2025.E agora?A Universidade &#xE9; uma constru&#xE7;&#xE3;o coletiva intergeracional. Assim, estendo a evidencia&#xE7;&#xE3;o das afinidades acad&#xEA;micas ao professor Jos&#xE9; Pastore, j&#xE1; mencionado acima. Ap&#xF3;s fazer as homenagens de praxe aos ocupantes anteriores da cadeira no. 29, inclusive Luciano Gualberto, ele exp&#xF5;e um pouquinho da sua pessoa.Sobre a decis&#xE3;o de ser professor-s&#xEA;nior: &#x201C;Espero que o meu atrevimento seja compreendido como um gesto de quem deseja aprender. Ali&#xE1;s, eu estava ainda aprendendo quando dei a &#xFA;ltima aula na Universidade de S&#xE3;o Paulo. N&#xE3;o me conformei com a aposentadoria. Voltei a lecionar e a ouvir os alunos. Meus colegas apoiaram&#x201D;.Fui beneficiado pelo projeto do preclaro senador Jos&#xE9; Serra, que estende os efeitos da chamada PEC da Bengala a todos os servidores p&#xFA;blicos da Uni&#xE3;o, estados e munic&#xED;pios. Em decorr&#xEA;ncia, a idade da aposentadoria obrigat&#xF3;ria no funcionalismo p&#xFA;blico passou a ser 75 anos e n&#xE3;o mais 70, assim como aconteceu com os ministros do Supremo Tribunal Federal. Poderia me aposentar bem antes, por estar na pitoresca condi&#xE7;&#xE3;o conhecida no jarg&#xE3;o acad&#xEA;mico como &#x201C;p&#xE9; na cova&#x201D;. Em termos menos f&#xFA;nebres, havia reunido todas as condi&#xE7;&#xF5;es para me aposentar com percep&#xE7;&#xE3;o integral (e paridade) de vencimentos.N&#xE3;o tive d&#xFA;vida em continuar com a qu&#xE1;drupla vincula&#xE7;&#xE3;o (Poli, FEA, IEA e InovaUSP). E ganhei um ano de b&#xF4;nus, por ser diretor do IEA selecionado num processo eletivo, podendo cumprir o mandato at&#xE9; o final.Quando chegou a hora inapel&#xE1;vel de t&#xE9;rmino do servi&#xE7;o ativo, tive a ventura de, como Pastore, receber o apoio carinhoso de colegas e de dirigentes para me tornar professor-s&#xEA;nior. Como alertado pelo sol&#xED;cito colega do Departamento de Recursos Humanos, com o efeito colateral de preju&#xED;zo de vencimentos, pela perda do adicional de perman&#xEA;ncia.Sobre o futuro na Universidade: &#x201C;Eles t&#xEA;m raz&#xE3;o. O ser humano que para de aprender vira obsoleto, tenha ele 20, 30, 40 ou 50 anos. Quero seguir o exemplo deste grande brasileiro, Miguel Reale, que, com 93 anos, n&#xE3;o desiste de aprender e, por isso, n&#xE3;o para de ensinar. &#xC9; esta sede de aprender e este impulso de ensinar que me levaram a escolher Vossa Excel&#xEA;ncia, caro Professor, para me receber nesta Academia. Este &#xE9;, sem d&#xFA;vida, um dos momentos mais felizes de minha vida&#x201D;.Imbu&#xED;do da mesma ideia de lifelong learning e inspirado no lema do saudoso doutor Jos&#xE9; Mindlin (&#x201C;N&#xE3;o fa&#xE7;o nada sem alegria&#x201D;), permane&#xE7;o professor da USP. Espero gozar de sa&#xFA;de de corpo e mente para continuar a aprender e contribuir &#xE0; USP e, por meio dela, ajudar a reparar o mundo, seguindo a diretriz judaica de tikun olam que me acompanha desde a inf&#xE2;ncia.</description></oembed>
