{"version":"1.0","provider_name":"CGC","provider_url":"https:\/\/cgceducacao.com.br","author_name":"cgceducacao","author_url":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/index.php\/author\/cgceducacao\/","title":"Sem dinheiro, mas com um sonho: a USP! - CGC","type":"rich","width":600,"height":338,"html":"<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"gQjUBiK2nV\"><a href=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/index.php\/2024\/09\/18\/sem-dinheiro-mas-com-um-sonho-a-usp\/\">Sem dinheiro, mas com um sonho: a USP!<\/a><\/blockquote><iframe sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/index.php\/2024\/09\/18\/sem-dinheiro-mas-com-um-sonho-a-usp\/embed\/#?secret=gQjUBiK2nV\" width=\"600\" height=\"338\" title=\"&#8220;Sem dinheiro, mas com um sonho: a USP!&#8221; &#8212; CGC\" data-secret=\"gQjUBiK2nV\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\" class=\"wp-embedded-content\"><\/iframe><script type=\"text\/javascript\">\n\/* <![CDATA[ *\/\n\/*! This file is auto-generated *\/\n!function(d,l){\"use strict\";l.querySelector&&d.addEventListener&&\"undefined\"!=typeof URL&&(d.wp=d.wp||{},d.wp.receiveEmbedMessage||(d.wp.receiveEmbedMessage=function(e){var t=e.data;if((t||t.secret||t.message||t.value)&&!\/[^a-zA-Z0-9]\/.test(t.secret)){for(var s,r,n,a=l.querySelectorAll('iframe[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),o=l.querySelectorAll('blockquote[data-secret=\"'+t.secret+'\"]'),c=new RegExp(\"^https?:$\",\"i\"),i=0;i<o.length;i++)o[i].style.display=\"none\";for(i=0;i<a.length;i++)s=a[i],e.source===s.contentWindow&&(s.removeAttribute(\"style\"),\"height\"===t.message?(1e3<(r=parseInt(t.value,10))?r=1e3:~~r<200&&(r=200),s.height=r):\"link\"===t.message&&(r=new URL(s.getAttribute(\"src\")),n=new URL(t.value),c.test(n.protocol))&&n.host===r.host&&l.activeElement===s&&(d.top.location.href=t.value))}},d.addEventListener(\"message\",d.wp.receiveEmbedMessage,!1),l.addEventListener(\"DOMContentLoaded\",function(){for(var e,t,s=l.querySelectorAll(\"iframe.wp-embedded-content\"),r=0;r<s.length;r++)(t=(e=s[r]).getAttribute(\"data-secret\"))||(t=Math.random().toString(36).substring(2,12),e.src+=\"#?secret=\"+t,e.setAttribute(\"data-secret\",t)),e.contentWindow.postMessage({message:\"ready\",secret:t},\"*\")},!1)))}(window,document);\n\/\/# sourceURL=https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-includes\/js\/wp-embed.min.js\n\/* ]]> *\/\n<\/script>\n","thumbnail_url":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg","thumbnail_width":1200,"thumbnail_height":100,"description":"Ernesto Cuadros-Vargas, doutor pelo Instituto de Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas e de Computa\u00e7\u00e3o (ICMC) da USP, em S\u00e3o Carlos.H\u00e1 quase 30 anos, ainda residindo no Peru, ouvi falar muitas coisas interessantes sobre a USP e decidi que precisava conhec\u00ea-la. Parti de Arequipa, no Sul do Peru, em 27 de dezembro de 1995. Ap\u00f3s uma jornada de quatro dias ininterruptos, incluindo viagens de \u00f4nibus e a travessia do \u201ctrem da morte\u201d na Bol\u00edvia, cheguei \u00e0 USP, em S\u00e3o Carlos, em 31 de dezembro, por volta das 22 horas. Iniciei essa viagem com apenas 400 d\u00f3lares para os dois meses, incluindo todas as despesas. Esse c\u00e1lculo equivocado foi simplesmente um reflexo da juventude, que, muitas vezes, subestima os perigos, mas que gerou uma s\u00e9rie de desafios significativos ao longo da minha vida.Ap\u00f3s chegar \u00e0 USP, em S\u00e3o Carlos, de t\u00e1xi, primeiro localizei a Escola de Engenharia, onde os membros da seguran\u00e7a logo me indicaram o local de Computa\u00e7\u00e3o. Cheguei ao ICMC alguns minutos depois, e junto com os seguran\u00e7as, iniciamos a busca por um lugar para ficar. Como podem imaginar, no \u00faltimo dia do ano, n\u00e3o havia ningu\u00e9m me esperando no alojamento. Conseguimos apenas um colch\u00e3o, e permitiram-me descansar em uma sala de estudo muito pr\u00f3xima \u00e0 seguran\u00e7a. Lembro-me tamb\u00e9m dos membros da seguran\u00e7a me levarem a p\u00e9 para comprar um lanche, pois estava faminto. Embora a comida peruana seja excelente, confesso que aquele lanche foi simplesmente espetacular. Na segunda noite, fui conduzido ao segundo andar para dormir em outra sala. Literalmente, em 24 horas, experimentei uma ascens\u00e3o not\u00e1vel!Em 2 de janeiro, v\u00e1rios outros alunos j\u00e1 buscavam o in\u00edcio do curso de ver\u00e3o, e alguns n\u00e3o tinham onde ficar. Um deles conseguiu um cadeado e, juntos, trancamos uma sala de estudo no alojamento. Cada um deles tamb\u00e9m conseguiu um colch\u00e3o, e passamos dois meses acima de algumas mesas naquela sala. Foi uma das melhores experi\u00eancias que vivi.Lembro-me de diversas peculiaridades, como a umidade do ambiente, que era muito alta para mim, a temperatura no ver\u00e3o e as chuvas intensas que at\u00e9 agora sinto muita falta. No entanto, nada disso foi desculpa para interromper meus estudos, pois meu desejo era iniciar o mestrado na USP. Ap\u00f3s realizar a primeira prova em janeiro, as notas foram divulgadas, e havia dois grupos de alunos. Eu n\u00e3o entendia por que, mas estava no segundo grupo. Ao questionar, a atenciosa secret\u00e1ria Mar\u00edlia indicou que eu estava no grupo dos alunos que n\u00e3o estavam concorrendo ao mestrado. Algo estava errado! Ela verificou minha ficha de inscri\u00e7\u00e3o e, por n\u00e3o entender portugu\u00eas, percebi que havia preenchido erroneamente. Havia uma pergunta assim:\u201cVoc\u00ea est\u00e1 concorrendo ao mestrado?\u201dO verbo \u201cconcurrir\u201d em espanhol significa assistir. Ent\u00e3o, entendi erroneamente que estavam perguntando se eu estava assistindo ao mestrado. Claro que respondi negativamente, gerando confus\u00e3o. O fato \u00e9 que eu n\u00e3o estava concorrendo e fui convidado como ouvinte. Precisava corrigir essa situa\u00e7\u00e3o, e me encaminharam para falar com a Professora Maria Carolina Monard. Sendo ela argentina, riu da situa\u00e7\u00e3o e lembro-me da frase que me disse: \u201cesses gringos n\u00e3o sabem falar bem portugu\u00eas\u201d. Ela tamb\u00e9m explicou que a situa\u00e7\u00e3o poderia mudar se eu tirasse uma boa nota acima de 8.6 (A) e se algu\u00e9m me aceitasse como aluno.Nas pr\u00f3ximas semanas, meu \u00fanico objetivo era claro: tirar uma nota acima de 8.6, e assim o fiz. Fui falar com v\u00e1rios professores at\u00e9 encontrar um que trabalhava com Redes Neurais e disse: \u201cIsso \u00e9 o que eu quero\u201d. Claro que eu n\u00e3o entendia nada do assunto, mas o tema parecia muito interessante. O professor que me aceitou foi o atual Chefe do Departamento de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o, Prof. Andr\u00e9 Carlos Ponce de Leon Ferreira de Carvalho.Quando o curso de ver\u00e3o chegou ao fim, j\u00e1 era mar\u00e7o, e o Professor Andr\u00e9 me chamou para efetuar minha matr\u00edcula, solicitando tamb\u00e9m o passaporte. Lembro-me vividamente das palavras de Andr\u00e9:\u201cTemos que realizar sua matr\u00edcula e precisamos tirar uma c\u00f3pia do seu visto.\u201dA\u00ed eu me perguntei: \u201cvisto? O que \u00e9 isso?\u201dAndr\u00e9: \u201cComo voc\u00ea entrou no Brasil?\u201dErnesto: \u201cEu apenas cheguei \u00e0 fronteira e disse que ia fazer um curso na USP, e me deixaram entrar\u201d (inoc\u00eancia 100%).Foi nesse momento que descobri que, para iniciar o mestrado, precisava de um visto. O problema era que n\u00e3o era poss\u00edvel obter um visto de estudante dentro do Brasil! A pergunta inevit\u00e1vel surgiu: onde deveria ir para obter esse visto? Algu\u00e9m sugeriu: v\u00e1 para o Paraguai e retorne.Parti de S\u00e3o Carlos com muito pouco dinheiro em dire\u00e7\u00e3o a Foz do Igua\u00e7u em uma quinta-feira. Na sexta-feira, descobri uma ponte que levava ao Paraguai e localizei a Embaixada do Brasil do outro lado da fronteira. No entanto, me informaram que n\u00e3o havia solu\u00e7\u00e3o ali, pois precisavam verificar a documenta\u00e7\u00e3o peruana, algo imposs\u00edvel naquele local. Eu teria que retornar ao Peru, mas, primeiro, precisava resolver o problema de voltar a S\u00e3o Carlos com o dinheiro escasseando.Na mesma sexta-feira, peguei um \u00f4nibus at\u00e9 Presidente Prudente-SP por falta de dinheiro, chegando por volta da meia-noite. Liguei para um colega do curso de ver\u00e3o, Rog\u00e9rio Garcia, que era daquela cidade, pedindo ajuda. Ele me emprestou dinheiro, mas eu n\u00e3o sabia quando poderia devolver aquela quantia. Ele disse: \u201cesque\u00e7a, depois voc\u00ea me paga\u201c. Naquele momento, ele foi at\u00e9 a rodovi\u00e1ria e at\u00e9 ficou esperando meu \u00f4nibus partir. Cheguei a S\u00e3o Carlos no s\u00e1bado e fui at\u00e9 a USP apenas para pegar minhas coisas e sair imediatamente de volta para o Peru. Era s\u00e1bado, mas fui at\u00e9 a sala do Prof. Andr\u00e9, e l\u00e1 ele estava!Ap\u00f3s explicar a situa\u00e7\u00e3o, dirigi-me imediatamente \u00e0 rodovi\u00e1ria para retornar de \u00f4nibus. Parti de S\u00e3o Carlos naquele s\u00e1bado e alcancei Arequipa no s\u00e1bado seguinte, utilizando uma combina\u00e7\u00e3o de \u00f4nibus, trem e uma balsa para atravessar o rio no Pantanal do Mato Grosso do Sul, sempre dormindo no pr\u00f3prio transporte. Vale ressaltar que, durante a jornada, enfrentei a grandiosidade da Cordilheira dos Andes, com trechos alcan\u00e7ando altitudes de at\u00e9 4.500 metros. Foram 9 dias sem interrup\u00e7\u00e3o, contando os dois dias da viagem para o Paraguai.Gra\u00e7as a essa experi\u00eancia e com a carta de aceita\u00e7\u00e3o em m\u00e3os, consegui obter o visto em Lima, Peru, e iniciei o mestrado em agosto de 1996. No in\u00edcio, n\u00e3o tinha bolsa, e o Prof. Andr\u00e9 tamb\u00e9m me emprestou dinheiro, que gradualmente pude reembolsar. Defendi minha disserta\u00e7\u00e3o em agosto de 1998.Posteriormente, cursei o mestrado com a Prof\u00aa. Roseli Francelin Romero e fui seu primeiro aluno de doutorado na \u00e9poca. Durante o doutorado, realizei dois est\u00e1gios, o primeiro com o Professor Christos Faloutsos na Carnegie Mellon University, nos Estados Unidos, e o segundo na Technischen Universitat de Berlim, na Alemanha, com o Professor Klaus Obermayer. Ambas as experi\u00eancias foram de um n\u00edvel muito alto, e fico muito grato \u00e0 USP. Viajei por terra do Peru at\u00e9 a USP 36 vezes e parei de contar.Ap\u00f3s essa experi\u00eancia, decidi retornar ao Peru para transformar meu pa\u00eds, seguindo o exemplo do que aprendi. Acredito que muitas coisas mudaram em minha na\u00e7\u00e3o, e tudo isso foi gra\u00e7as \u00e0 experi\u00eancia adquirida na USP e no Brasil. Agrade\u00e7o sinceramente por todas as viv\u00eancias e desafios que enfrentei nessa aventura. Embora minha fam\u00edlia seja completamente peruana, nossa primeira filha nasceu no Brasil, e, por esse motivo, continuamos a falar portugu\u00eas e a preservar a cultura brasileira.Muito obrigado \u00e0 USP.Muito obrigado, Brasil."}