{"id":19649,"date":"2024-05-22T11:37:26","date_gmt":"2024-05-22T14:37:26","guid":{"rendered":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/?p=19649"},"modified":"2024-05-23T00:38:22","modified_gmt":"2024-05-23T03:38:22","slug":"recordando-o-professor-luiz-roberto-salinas-fortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/index.php\/2024\/05\/22\/recordando-o-professor-luiz-roberto-salinas-fortes\/","title":{"rendered":"Recordando o professor Luiz Roberto Salinas Fortes"},"content":{"rendered":"<p> Jo\u00e3o dos Reis, egresso do curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP &#8211; 1968-1971<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/escola-de-educacao-fisica-e-esporte-de-ribeirao-preto-e-a-sociedade-uma-relacao-saudavel-no-campus-de-ribeirao-preto\/attachment\/chapeu_usp-90anos_campi-pb\/\" rel=\"attachment wp-att-719956\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956 jetpack-lazy-image\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\" alt width=\"1200\" height=\"100\" \/><\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-lazy-fallback=\"1\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb-1.jpg\" alt width=\"1200\" height=\"100\" \/><\/p>\n<p>\u201cL\u00e1 fora, o melhor dos mundos, como se nada tivesse acontecido. Os generais prosseguiam, meticulosos, na patri\u00f3tica az\u00e1fama: o povo brasileiro deixava-se salvar ao som estridente do \u2018eu te amo meu Brasil\u2019 e se preparava para o grande espet\u00e1culo, sob o comando de Pel\u00e9 e Tost\u00e3o (\u2026) que as TVs transmitiriam do M\u00e9xico\u201d (p. 45) \u2013 escreve Luiz Roberto Salinas Fortes (1937-1987) em <em>Retrato calado <\/em>(Cosac Naify, S.Paulo, 2012, 2\u00aa ed., 136 p\u00e1gs.).<\/p>\n<p>Fui seu aluno em 1968-1969 de Teoria do Conhecimento e \u00c9tica e Filosofia Politica no curso de Filosofia na USP. Retomei as lembran\u00e7as de quem me ensinou a ler Jean-Jacques Rousseau (<em>Discurso sobre a origem da desigualdade<\/em>) e Louis Althusser (<em>Para ler O Capital<\/em>). Os anos depois do AI-5 foram tumultuados \u2013 para a vida acad\u00eamica e para a hist\u00f3ria do Brasil. Lembro dele na sala de aula depois de uma das pris\u00f5es, angustiado \u2013 e como me sentia impotente para prestar solidariedade.<\/p>\n<p>Os anos em que fui universit\u00e1rio foram marcados pela desesperan\u00e7a. No engajamento na resist\u00eancia, havia o medo da pris\u00e3o e da tortura, de ser preso e trair os amigos e a fam\u00edlia. Professores da Universidade cassados, exilados; estudantes presos, clandestinos, desaparecidos.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o, a tortura deixaram marcas: \u201ca dor que vai me matar continua doendo, bem presente no meu corpo, ferida aberta latejando na mem\u00f3ria. Da\u00ed a necessidade do registro rigoroso da experi\u00eancia, da sua descri\u00e7\u00e3o, da sua transcri\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria\u201d (p.42), escreve o professor-fil\u00f3sofo em suas confiss\u00f5es.<\/p>\n<p>Esteve nos pres\u00eddios da ditadura militar, em S\u00e3o Paulo \u2013 na OBAN, no DEIC e no Dops. Foram v\u00e1rias acusa\u00e7\u00f5es, muitas delas baseadas em suspeitas. Ele mesmo questiona: \u201cDeveria ter sa\u00eddo do Pa\u00eds? N\u00e3o sei. Partido para a clandestinidade e me comprometido com a luta armada, desta vez para valer? Talvez. Mas, que perspectiva nos oferecia, que n\u00e3o a suicida, a a\u00e7\u00e3o violenta contra o regime?\u201d(p. 45)<\/p>\n<p>Marilena Chau\u00ed registra na introdu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 1988: \u201cEstamos diante de algu\u00e9m que se viu a perguntar: o que \u00e9 a raz\u00e3o? o que \u00e9 a Hist\u00f3ria? o que \u00e9 a bondade? Estamos diante de algu\u00e9m que atravessou tr\u00f4pego e cego, o labirinto do terror para descobrir-lhe, em estado de choque, o fio condutor dessa prodigiosa m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o de culpa e de destrui\u00e7\u00e3o humana do humano pela desintegra\u00e7\u00e3o da fala e pelo sequestro do pensamento\u201d.<\/p>\n<p>Eu fui reencontr\u00e1-lo em 1984, em um curso para professores. Disse que eu tamb\u00e9m tinha vivido os dilemas da minha gera\u00e7\u00e3o \u2013 e lembrei que quase fui reprovado em 1969 \u2013 e, no ano seguinte, tranquei a matricula no curso de Filosofia.<\/p>\n<p>\u201cNa cordilheira dos edif\u00edcios da minha cidade, onde agora busco reintegrar-me, da Sierra Maestra de concreto armado, armados quem sabe um dia l\u00e1 de cima descer\u00e3o os guerrilheiros do novo tempo e vir\u00e3o, barbudos, implac\u00e1veis como Bruce Lee, redimir-nos a todos? No anos 200O, quem sabe?\u201d (p.117) \u2013 diz o mestre que n\u00e3o chegou a viver o novo s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Estas foram as \u00faltimas palavras do fil\u00f3sofo-professor: \u201celes quase tinham me conseguido quebrar, restando-me agora como \u00fanico recurso, como \u00fanico ant\u00eddoto e contraveneno, a metralhadora de escrever, o alinhamento das palavras, o arado sobre a folha branca, a inscri\u00e7\u00e3o como resposta. \u00c9 aqui, nesse exato momento, que se trava a luta. Cada tra\u00e7o escrito \u00e9 um tiro, \u00e9 um golpe\u201d.(p.115)<\/p>\n<p>Meus queridos amigos Maria Cleuza de Castro Leite, aluna de Hist\u00f3ria da USP; Jonas Tadeu da Silva Malaco, aluno da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, militantes do POC (Partido Oper\u00e1rio Comunista); Antonio Roberto Espinosa, aluno da Faculdade de Filosofia da USP, militante da Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares, estiveram presos nos anos 70 no DOPS e no Pres\u00eddio Tiradentes. Antonio Benetazzo, aluno da Faculdade de Filosofia e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, e militante da ALN (Alian\u00e7a Libertadora Nacional) foi preso e esteve \u201cdesaparecido\u201d; foi localizado pela fam\u00edlia anos depois no cemit\u00e9rio Dom Bosco em Perus.<\/p>\n<p>A minha juventude foi marcada pela repress\u00e3o, pelo terror do Estado policial. Citando Paul Nizan, em <em>Aden, Ar\u00e1bia<\/em>: \u201cEu tinha vinte anos, n\u00e3o me venham dizer que \u00e9 a mais bela idade da vida\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o dos Reis, egresso do curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP &#8211; 1968-1971\u201cL\u00e1 fora, o melhor dos mundos, como se nada tivesse acontecido. Os generais prosseguiam, meticulosos, na patri\u00f3tica az\u00e1fama: o povo brasileiro deixava-se salvar ao som estridente do \u2018eu te amo meu Brasil\u2019 e se preparava para o grande espet\u00e1culo, sob o comando de Pel\u00e9 e Tost\u00e3o (\u2026) que as TVs transmitiriam do M\u00e9xico\u201d (p. 45) \u2013 escreve Luiz Roberto Salinas Fortes (1937-1987) em Retrato calado (Cosac Naify, S.Paulo, 2012, 2\u00aa ed., 136 p\u00e1gs.).Fui seu aluno em 1968-1969 de Teoria do Conhecimento e \u00c9tica e Filosofia Politica no curso de Filosofia na USP. 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Estamos diante de algu\u00e9m que atravessou tr\u00f4pego e cego, o labirinto do terror para descobrir-lhe, em estado de choque, o fio condutor dessa prodigiosa m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o de culpa e de destrui\u00e7\u00e3o humana do humano pela desintegra\u00e7\u00e3o da fala e pelo sequestro do pensamento\u201d.Eu fui reencontr\u00e1-lo em 1984, em um curso para professores. Disse que eu tamb\u00e9m tinha vivido os dilemas da minha gera\u00e7\u00e3o \u2013 e lembrei que quase fui reprovado em 1969 \u2013 e, no ano seguinte, tranquei a matricula no curso de Filosofia.\u201cNa cordilheira dos edif\u00edcios da minha cidade, onde agora busco reintegrar-me, da Sierra Maestra de concreto armado, armados quem sabe um dia l\u00e1 de cima descer\u00e3o os guerrilheiros do novo tempo e vir\u00e3o, barbudos, implac\u00e1veis como Bruce Lee, redimir-nos a todos? 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Ele mesmo questiona: \u201cDeveria ter sa\u00eddo do Pa\u00eds? N\u00e3o sei. Partido para a clandestinidade e me comprometido com a luta armada, desta vez para valer? Talvez. Mas, que perspectiva nos oferecia, que n\u00e3o a suicida, a a\u00e7\u00e3o violenta contra o regime?\u201d(p. 45)Marilena Chau\u00ed registra na introdu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 1988: \u201cEstamos diante de algu\u00e9m que se viu a perguntar: o que \u00e9 a raz\u00e3o? o que \u00e9 a Hist\u00f3ria? o que \u00e9 a bondade? Estamos diante de algu\u00e9m que atravessou tr\u00f4pego e cego, o labirinto do terror para descobrir-lhe, em estado de choque, o fio condutor dessa prodigiosa m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o de culpa e de destrui\u00e7\u00e3o humana do humano pela desintegra\u00e7\u00e3o da fala e pelo sequestro do pensamento\u201d.Eu fui reencontr\u00e1-lo em 1984, em um curso para professores. 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Os generais prosseguiam, meticulosos, na patri\u00f3tica az\u00e1fama: o povo brasileiro deixava-se salvar ao som estridente do \u2018eu te amo meu Brasil\u2019 e se preparava para o grande espet\u00e1culo, sob o comando de Pel\u00e9 e Tost\u00e3o (\u2026) que as TVs transmitiriam do M\u00e9xico\u201d (p. 45) \u2013 escreve Luiz Roberto Salinas Fortes (1937-1987) em Retrato calado (Cosac Naify, S.Paulo, 2012, 2\u00aa ed., 136 p\u00e1gs.).Fui seu aluno em 1968-1969 de Teoria do Conhecimento e \u00c9tica e Filosofia Politica no curso de Filosofia na USP. Retomei as lembran\u00e7as de quem me ensinou a ler Jean-Jacques Rousseau (Discurso sobre a origem da desigualdade) e Louis Althusser (Para ler O Capital). Os anos depois do AI-5 foram tumultuados \u2013 para a vida acad\u00eamica e para a hist\u00f3ria do Brasil. Lembro dele na sala de aula depois de uma das pris\u00f5es, angustiado \u2013 e como me sentia impotente para prestar solidariedade.Os anos em que fui universit\u00e1rio foram marcados pela desesperan\u00e7a. No engajamento na resist\u00eancia, havia o medo da pris\u00e3o e da tortura, de ser preso e trair os amigos e a fam\u00edlia. Professores da Universidade cassados, exilados; estudantes presos, clandestinos, desaparecidos.A pris\u00e3o, a tortura deixaram marcas: \u201ca dor que vai me matar continua doendo, bem presente no meu corpo, ferida aberta latejando na mem\u00f3ria. Da\u00ed a necessidade do registro rigoroso da experi\u00eancia, da sua descri\u00e7\u00e3o, da sua transcri\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria\u201d (p.42), escreve o professor-fil\u00f3sofo em suas confiss\u00f5es.Esteve nos pres\u00eddios da ditadura militar, em S\u00e3o Paulo \u2013 na OBAN, no DEIC e no Dops. Foram v\u00e1rias acusa\u00e7\u00f5es, muitas delas baseadas em suspeitas. Ele mesmo questiona: \u201cDeveria ter sa\u00eddo do Pa\u00eds? N\u00e3o sei. Partido para a clandestinidade e me comprometido com a luta armada, desta vez para valer? Talvez. Mas, que perspectiva nos oferecia, que n\u00e3o a suicida, a a\u00e7\u00e3o violenta contra o regime?\u201d(p. 45)Marilena Chau\u00ed registra na introdu\u00e7\u00e3o da edi\u00e7\u00e3o de 1988: \u201cEstamos diante de algu\u00e9m que se viu a perguntar: o que \u00e9 a raz\u00e3o? o que \u00e9 a Hist\u00f3ria? o que \u00e9 a bondade? Estamos diante de algu\u00e9m que atravessou tr\u00f4pego e cego, o labirinto do terror para descobrir-lhe, em estado de choque, o fio condutor dessa prodigiosa m\u00e1quina de produ\u00e7\u00e3o de culpa e de destrui\u00e7\u00e3o humana do humano pela desintegra\u00e7\u00e3o da fala e pelo sequestro do pensamento\u201d.Eu fui reencontr\u00e1-lo em 1984, em um curso para professores. Disse que eu tamb\u00e9m tinha vivido os dilemas da minha gera\u00e7\u00e3o \u2013 e lembrei que quase fui reprovado em 1969 \u2013 e, no ano seguinte, tranquei a matricula no curso de Filosofia.\u201cNa cordilheira dos edif\u00edcios da minha cidade, onde agora busco reintegrar-me, da Sierra Maestra de concreto armado, armados quem sabe um dia l\u00e1 de cima descer\u00e3o os guerrilheiros do novo tempo e vir\u00e3o, barbudos, implac\u00e1veis como Bruce Lee, redimir-nos a todos? No anos 200O, quem sabe?\u201d (p.117) \u2013 diz o mestre que n\u00e3o chegou a viver o novo s\u00e9culo.Estas foram as \u00faltimas palavras do fil\u00f3sofo-professor: \u201celes quase tinham me conseguido quebrar, restando-me agora como \u00fanico recurso, como \u00fanico ant\u00eddoto e contraveneno, a metralhadora de escrever, o alinhamento das palavras, o arado sobre a folha branca, a inscri\u00e7\u00e3o como resposta. \u00c9 aqui, nesse exato momento, que se trava a luta. Cada tra\u00e7o escrito \u00e9 um tiro, \u00e9 um golpe\u201d.(p.115)Meus queridos amigos Maria Cleuza de Castro Leite, aluna de Hist\u00f3ria da USP; Jonas Tadeu da Silva Malaco, aluno da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, militantes do POC (Partido Oper\u00e1rio Comunista); Antonio Roberto Espinosa, aluno da Faculdade de Filosofia da USP, militante da Vanguarda Armada Revolucion\u00e1ria Palmares, estiveram presos nos anos 70 no DOPS e no Pres\u00eddio Tiradentes. Antonio Benetazzo, aluno da Faculdade de Filosofia e da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, e militante da ALN (Alian\u00e7a Libertadora Nacional) foi preso e esteve \u201cdesaparecido\u201d; foi localizado pela fam\u00edlia anos depois no cemit\u00e9rio Dom Bosco em Perus.A minha juventude foi marcada pela repress\u00e3o, pelo terror do Estado policial. 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