{"id":19891,"date":"2024-07-03T08:33:22","date_gmt":"2024-07-03T11:33:22","guid":{"rendered":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/?p=19891"},"modified":"2024-07-03T08:40:31","modified_gmt":"2024-07-03T11:40:31","slug":"nymphographia-e-a-vitoria-regia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/index.php\/2024\/07\/03\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\/","title":{"rendered":"\u201cNymphographia\u201d e a vit\u00f3ria-r\u00e9gia"},"content":{"rendered":"<p> Chriss Cass, egresso da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes (ECA) da USP<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/escola-de-educacao-fisica-e-esporte-de-ribeirao-preto-e-a-sociedade-uma-relacao-saudavel-no-campus-de-ribeirao-preto\/attachment\/chapeu_usp-90anos_campi-pb\/\" rel=\"attachment wp-att-719956\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956 jetpack-lazy-image\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\" alt width=\"1200\" height=\"100\" \/><\/a><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-lazy-fallback=\"1\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb-1.jpg\" alt width=\"1200\" height=\"100\" \/><\/p>\n<p>Meu nome \u00e9 Chriss Cass, sou artista pl\u00e1stico, pesquisador, designer gr\u00e1fico e bot\u00e2nico entusiasta, bacharel em Artes Visuais (2023) pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da\u00a0(ECA) da USP. O prel\u00fadio desse projeto se deu em 2019 com uma visita despretensiosa ao Hidrofitot\u00e9rio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba onde tive o primeiro contato com uma cole\u00e7\u00e3o de plantas dedicada a esp\u00e9cimes que tenham uma rela\u00e7\u00e3o estrita com o ambiente aqu\u00e1tico.<\/p>\n<p>A partir desse encontro, meu interesse por essas plantas foi aumentando. Em uma das disciplinas que cursei no primeiro semestre desse mesmo ano, desenvolvi um projeto de instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica e site-specific, chamado Jardim Aqu\u00e1tico. A proposta era revitalizar a antiga Fonte Luminosa \u2013 localizada em uma das rotat\u00f3rias do campus Cidade Universit\u00e1ria do campus da USP em S\u00e3o Paulo \u2013 a partir do potencial latente que vislumbrei de transform\u00e1-la em um imenso jardim de plantas aqu\u00e1ticas. Algo que para al\u00e9m do intuito paisagista, de tornar um \u201ccart\u00e3o-postal\u201d da Universidade, como j\u00e1 fora antigamente, proporcionaria tamb\u00e9m experi\u00eancias sens\u00edveis, sejam elas est\u00e9ticas, po\u00e9ticas, educativas e ecol\u00f3gicas, uma vez que esse projeto visava ressaltar e apresentar a diversidade de formas de vida desse tipo de plantas, n\u00e3o apenas ao p\u00fablico universit\u00e1rio, estudantes de bot\u00e2nica, mas tamb\u00e9m \u00e0 comunidade extramuros.<\/p>\n<p>Para tal, contei com a doa\u00e7\u00e3o de plantas e conhecimentos t\u00e9cnicos do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq, atrav\u00e9s de Charles Albert Medeiros, bacharel em Gest\u00e3o Ambiental (Esalq), que na \u00e9poca era um dos monitores respons\u00e1veis pelo espa\u00e7o e com quem, posteriormente, tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre o tema colaborando como editor e design gr\u00e1fico de seu livro sobre Plantas Aqu\u00e1ticas e Palustres, ainda em processo, como desdobramento do seu TCC (Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso). Outra pessoa de grande import\u00e2ncia foi a Uli Suadicani, engenheira agr\u00f4noma (Esalq) e respons\u00e1vel pela Belas \u00c1guas Paisagismo. <a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/storage\/2024\/03\/Nymphographia-Chriss-Cass_2023_compressed-1.pdf\">Nymphographia \u2013 Chriss Cass_2023_compressed (1)<\/a> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-222478 size-medium jetpack-lazy-image\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-tela-2024-05-09-121913-274x280-1.png?is-pending-load=1\" alt width=\"274\" height=\"280\" data-lazy-srcset=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-tela-2024-05-09-121913-274x280-1.png 274w, https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-tela-2024-05-09-121913-470x480-1.png 470w, https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-tela-2024-05-09-121913-768x785-1.png 768w, https:\/\/www5.usp.br\/storage\/2024\/03\/Captura-de-tela-2024-05-09-121913-60x60.png 60w, https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-tela-2024-05-09-121913.png 908w\" data-lazy-sizes=\"(max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-lazy-fallback=\"1\" class=\"alignright wp-image-222478 size-medium\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Captura-de-tela-2024-05-09-121913-274x280-1.png\" alt width=\"274\" height=\"280\" \/><\/p>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o do projeto no campus do Butant\u00e3 contou com apoio da Prefeitura do Campus, mas acabou sendo interrompida na fase de testes, devido a avarias imprevistas na estrutura. O material vegetal que seria utilizado foi temporariamente acondicionado no Departamento de Artes Pl\u00e1sticas da ECA at\u00e9 o in\u00edcio da pandemia de Covid-19. Com a restri\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 Universidade, acabei levando todo esse material para minha casa e dando continuidade ao cultivo dos esp\u00e9cimes, o que acabou intensificando minha rela\u00e7\u00e3o com essas plantas, especialmente quando vi as primeiras flores das ninfeias, foi \u201camor \u00e0 primeira vista\u201d.<\/p>\n<p>Desde esse dia, comecei uma jornada de pesquisa t\u00e9cnica, po\u00e9tica e filos\u00f3fica em di\u00e1logo com essas plantas. Essa paix\u00e3o me levou ao desejo de tornar aquele instante da flora\u00e7\u00e3o \u201ceterno\u201d, de reconstituir aquela sensa\u00e7\u00e3o inenarr\u00e1vel ao admir\u00e1-las. Ao mesmo tempo, isso conduziu-me a diversas reflex\u00f5es sobre a dura\u00e7\u00e3o da vida e das potencialidades da exist\u00eancia vegetal. Conhecer sua morfologia e desenvolvimento, por meio de estudos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, com grandes contribui\u00e7\u00f5es da Uli Suadicani, que me ensinou tudo o que conhe\u00e7o sobre <em>Nymphaeaceae<\/em>, por meio n\u00e3o s\u00f3 de seu curso Jardins Aqu\u00e1ticos em Bacias, mas de todo di\u00e1logo que estabelecemos. Ela se tornou a maior colaboradora dos meus projetos art\u00edsticos nesse tema, n\u00e3o apenas pelos esp\u00e9cimes vegetais, mas por toda a parceria e conhecimentos riqu\u00edssimos compartilhados. Aliado a isso, iniciei a leitura de pensadores voltados \u00e0s plantas, como Evando Nascimento, Emanuelle Coccia e Stefano Mancuso, inspiraram-me a pensar sobre formas de exist\u00eancia e resist\u00eancia po\u00e9ticas para o pr\u00f3prio ser humano, como um \u201cDevir Vegetal\u201d.<\/p>\n<p>Nessa imers\u00e3o no mundo das ninfeias, l\u00f3tus e vit\u00f3rias-r\u00e9gias, em 2021 decidi trancar o meu curso de gradua\u00e7\u00e3o, faltando apenas a \u00faltima disciplina de conclus\u00e3o de curso, na qual j\u00e1 estava matriculado dava continuidade ao desenvolvimento do projeto <em>Nymphographia<\/em>, concebido em 2020, para o meu TCC. Durante os quase dois anos em que estive \u201clonge do curso\u201d, dediquei-me<br \/>intensivamente a cultivar ninfeias e \u00e0 busca por conhecer ao vivo uma vit\u00f3ria-r\u00e9gia, a maior esp\u00e9cie da fam\u00edlia das <em>Nymphaeaceae<\/em>. Nesse meio tempo, tamb\u00e9m realizei muitos trabalhos art\u00edsticos autorais e escrevi textos sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o e reflex\u00f5es po\u00e9ticas sobre essa inspira\u00e7\u00e3o vegetal. Tamb\u00e9m participei do evento Corpo \u2013 Uma Fantasmagoria de N\u00f3s, em 2021, uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva e semin\u00e1rio realizados pelo Grupo de Pesquisa Po\u00e9tica da Multiplicidade (GPPM) \u2013 vinculado \u00e0 ECA, CNPq e coordenado por minha orientadora do TCC, professora Branca Coutinho de<br \/>Oliveira \u2013 no espa\u00e7o do Atelier Paulista, com apoio da Comiss\u00e3o de Cultura e Extens\u00e3o da ECA (2021).<\/p>\n<p>Convidei ent\u00e3o, o atual diretor t\u00e9cnico do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo (JBSP), Nino Tavares Amazonas, para visitar essa mostra e atrav\u00e9s desse contato, tive a oportunidade de apresentar a ele toda a minha pesquisa em desenvolvimento e as obras que estavam em exibi\u00e7\u00e3o. Desse di\u00e1logo, surgiu a perspectiva de tamb\u00e9m realizar um desdobramento desse projeto de pesquisa no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico com as ninfeias, o qual foi recebido com muito entusiasmo e com apoio da Reserva Parques, atual administradora do parque.<\/p>\n<p>Em 2023, j\u00e1 havia destrancado minha matr\u00edcula para concluir o TCC e dar in\u00edcio dessa pesquisa de campo. Desde mar\u00e7o, fiz religiosamente minhas visitas semanais \u00e0s segundas-feiras ao Jardim Bot\u00e2nico, nas quais realizava anota\u00e7\u00f5es, fotografias e coleta das flores, folhas, frutos e rizomas para os experimentos po\u00e9ticos art\u00edsticos e ao mesmo tempo, compartilhava com os funcion\u00e1rios os conhecimentos t\u00e9cnicos adquiridos sobre o manejo de plantas aqu\u00e1ticas. Como tamb\u00e9m tinha acumulado uma pequena cole\u00e7\u00e3o de ninfeias variadas \u2013 que fui adquirindo desde 2019, atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq e da Belas \u00c1guas Paisagismo \u2013, decidi doar mudas desses exemplares, de flor de l\u00f3tus (<em>Nelumbo nucifera<\/em>) e outras plantas aqu\u00e1ticas que est\u00e3o atualmente na cole\u00e7\u00e3o viva do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Ao longo desse projeto, iniciei juntamente a eles, o esbo\u00e7o do que vir\u00e1 a ser futuramente a cole\u00e7\u00e3o de <em>Nymphaeaceae<\/em> da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o desenvolvimento das pesquisas e dos trabalhos art\u00edsticos, tinha em mente a realiza\u00e7\u00e3o de uma mostra de artes visuais, simult\u00e2nea em dois espa\u00e7os com as obras resultantes: o Espa\u00e7o das Artes (EdA-USP) e no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Queria levar a Arte para o espa\u00e7o das plantas e as plantas para o espa\u00e7o da Arte, criando deslocamentos e reflex\u00f5es sobre os limites e as transversalidades entre esses dois eixos. Enviei um projeto ao PROAC, para o edital No: 42\/2023, propondo uma mostra essa mostra, com carta de interesse do Jardim Bot\u00e2nico em sediar o evento, declarando a relev\u00e2ncia do meu projeto para a institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Infelizmente, a mostra simult\u00e2nea n\u00e3o aconteceu, mas de certo modo consegui atingir o objetivo. Em julho, o Jardim Bot\u00e2nico inaugurou um evento chamado \u201cSal\u00e3o de Bot\u00e2nica\u201d, do qual, em apoio ao meu interesse em expor os materiais que produzi n\u00e3o apenas como resultado do TCC, mas da pesquisa cient\u00edfico-po\u00e9tica que estava realizando l\u00e1, convidaram-me para integrar a mostra com uma exposi\u00e7\u00e3o individual hom\u00f4nima ao meu projeto \u2013 Nymphographia. A banca de apresenta\u00e7\u00e3o do Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso foi realizada em 31 de julho, aberta ao p\u00fablico, e dentro do pr\u00f3prio espa\u00e7o expositivo da mostra. E, em 4 de dezembro de 2023, participei da exibi\u00e7\u00e3o coletiva dos formandos de Artes Visuais da ECA, na qual apresentei a montagem de uma segunda vers\u00e3o da obra \u201cVitrine Bot\u00e2nica\u201d, com o apoio do professor Mario Ramiro, um dos professores que foram muito importantes na minha forma\u00e7\u00e3o, sendo tamb\u00e9m um dos coordenadores e curadores dessa exposi\u00e7\u00e3o que continuar\u00e1 aberta at\u00e9 15 de mar\u00e7o de 2024.<\/p>\n<p>Essa pesquisa que se iniciou com o projeto de conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, acabou tomando propor\u00e7\u00f5es inesperadas, j\u00e1 durante o seu desenvolvimento e tamb\u00e9m posteriormente. Desde os primeiros contatos sobre o projeto no Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo indaguei sobre a possibilidade e necessidade de reintrodu\u00e7\u00e3o de vit\u00f3rias-r\u00e9gias na cole\u00e7\u00e3o, tentando resgatar as mem\u00f3rias de quando o esp\u00e9cime esteve presente no parque, atrav\u00e9s de relatos dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, frequentadores antigos e registros dessas ocorr\u00eancias. Desse modo participei ativamente dessa empreitada, colaborando com contatos, manejo e manuten\u00e7\u00e3o dos esp\u00e9cimes, al\u00e9m de compartilhar com os funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o os conhecimentos t\u00e9cnicos que adquiri atrav\u00e9s dos estudos, pesquisas e cursos realizados.<\/p>\n<p>Durante esse processo, realizamos conjuntamente a primeira tentativa de introduzir novamente as vit\u00f3rias-r\u00e9gias, com mudas doadas por Harri Lorenzi \u2013 engenheiro agr\u00f4nomo brasileiro e um dos maiores contempor\u00e2neos, no que diz respeito \u00e0 bot\u00e2nica \u2013, diretor do Instituto e Jardim Bot\u00e2nico Plantarum (Nova Odessa). Essa experi\u00eancia de reintrodu\u00e7\u00e3o, infelizmente, n\u00e3o teve \u00eaxito, devido as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas incomuns no in\u00edcio da primavera, como as baixas temperaturas, as mudas jovens n\u00e3o vigaram, mas criaram v\u00ednculos importantes, n\u00e3o apenas entre as institui\u00e7\u00f5es, mas para a pesquisa que desenvolvo. Lorenzi e o Jardim Bot\u00e2nico Plantarum, assim como a Uli e a Belas \u00c1guas Paisagismo, foram os meus colaboradores e apoiadores, fornecendo todo o<br \/>material biol\u00f3gico de vit\u00f3rias-r\u00e9gias que possuo atualmente.<\/p>\n<p>Em outubro, quando visitei a Uli para realizar seu curso, trocar conhecimentos e coletar materiais biol\u00f3gicos para os meus trabalhos art\u00edsticos, comentei sobre a situa\u00e7\u00e3o das vit\u00f3rias-r\u00e9gias aqui no Jardim Bot\u00e2nico, cujo manejo teve sempre o seu apoio, mesmo remoto, e indaguei a ela sobre a possibilidade de doa\u00e7\u00e3o de algumas de suas mudas do esp\u00e9cime, que j\u00e1 estavam mais desenvolvidas. Com muito entusiasmo ela aceitou a proposta e ent\u00e3o, comuniquei a institui\u00e7\u00e3o para que organizassem os procedimentos necess\u00e1rios para a segunda tentativa de reintrodu\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio de dezembro, fomos buscar as mudas doadas por ela e instal\u00e1-las no espa\u00e7o do Jardim Bot\u00e2nico: um exemplar de Victoria cruziana e quatro de Euryale ferox \u2013 uma esp\u00e9cie de \u201cvit\u00f3ria-r\u00e9gia\u201d, nativa da \u00c1sia \u2013 aquisi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u00e0 cole\u00e7\u00e3o do parque.<\/p>\n<p>Quando tudo come\u00e7ou, a partir de um projeto final de disciplina da gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o imaginei as propor\u00e7\u00f5es que isso tomaria, e muito menos em um futuro t\u00e3o pr\u00f3ximo. Apesar de ser autor dessa pesquisa, as inter-rela\u00e7\u00f5es desenvolvidas n\u00e3o apenas no \u00e2mbito tem\u00e1tico arte-bot\u00e2nica, mas entre as diversas inst\u00e2ncias da pr\u00f3pria USP (Hidrofitot\u00e9rio da ESALQ, Prefeitura do Campus CUSASO, Departamento de Artes e a pr\u00f3pria Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes) e as demais institui\u00e7\u00f5es envolvidas, direta ou indiretamente, e que contribu\u00edram com a pesquisa, foi fundamental para que os<br \/>resultados desse trabalho tenham tomado a propor\u00e7\u00e3o que tomaram.<\/p>\n<p>As contribui\u00e7\u00f5es dessa grande colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o dizem respeito somente ao \u00e2mbito acad\u00eamico ou mesmo \u00e0s Artes Visuais. A exposi\u00e7\u00e3o realizada em julho, no Jardim Bot\u00e2nico, permitiu-me divulgar alguns dos resultados da pesquisa cient\u00edfica acad\u00eamica, sob um olhar po\u00e9tico e cient\u00edfico, como o objetivo de \u201clevar a Arte para o lugar das plantas\u201d, criando essa experi\u00eancia sens\u00edvel de identifica\u00e7\u00e3o e estranhamento para um p\u00fablico extramuros universit\u00e1rio e tamb\u00e9m os frequentadores o parque, pouco habituados a esse conv\u00edvio inesperado na institui\u00e7\u00e3o, da simbiose ente Arte Bot\u00e2nica.<\/p>\n<p>A po\u00e9ticas e metodologia criativa dos trabalhos art\u00edsticos, evocam algo para al\u00e9m da j\u00e1 esperada \u201cilustra\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica\u201d, colocando as plantas n\u00e3o como objeto de estudo, mas seres vivos que tem muito a nos ensinar em sua diversidade de exist\u00eancia e resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A abordagem adotada na instala\u00e7\u00e3o composta pelas obras de arte, vale-se do resgate da antiga linguagem dos gabinetes de curiosidade, que tentavam entender o mundo sob as primeiras formas de desenvolvimento cient\u00edfico, onde o fant\u00e1stico ainda era parte do imagin\u00e1rio corrente. A reaproxima\u00e7\u00e3o do campo po\u00e9tico \u00e0s ci\u00eancias \u00e9 tamb\u00e9m um dos modos contempor\u00e2neos de imagens po\u00e9ticas por meio do qual o artista pode criar experi\u00eancias sens\u00edveis e compartilh\u00e1-las com o p\u00fablico, coautores da multiplicidade de sentidos das obras.<\/p>\n<p>O jardim bot\u00e2nico incentivou e apoiou essas iniciativas, como declarou o pr\u00f3prio diretor atual, Nino Amazonas, em sua carta institucional de apoio ao meu projeto: \u201ca exposi\u00e7\u00e3o de arte sobre ninfeias tem um grande valor educativo e cultural. Acreditamos que essa exposi\u00e7\u00e3o pode ajudar a conscientizar o p\u00fablico sobre a import\u00e2ncia de se preservar essas plantas t\u00e3o importantes para os ecossistemas aqu\u00e1ticos.\u201d<\/p>\n<p>As pesquisa futuras que pretendo continuar desenvolvendo em parceria com a institui\u00e7\u00e3o e com a Belas \u00c1guas Paisagismo, assim como outras institui\u00e7\u00f5es e parceiros que possam vir a agregar de algum modo esse grande projeto, visam a estabelecer os cuidados necess\u00e1rios para a devida manuten\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria-r\u00e9gia, por meio da poliniza\u00e7\u00e3o e germina\u00e7\u00e3o das sementes no pr\u00f3prio espa\u00e7o do jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Uma vez que essa planta possui um ciclo de vida curto, ser\u00e1 necess\u00e1rio, em um futuro pr\u00f3ximo, substitu\u00ed-la por uma nova. Tenho grandes expectativas de que possa ser sucedida por seus descendentes diretos, nascidos na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m continuo empreendendo esfor\u00e7os para a introdu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie amaz\u00f4nica (Victoria amazonica) e, por que n\u00e3o almejar tamb\u00e9m, a rec\u00e9m-identificada, Victoria boliviana, ainda ausente nas cole\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e particulares do Brasil. Para al\u00e9m do manejo de vit\u00f3rias-r\u00e9gias e ninfeias, minhas futuras pesquisas se voltam de um modo geral \u00e0s plantas aqu\u00e1ticas, investigando a origem delas dentro da forma\u00e7\u00e3o do parque e das estruturas criadas para essas cole\u00e7\u00f5es (Hidrofitot\u00e9rio e lagos), contribuindo n\u00e3o apenas para o resgate hist\u00f3rico, como tamb\u00e9m na identifica\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de novos esp\u00e9cimes buscando a revitaliza\u00e7\u00e3o dessas cole\u00e7\u00f5es vivas.<\/p>\n<p>O trabalho est\u00e1 <a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/storage\/2024\/03\/Nymphographia-Chriss-Cass_2023_compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dispon\u00edvel aqui.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chriss Cass, egresso da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes (ECA) da USPMeu nome \u00e9 Chriss Cass, sou artista pl\u00e1stico, pesquisador, designer gr\u00e1fico e bot\u00e2nico entusiasta, bacharel em Artes Visuais (2023) pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da\u00a0(ECA) da USP. O prel\u00fadio desse projeto se deu em 2019 com uma visita despretensiosa ao Hidrofitot\u00e9rio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba onde tive o primeiro contato com uma cole\u00e7\u00e3o de plantas dedicada a esp\u00e9cimes que tenham uma rela\u00e7\u00e3o estrita com o ambiente aqu\u00e1tico.A partir desse encontro, meu interesse por essas plantas foi aumentando. Em uma das disciplinas que cursei no primeiro semestre desse mesmo ano, desenvolvi um projeto de instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica e site-specific, chamado Jardim Aqu\u00e1tico. A proposta era revitalizar a antiga Fonte Luminosa \u2013 localizada em uma das rotat\u00f3rias do campus Cidade Universit\u00e1ria do campus da USP em S\u00e3o Paulo \u2013 a partir do potencial latente que vislumbrei de transform\u00e1-la em um imenso jardim de plantas aqu\u00e1ticas. Algo que para al\u00e9m do intuito paisagista, de tornar um \u201ccart\u00e3o-postal\u201d da Universidade, como j\u00e1 fora antigamente, proporcionaria tamb\u00e9m experi\u00eancias sens\u00edveis, sejam elas est\u00e9ticas, po\u00e9ticas, educativas e ecol\u00f3gicas, uma vez que esse projeto visava ressaltar e apresentar a diversidade de formas de vida desse tipo de plantas, n\u00e3o apenas ao p\u00fablico universit\u00e1rio, estudantes de bot\u00e2nica, mas tamb\u00e9m \u00e0 comunidade extramuros.Para tal, contei com a doa\u00e7\u00e3o de plantas e conhecimentos t\u00e9cnicos do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq, atrav\u00e9s de Charles Albert Medeiros, bacharel em Gest\u00e3o Ambiental (Esalq), que na \u00e9poca era um dos monitores respons\u00e1veis pelo espa\u00e7o e com quem, posteriormente, tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre o tema colaborando como editor e design gr\u00e1fico de seu livro sobre Plantas Aqu\u00e1ticas e Palustres, ainda em processo, como desdobramento do seu TCC (Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso). Outra pessoa de grande import\u00e2ncia foi a Uli Suadicani, engenheira agr\u00f4noma (Esalq) e respons\u00e1vel pela Belas \u00c1guas Paisagismo. Nymphographia \u2013 Chriss Cass_2023_compressed (1) A implementa\u00e7\u00e3o do projeto no campus do Butant\u00e3 contou com apoio da Prefeitura do Campus, mas acabou sendo interrompida na fase de testes, devido a avarias imprevistas na estrutura. O material vegetal que seria utilizado foi temporariamente acondicionado no Departamento de Artes Pl\u00e1sticas da ECA at\u00e9 o in\u00edcio da pandemia de Covid-19. Com a restri\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 Universidade, acabei levando todo esse material para minha casa e dando continuidade ao cultivo dos esp\u00e9cimes, o que acabou intensificando minha rela\u00e7\u00e3o com essas plantas, especialmente quando vi as primeiras flores das ninfeias, foi \u201camor \u00e0 primeira vista\u201d.Desde esse dia, comecei uma jornada de pesquisa t\u00e9cnica, po\u00e9tica e filos\u00f3fica em di\u00e1logo com essas plantas. Essa paix\u00e3o me levou ao desejo de tornar aquele instante da flora\u00e7\u00e3o \u201ceterno\u201d, de reconstituir aquela sensa\u00e7\u00e3o inenarr\u00e1vel ao admir\u00e1-las. Ao mesmo tempo, isso conduziu-me a diversas reflex\u00f5es sobre a dura\u00e7\u00e3o da vida e das potencialidades da exist\u00eancia vegetal. Conhecer sua morfologia e desenvolvimento, por meio de estudos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, com grandes contribui\u00e7\u00f5es da Uli Suadicani, que me ensinou tudo o que conhe\u00e7o sobre Nymphaeaceae, por meio n\u00e3o s\u00f3 de seu curso Jardins Aqu\u00e1ticos em Bacias, mas de todo di\u00e1logo que estabelecemos. Ela se tornou a maior colaboradora dos meus projetos art\u00edsticos nesse tema, n\u00e3o apenas pelos esp\u00e9cimes vegetais, mas por toda a parceria e conhecimentos riqu\u00edssimos compartilhados. Aliado a isso, iniciei a leitura de pensadores voltados \u00e0s plantas, como Evando Nascimento, Emanuelle Coccia e Stefano Mancuso, inspiraram-me a pensar sobre formas de exist\u00eancia e resist\u00eancia po\u00e9ticas para o pr\u00f3prio ser humano, como um \u201cDevir Vegetal\u201d.Nessa imers\u00e3o no mundo das ninfeias, l\u00f3tus e vit\u00f3rias-r\u00e9gias, em 2021 decidi trancar o meu curso de gradua\u00e7\u00e3o, faltando apenas a \u00faltima disciplina de conclus\u00e3o de curso, na qual j\u00e1 estava matriculado dava continuidade ao desenvolvimento do projeto Nymphographia, concebido em 2020, para o meu TCC. Durante os quase dois anos em que estive \u201clonge do curso\u201d, dediquei-meintensivamente a cultivar ninfeias e \u00e0 busca por conhecer ao vivo uma vit\u00f3ria-r\u00e9gia, a maior esp\u00e9cie da fam\u00edlia das Nymphaeaceae. Nesse meio tempo, tamb\u00e9m realizei muitos trabalhos art\u00edsticos autorais e escrevi textos sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o e reflex\u00f5es po\u00e9ticas sobre essa inspira\u00e7\u00e3o vegetal. Tamb\u00e9m participei do evento Corpo \u2013 Uma Fantasmagoria de N\u00f3s, em 2021, uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva e semin\u00e1rio realizados pelo Grupo de Pesquisa Po\u00e9tica da Multiplicidade (GPPM) \u2013 vinculado \u00e0 ECA, CNPq e coordenado por minha orientadora do TCC, professora Branca Coutinho deOliveira \u2013 no espa\u00e7o do Atelier Paulista, com apoio da Comiss\u00e3o de Cultura e Extens\u00e3o da ECA (2021).Convidei ent\u00e3o, o atual diretor t\u00e9cnico do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo (JBSP), Nino Tavares Amazonas, para visitar essa mostra e atrav\u00e9s desse contato, tive a oportunidade de apresentar a ele toda a minha pesquisa em desenvolvimento e as obras que estavam em exibi\u00e7\u00e3o. Desse di\u00e1logo, surgiu a perspectiva de tamb\u00e9m realizar um desdobramento desse projeto de pesquisa no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico com as ninfeias, o qual foi recebido com muito entusiasmo e com apoio da Reserva Parques, atual administradora do parque.Em 2023, j\u00e1 havia destrancado minha matr\u00edcula para concluir o TCC e dar in\u00edcio dessa pesquisa de campo. Desde mar\u00e7o, fiz religiosamente minhas visitas semanais \u00e0s segundas-feiras ao Jardim Bot\u00e2nico, nas quais realizava anota\u00e7\u00f5es, fotografias e coleta das flores, folhas, frutos e rizomas para os experimentos po\u00e9ticos art\u00edsticos e ao mesmo tempo, compartilhava com os funcion\u00e1rios os conhecimentos t\u00e9cnicos adquiridos sobre o manejo de plantas aqu\u00e1ticas. Como tamb\u00e9m tinha acumulado uma pequena cole\u00e7\u00e3o de ninfeias variadas \u2013 que fui adquirindo desde 2019, atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq e da Belas \u00c1guas Paisagismo \u2013, decidi doar mudas desses exemplares, de flor de l\u00f3tus (Nelumbo nucifera) e outras plantas aqu\u00e1ticas que est\u00e3o atualmente na cole\u00e7\u00e3o viva do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Ao longo desse projeto, iniciei juntamente a eles, o esbo\u00e7o do que vir\u00e1 a ser futuramente a cole\u00e7\u00e3o de Nymphaeaceae da institui\u00e7\u00e3o.Durante o desenvolvimento das pesquisas e dos trabalhos art\u00edsticos, tinha em mente a realiza\u00e7\u00e3o de uma mostra de artes visuais, simult\u00e2nea em dois espa\u00e7os com as obras resultantes: o Espa\u00e7o das Artes (EdA-USP) e no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo.Queria levar a Arte para o espa\u00e7o das plantas e as plantas para o espa\u00e7o da Arte, criando deslocamentos e reflex\u00f5es sobre os limites e as transversalidades entre esses dois eixos. Enviei um projeto ao PROAC, para o edital No: 42\/2023, propondo uma mostra essa mostra, com carta de interesse do Jardim Bot\u00e2nico em sediar o evento, declarando a relev\u00e2ncia do meu projeto para a institui\u00e7\u00e3o.Infelizmente, a mostra simult\u00e2nea n\u00e3o aconteceu, mas de certo modo consegui atingir o objetivo. Em julho, o Jardim Bot\u00e2nico inaugurou um evento chamado \u201cSal\u00e3o de Bot\u00e2nica\u201d, do qual, em apoio ao meu interesse em expor os materiais que produzi n\u00e3o apenas como resultado do TCC, mas da pesquisa cient\u00edfico-po\u00e9tica que estava realizando l\u00e1, convidaram-me para integrar a mostra com uma exposi\u00e7\u00e3o individual hom\u00f4nima ao meu projeto \u2013 Nymphographia. A banca de apresenta\u00e7\u00e3o do Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso foi realizada em 31 de julho, aberta ao p\u00fablico, e dentro do pr\u00f3prio espa\u00e7o expositivo da mostra. E, em 4 de dezembro de 2023, participei da exibi\u00e7\u00e3o coletiva dos formandos de Artes Visuais da ECA, na qual apresentei a montagem de uma segunda vers\u00e3o da obra \u201cVitrine Bot\u00e2nica\u201d, com o apoio do professor Mario Ramiro, um dos professores que foram muito importantes na minha forma\u00e7\u00e3o, sendo tamb\u00e9m um dos coordenadores e curadores dessa exposi\u00e7\u00e3o que continuar\u00e1 aberta at\u00e9 15 de mar\u00e7o de 2024.Essa pesquisa que se iniciou com o projeto de conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, acabou tomando propor\u00e7\u00f5es inesperadas, j\u00e1 durante o seu desenvolvimento e tamb\u00e9m posteriormente. Desde os primeiros contatos sobre o projeto no Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo indaguei sobre a possibilidade e necessidade de reintrodu\u00e7\u00e3o de vit\u00f3rias-r\u00e9gias na cole\u00e7\u00e3o, tentando resgatar as mem\u00f3rias de quando o esp\u00e9cime esteve presente no parque, atrav\u00e9s de relatos dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, frequentadores antigos e registros dessas ocorr\u00eancias. Desse modo participei ativamente dessa empreitada, colaborando com contatos, manejo e manuten\u00e7\u00e3o dos esp\u00e9cimes, al\u00e9m de compartilhar com os funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o os conhecimentos t\u00e9cnicos que adquiri atrav\u00e9s dos estudos, pesquisas e cursos realizados.Durante esse processo, realizamos conjuntamente a primeira tentativa de introduzir novamente as vit\u00f3rias-r\u00e9gias, com mudas doadas por Harri Lorenzi \u2013 engenheiro agr\u00f4nomo brasileiro e um dos maiores contempor\u00e2neos, no que diz respeito \u00e0 bot\u00e2nica \u2013, diretor do Instituto e Jardim Bot\u00e2nico Plantarum (Nova Odessa). Essa experi\u00eancia de reintrodu\u00e7\u00e3o, infelizmente, n\u00e3o teve \u00eaxito, devido as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas incomuns no in\u00edcio da primavera, como as baixas temperaturas, as mudas jovens n\u00e3o vigaram, mas criaram v\u00ednculos importantes, n\u00e3o apenas entre as institui\u00e7\u00f5es, mas para a pesquisa que desenvolvo. Lorenzi e o Jardim Bot\u00e2nico Plantarum, assim como a Uli e a Belas \u00c1guas Paisagismo, foram os meus colaboradores e apoiadores, fornecendo todo omaterial biol\u00f3gico de vit\u00f3rias-r\u00e9gias que possuo atualmente.Em outubro, quando visitei a Uli para realizar seu curso, trocar conhecimentos e coletar materiais biol\u00f3gicos para os meus trabalhos art\u00edsticos, comentei sobre a situa\u00e7\u00e3o das vit\u00f3rias-r\u00e9gias aqui no Jardim Bot\u00e2nico, cujo manejo teve sempre o seu apoio, mesmo remoto, e indaguei a ela sobre a possibilidade de doa\u00e7\u00e3o de algumas de suas mudas do esp\u00e9cime, que j\u00e1 estavam mais desenvolvidas. Com muito entusiasmo ela aceitou a proposta e ent\u00e3o, comuniquei a institui\u00e7\u00e3o para que organizassem os procedimentos necess\u00e1rios para a segunda tentativa de reintrodu\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio de dezembro, fomos buscar as mudas doadas por ela e instal\u00e1-las no espa\u00e7o do Jardim Bot\u00e2nico: um exemplar de Victoria cruziana e quatro de Euryale ferox \u2013 uma esp\u00e9cie de \u201cvit\u00f3ria-r\u00e9gia\u201d, nativa da \u00c1sia \u2013 aquisi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u00e0 cole\u00e7\u00e3o do parque.Quando tudo come\u00e7ou, a partir de um projeto final de disciplina da gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o imaginei as propor\u00e7\u00f5es que isso tomaria, e muito menos em um futuro t\u00e3o pr\u00f3ximo. Apesar de ser autor dessa pesquisa, as inter-rela\u00e7\u00f5es desenvolvidas n\u00e3o apenas no \u00e2mbito tem\u00e1tico arte-bot\u00e2nica, mas entre as diversas inst\u00e2ncias da pr\u00f3pria USP (Hidrofitot\u00e9rio da ESALQ, Prefeitura do Campus CUSASO, Departamento de Artes e a pr\u00f3pria Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes) e as demais institui\u00e7\u00f5es envolvidas, direta ou indiretamente, e que contribu\u00edram com a pesquisa, foi fundamental para que osresultados desse trabalho tenham tomado a propor\u00e7\u00e3o que tomaram.As contribui\u00e7\u00f5es dessa grande colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o dizem respeito somente ao \u00e2mbito acad\u00eamico ou mesmo \u00e0s Artes Visuais. A exposi\u00e7\u00e3o realizada em julho, no Jardim Bot\u00e2nico, permitiu-me divulgar alguns dos resultados da pesquisa cient\u00edfica acad\u00eamica, sob um olhar po\u00e9tico e cient\u00edfico, como o objetivo de \u201clevar a Arte para o lugar das plantas\u201d, criando essa experi\u00eancia sens\u00edvel de identifica\u00e7\u00e3o e estranhamento para um p\u00fablico extramuros universit\u00e1rio e tamb\u00e9m os frequentadores o parque, pouco habituados a esse conv\u00edvio inesperado na institui\u00e7\u00e3o, da simbiose ente Arte Bot\u00e2nica.A po\u00e9ticas e metodologia criativa dos trabalhos art\u00edsticos, evocam algo para al\u00e9m da j\u00e1 esperada \u201cilustra\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica\u201d, colocando as plantas n\u00e3o como objeto de estudo, mas seres vivos que tem muito a nos ensinar em sua diversidade de exist\u00eancia e resist\u00eancia.A abordagem adotada na instala\u00e7\u00e3o composta pelas obras de arte, vale-se do resgate da antiga linguagem dos gabinetes de curiosidade, que tentavam entender o mundo sob as primeiras formas de desenvolvimento cient\u00edfico, onde o fant\u00e1stico ainda era parte do imagin\u00e1rio corrente. A reaproxima\u00e7\u00e3o do campo po\u00e9tico \u00e0s ci\u00eancias \u00e9 tamb\u00e9m um dos modos contempor\u00e2neos de imagens po\u00e9ticas por meio do qual o artista pode criar experi\u00eancias sens\u00edveis e compartilh\u00e1-las com o p\u00fablico, coautores da multiplicidade de sentidos das obras.O jardim bot\u00e2nico incentivou e apoiou essas iniciativas, como declarou o pr\u00f3prio diretor atual, Nino Amazonas, em sua carta institucional de apoio ao meu projeto: \u201ca exposi\u00e7\u00e3o de arte sobre ninfeias tem um grande valor educativo e cultural. Acreditamos que essa exposi\u00e7\u00e3o pode ajudar a conscientizar o p\u00fablico sobre a import\u00e2ncia de se preservar essas plantas t\u00e3o importantes para os ecossistemas aqu\u00e1ticos.\u201dAs pesquisa futuras que pretendo continuar desenvolvendo em parceria com a institui\u00e7\u00e3o e com a Belas \u00c1guas Paisagismo, assim como outras institui\u00e7\u00f5es e parceiros que possam vir a agregar de algum modo esse grande projeto, visam a estabelecer os cuidados necess\u00e1rios para a devida manuten\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria-r\u00e9gia, por meio da poliniza\u00e7\u00e3o e germina\u00e7\u00e3o das sementes no pr\u00f3prio espa\u00e7o do jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Uma vez que essa planta possui um ciclo de vida curto, ser\u00e1 necess\u00e1rio, em um futuro pr\u00f3ximo, substitu\u00ed-la por uma nova. Tenho grandes expectativas de que possa ser sucedida por seus descendentes diretos, nascidos na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o.Tamb\u00e9m continuo empreendendo esfor\u00e7os para a introdu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie amaz\u00f4nica (Victoria amazonica) e, por que n\u00e3o almejar tamb\u00e9m, a rec\u00e9m-identificada, Victoria boliviana, ainda ausente nas cole\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e particulares do Brasil. Para al\u00e9m do manejo de vit\u00f3rias-r\u00e9gias e ninfeias, minhas futuras pesquisas se voltam de um modo geral \u00e0s plantas aqu\u00e1ticas, investigando a origem delas dentro da forma\u00e7\u00e3o do parque e das estruturas criadas para essas cole\u00e7\u00f5es (Hidrofitot\u00e9rio e lagos), contribuindo n\u00e3o apenas para o resgate hist\u00f3rico, como tamb\u00e9m na identifica\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de novos esp\u00e9cimes buscando a revitaliza\u00e7\u00e3o dessas cole\u00e7\u00f5es vivas.O trabalho est\u00e1 dispon\u00edvel aqui.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19483,"comment_status":"close","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-19891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fonte-da-educacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u201cNymphographia\u201d e a vit\u00f3ria-r\u00e9gia - CGC<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cNymphographia\u201d e a vit\u00f3ria-r\u00e9gia - CGC\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Chriss Cass, egresso da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes (ECA) da USPMeu nome \u00e9 Chriss Cass, sou artista pl\u00e1stico, pesquisador, designer gr\u00e1fico e bot\u00e2nico entusiasta, bacharel em Artes Visuais (2023) pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da\u00a0(ECA) da USP. O prel\u00fadio desse projeto se deu em 2019 com uma visita despretensiosa ao Hidrofitot\u00e9rio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba onde tive o primeiro contato com uma cole\u00e7\u00e3o de plantas dedicada a esp\u00e9cimes que tenham uma rela\u00e7\u00e3o estrita com o ambiente aqu\u00e1tico.A partir desse encontro, meu interesse por essas plantas foi aumentando. Em uma das disciplinas que cursei no primeiro semestre desse mesmo ano, desenvolvi um projeto de instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica e site-specific, chamado Jardim Aqu\u00e1tico. A proposta era revitalizar a antiga Fonte Luminosa \u2013 localizada em uma das rotat\u00f3rias do campus Cidade Universit\u00e1ria do campus da USP em S\u00e3o Paulo \u2013 a partir do potencial latente que vislumbrei de transform\u00e1-la em um imenso jardim de plantas aqu\u00e1ticas. Algo que para al\u00e9m do intuito paisagista, de tornar um \u201ccart\u00e3o-postal\u201d da Universidade, como j\u00e1 fora antigamente, proporcionaria tamb\u00e9m experi\u00eancias sens\u00edveis, sejam elas est\u00e9ticas, po\u00e9ticas, educativas e ecol\u00f3gicas, uma vez que esse projeto visava ressaltar e apresentar a diversidade de formas de vida desse tipo de plantas, n\u00e3o apenas ao p\u00fablico universit\u00e1rio, estudantes de bot\u00e2nica, mas tamb\u00e9m \u00e0 comunidade extramuros.Para tal, contei com a doa\u00e7\u00e3o de plantas e conhecimentos t\u00e9cnicos do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq, atrav\u00e9s de Charles Albert Medeiros, bacharel em Gest\u00e3o Ambiental (Esalq), que na \u00e9poca era um dos monitores respons\u00e1veis pelo espa\u00e7o e com quem, posteriormente, tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre o tema colaborando como editor e design gr\u00e1fico de seu livro sobre Plantas Aqu\u00e1ticas e Palustres, ainda em processo, como desdobramento do seu TCC (Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso). Outra pessoa de grande import\u00e2ncia foi a Uli Suadicani, engenheira agr\u00f4noma (Esalq) e respons\u00e1vel pela Belas \u00c1guas Paisagismo. Nymphographia \u2013 Chriss Cass_2023_compressed (1) A implementa\u00e7\u00e3o do projeto no campus do Butant\u00e3 contou com apoio da Prefeitura do Campus, mas acabou sendo interrompida na fase de testes, devido a avarias imprevistas na estrutura. O material vegetal que seria utilizado foi temporariamente acondicionado no Departamento de Artes Pl\u00e1sticas da ECA at\u00e9 o in\u00edcio da pandemia de Covid-19. Com a restri\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 Universidade, acabei levando todo esse material para minha casa e dando continuidade ao cultivo dos esp\u00e9cimes, o que acabou intensificando minha rela\u00e7\u00e3o com essas plantas, especialmente quando vi as primeiras flores das ninfeias, foi \u201camor \u00e0 primeira vista\u201d.Desde esse dia, comecei uma jornada de pesquisa t\u00e9cnica, po\u00e9tica e filos\u00f3fica em di\u00e1logo com essas plantas. Essa paix\u00e3o me levou ao desejo de tornar aquele instante da flora\u00e7\u00e3o \u201ceterno\u201d, de reconstituir aquela sensa\u00e7\u00e3o inenarr\u00e1vel ao admir\u00e1-las. Ao mesmo tempo, isso conduziu-me a diversas reflex\u00f5es sobre a dura\u00e7\u00e3o da vida e das potencialidades da exist\u00eancia vegetal. Conhecer sua morfologia e desenvolvimento, por meio de estudos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, com grandes contribui\u00e7\u00f5es da Uli Suadicani, que me ensinou tudo o que conhe\u00e7o sobre Nymphaeaceae, por meio n\u00e3o s\u00f3 de seu curso Jardins Aqu\u00e1ticos em Bacias, mas de todo di\u00e1logo que estabelecemos. Ela se tornou a maior colaboradora dos meus projetos art\u00edsticos nesse tema, n\u00e3o apenas pelos esp\u00e9cimes vegetais, mas por toda a parceria e conhecimentos riqu\u00edssimos compartilhados. Aliado a isso, iniciei a leitura de pensadores voltados \u00e0s plantas, como Evando Nascimento, Emanuelle Coccia e Stefano Mancuso, inspiraram-me a pensar sobre formas de exist\u00eancia e resist\u00eancia po\u00e9ticas para o pr\u00f3prio ser humano, como um \u201cDevir Vegetal\u201d.Nessa imers\u00e3o no mundo das ninfeias, l\u00f3tus e vit\u00f3rias-r\u00e9gias, em 2021 decidi trancar o meu curso de gradua\u00e7\u00e3o, faltando apenas a \u00faltima disciplina de conclus\u00e3o de curso, na qual j\u00e1 estava matriculado dava continuidade ao desenvolvimento do projeto Nymphographia, concebido em 2020, para o meu TCC. Durante os quase dois anos em que estive \u201clonge do curso\u201d, dediquei-meintensivamente a cultivar ninfeias e \u00e0 busca por conhecer ao vivo uma vit\u00f3ria-r\u00e9gia, a maior esp\u00e9cie da fam\u00edlia das Nymphaeaceae. Nesse meio tempo, tamb\u00e9m realizei muitos trabalhos art\u00edsticos autorais e escrevi textos sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o e reflex\u00f5es po\u00e9ticas sobre essa inspira\u00e7\u00e3o vegetal. Tamb\u00e9m participei do evento Corpo \u2013 Uma Fantasmagoria de N\u00f3s, em 2021, uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva e semin\u00e1rio realizados pelo Grupo de Pesquisa Po\u00e9tica da Multiplicidade (GPPM) \u2013 vinculado \u00e0 ECA, CNPq e coordenado por minha orientadora do TCC, professora Branca Coutinho deOliveira \u2013 no espa\u00e7o do Atelier Paulista, com apoio da Comiss\u00e3o de Cultura e Extens\u00e3o da ECA (2021).Convidei ent\u00e3o, o atual diretor t\u00e9cnico do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo (JBSP), Nino Tavares Amazonas, para visitar essa mostra e atrav\u00e9s desse contato, tive a oportunidade de apresentar a ele toda a minha pesquisa em desenvolvimento e as obras que estavam em exibi\u00e7\u00e3o. Desse di\u00e1logo, surgiu a perspectiva de tamb\u00e9m realizar um desdobramento desse projeto de pesquisa no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico com as ninfeias, o qual foi recebido com muito entusiasmo e com apoio da Reserva Parques, atual administradora do parque.Em 2023, j\u00e1 havia destrancado minha matr\u00edcula para concluir o TCC e dar in\u00edcio dessa pesquisa de campo. Desde mar\u00e7o, fiz religiosamente minhas visitas semanais \u00e0s segundas-feiras ao Jardim Bot\u00e2nico, nas quais realizava anota\u00e7\u00f5es, fotografias e coleta das flores, folhas, frutos e rizomas para os experimentos po\u00e9ticos art\u00edsticos e ao mesmo tempo, compartilhava com os funcion\u00e1rios os conhecimentos t\u00e9cnicos adquiridos sobre o manejo de plantas aqu\u00e1ticas. Como tamb\u00e9m tinha acumulado uma pequena cole\u00e7\u00e3o de ninfeias variadas \u2013 que fui adquirindo desde 2019, atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq e da Belas \u00c1guas Paisagismo \u2013, decidi doar mudas desses exemplares, de flor de l\u00f3tus (Nelumbo nucifera) e outras plantas aqu\u00e1ticas que est\u00e3o atualmente na cole\u00e7\u00e3o viva do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Ao longo desse projeto, iniciei juntamente a eles, o esbo\u00e7o do que vir\u00e1 a ser futuramente a cole\u00e7\u00e3o de Nymphaeaceae da institui\u00e7\u00e3o.Durante o desenvolvimento das pesquisas e dos trabalhos art\u00edsticos, tinha em mente a realiza\u00e7\u00e3o de uma mostra de artes visuais, simult\u00e2nea em dois espa\u00e7os com as obras resultantes: o Espa\u00e7o das Artes (EdA-USP) e no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo.Queria levar a Arte para o espa\u00e7o das plantas e as plantas para o espa\u00e7o da Arte, criando deslocamentos e reflex\u00f5es sobre os limites e as transversalidades entre esses dois eixos. Enviei um projeto ao PROAC, para o edital No: 42\/2023, propondo uma mostra essa mostra, com carta de interesse do Jardim Bot\u00e2nico em sediar o evento, declarando a relev\u00e2ncia do meu projeto para a institui\u00e7\u00e3o.Infelizmente, a mostra simult\u00e2nea n\u00e3o aconteceu, mas de certo modo consegui atingir o objetivo. Em julho, o Jardim Bot\u00e2nico inaugurou um evento chamado \u201cSal\u00e3o de Bot\u00e2nica\u201d, do qual, em apoio ao meu interesse em expor os materiais que produzi n\u00e3o apenas como resultado do TCC, mas da pesquisa cient\u00edfico-po\u00e9tica que estava realizando l\u00e1, convidaram-me para integrar a mostra com uma exposi\u00e7\u00e3o individual hom\u00f4nima ao meu projeto \u2013 Nymphographia. A banca de apresenta\u00e7\u00e3o do Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso foi realizada em 31 de julho, aberta ao p\u00fablico, e dentro do pr\u00f3prio espa\u00e7o expositivo da mostra. E, em 4 de dezembro de 2023, participei da exibi\u00e7\u00e3o coletiva dos formandos de Artes Visuais da ECA, na qual apresentei a montagem de uma segunda vers\u00e3o da obra \u201cVitrine Bot\u00e2nica\u201d, com o apoio do professor Mario Ramiro, um dos professores que foram muito importantes na minha forma\u00e7\u00e3o, sendo tamb\u00e9m um dos coordenadores e curadores dessa exposi\u00e7\u00e3o que continuar\u00e1 aberta at\u00e9 15 de mar\u00e7o de 2024.Essa pesquisa que se iniciou com o projeto de conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, acabou tomando propor\u00e7\u00f5es inesperadas, j\u00e1 durante o seu desenvolvimento e tamb\u00e9m posteriormente. Desde os primeiros contatos sobre o projeto no Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo indaguei sobre a possibilidade e necessidade de reintrodu\u00e7\u00e3o de vit\u00f3rias-r\u00e9gias na cole\u00e7\u00e3o, tentando resgatar as mem\u00f3rias de quando o esp\u00e9cime esteve presente no parque, atrav\u00e9s de relatos dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, frequentadores antigos e registros dessas ocorr\u00eancias. Desse modo participei ativamente dessa empreitada, colaborando com contatos, manejo e manuten\u00e7\u00e3o dos esp\u00e9cimes, al\u00e9m de compartilhar com os funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o os conhecimentos t\u00e9cnicos que adquiri atrav\u00e9s dos estudos, pesquisas e cursos realizados.Durante esse processo, realizamos conjuntamente a primeira tentativa de introduzir novamente as vit\u00f3rias-r\u00e9gias, com mudas doadas por Harri Lorenzi \u2013 engenheiro agr\u00f4nomo brasileiro e um dos maiores contempor\u00e2neos, no que diz respeito \u00e0 bot\u00e2nica \u2013, diretor do Instituto e Jardim Bot\u00e2nico Plantarum (Nova Odessa). Essa experi\u00eancia de reintrodu\u00e7\u00e3o, infelizmente, n\u00e3o teve \u00eaxito, devido as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas incomuns no in\u00edcio da primavera, como as baixas temperaturas, as mudas jovens n\u00e3o vigaram, mas criaram v\u00ednculos importantes, n\u00e3o apenas entre as institui\u00e7\u00f5es, mas para a pesquisa que desenvolvo. Lorenzi e o Jardim Bot\u00e2nico Plantarum, assim como a Uli e a Belas \u00c1guas Paisagismo, foram os meus colaboradores e apoiadores, fornecendo todo omaterial biol\u00f3gico de vit\u00f3rias-r\u00e9gias que possuo atualmente.Em outubro, quando visitei a Uli para realizar seu curso, trocar conhecimentos e coletar materiais biol\u00f3gicos para os meus trabalhos art\u00edsticos, comentei sobre a situa\u00e7\u00e3o das vit\u00f3rias-r\u00e9gias aqui no Jardim Bot\u00e2nico, cujo manejo teve sempre o seu apoio, mesmo remoto, e indaguei a ela sobre a possibilidade de doa\u00e7\u00e3o de algumas de suas mudas do esp\u00e9cime, que j\u00e1 estavam mais desenvolvidas. Com muito entusiasmo ela aceitou a proposta e ent\u00e3o, comuniquei a institui\u00e7\u00e3o para que organizassem os procedimentos necess\u00e1rios para a segunda tentativa de reintrodu\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio de dezembro, fomos buscar as mudas doadas por ela e instal\u00e1-las no espa\u00e7o do Jardim Bot\u00e2nico: um exemplar de Victoria cruziana e quatro de Euryale ferox \u2013 uma esp\u00e9cie de \u201cvit\u00f3ria-r\u00e9gia\u201d, nativa da \u00c1sia \u2013 aquisi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u00e0 cole\u00e7\u00e3o do parque.Quando tudo come\u00e7ou, a partir de um projeto final de disciplina da gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o imaginei as propor\u00e7\u00f5es que isso tomaria, e muito menos em um futuro t\u00e3o pr\u00f3ximo. Apesar de ser autor dessa pesquisa, as inter-rela\u00e7\u00f5es desenvolvidas n\u00e3o apenas no \u00e2mbito tem\u00e1tico arte-bot\u00e2nica, mas entre as diversas inst\u00e2ncias da pr\u00f3pria USP (Hidrofitot\u00e9rio da ESALQ, Prefeitura do Campus CUSASO, Departamento de Artes e a pr\u00f3pria Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes) e as demais institui\u00e7\u00f5es envolvidas, direta ou indiretamente, e que contribu\u00edram com a pesquisa, foi fundamental para que osresultados desse trabalho tenham tomado a propor\u00e7\u00e3o que tomaram.As contribui\u00e7\u00f5es dessa grande colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o dizem respeito somente ao \u00e2mbito acad\u00eamico ou mesmo \u00e0s Artes Visuais. A exposi\u00e7\u00e3o realizada em julho, no Jardim Bot\u00e2nico, permitiu-me divulgar alguns dos resultados da pesquisa cient\u00edfica acad\u00eamica, sob um olhar po\u00e9tico e cient\u00edfico, como o objetivo de \u201clevar a Arte para o lugar das plantas\u201d, criando essa experi\u00eancia sens\u00edvel de identifica\u00e7\u00e3o e estranhamento para um p\u00fablico extramuros universit\u00e1rio e tamb\u00e9m os frequentadores o parque, pouco habituados a esse conv\u00edvio inesperado na institui\u00e7\u00e3o, da simbiose ente Arte Bot\u00e2nica.A po\u00e9ticas e metodologia criativa dos trabalhos art\u00edsticos, evocam algo para al\u00e9m da j\u00e1 esperada \u201cilustra\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica\u201d, colocando as plantas n\u00e3o como objeto de estudo, mas seres vivos que tem muito a nos ensinar em sua diversidade de exist\u00eancia e resist\u00eancia.A abordagem adotada na instala\u00e7\u00e3o composta pelas obras de arte, vale-se do resgate da antiga linguagem dos gabinetes de curiosidade, que tentavam entender o mundo sob as primeiras formas de desenvolvimento cient\u00edfico, onde o fant\u00e1stico ainda era parte do imagin\u00e1rio corrente. A reaproxima\u00e7\u00e3o do campo po\u00e9tico \u00e0s ci\u00eancias \u00e9 tamb\u00e9m um dos modos contempor\u00e2neos de imagens po\u00e9ticas por meio do qual o artista pode criar experi\u00eancias sens\u00edveis e compartilh\u00e1-las com o p\u00fablico, coautores da multiplicidade de sentidos das obras.O jardim bot\u00e2nico incentivou e apoiou essas iniciativas, como declarou o pr\u00f3prio diretor atual, Nino Amazonas, em sua carta institucional de apoio ao meu projeto: \u201ca exposi\u00e7\u00e3o de arte sobre ninfeias tem um grande valor educativo e cultural. Acreditamos que essa exposi\u00e7\u00e3o pode ajudar a conscientizar o p\u00fablico sobre a import\u00e2ncia de se preservar essas plantas t\u00e3o importantes para os ecossistemas aqu\u00e1ticos.\u201dAs pesquisa futuras que pretendo continuar desenvolvendo em parceria com a institui\u00e7\u00e3o e com a Belas \u00c1guas Paisagismo, assim como outras institui\u00e7\u00f5es e parceiros que possam vir a agregar de algum modo esse grande projeto, visam a estabelecer os cuidados necess\u00e1rios para a devida manuten\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria-r\u00e9gia, por meio da poliniza\u00e7\u00e3o e germina\u00e7\u00e3o das sementes no pr\u00f3prio espa\u00e7o do jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Uma vez que essa planta possui um ciclo de vida curto, ser\u00e1 necess\u00e1rio, em um futuro pr\u00f3ximo, substitu\u00ed-la por uma nova. Tenho grandes expectativas de que possa ser sucedida por seus descendentes diretos, nascidos na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o.Tamb\u00e9m continuo empreendendo esfor\u00e7os para a introdu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie amaz\u00f4nica (Victoria amazonica) e, por que n\u00e3o almejar tamb\u00e9m, a rec\u00e9m-identificada, Victoria boliviana, ainda ausente nas cole\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e particulares do Brasil. Para al\u00e9m do manejo de vit\u00f3rias-r\u00e9gias e ninfeias, minhas futuras pesquisas se voltam de um modo geral \u00e0s plantas aqu\u00e1ticas, investigando a origem delas dentro da forma\u00e7\u00e3o do parque e das estruturas criadas para essas cole\u00e7\u00f5es (Hidrofitot\u00e9rio e lagos), contribuindo n\u00e3o apenas para o resgate hist\u00f3rico, como tamb\u00e9m na identifica\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de novos esp\u00e9cimes buscando a revitaliza\u00e7\u00e3o dessas cole\u00e7\u00f5es vivas.O trabalho est\u00e1 dispon\u00edvel aqui.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CGC\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\/?locale=pt_BR\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-07-03T11:33:22+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-07-03T11:40:31+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"100\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"cgceducacao\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"12 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/07\\\/03\\\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"cgceducacao\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/253bcacdd19ebc1e3b905c209b34d968\"},\"headline\":\"\u201cNymphographia\u201d e a vit\u00f3ria-r\u00e9gia\",\"datePublished\":\"2024-07-03T11:33:22+00:00\",\"dateModified\":\"2024-07-03T11:40:31+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/07\\\/03\\\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\\\/\"},\"wordCount\":2469,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\",\"articleSection\":[\"Fonte da Educa\u00e7\u00e3o\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/07\\\/03\\\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\\\/\",\"name\":\"\u201cNymphographia\u201d e a vit\u00f3ria-r\u00e9gia - 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O prel\u00fadio desse projeto se deu em 2019 com uma visita despretensiosa ao Hidrofitot\u00e9rio da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP em Piracicaba onde tive o primeiro contato com uma cole\u00e7\u00e3o de plantas dedicada a esp\u00e9cimes que tenham uma rela\u00e7\u00e3o estrita com o ambiente aqu\u00e1tico.A partir desse encontro, meu interesse por essas plantas foi aumentando. Em uma das disciplinas que cursei no primeiro semestre desse mesmo ano, desenvolvi um projeto de instala\u00e7\u00e3o art\u00edstica e site-specific, chamado Jardim Aqu\u00e1tico. A proposta era revitalizar a antiga Fonte Luminosa \u2013 localizada em uma das rotat\u00f3rias do campus Cidade Universit\u00e1ria do campus da USP em S\u00e3o Paulo \u2013 a partir do potencial latente que vislumbrei de transform\u00e1-la em um imenso jardim de plantas aqu\u00e1ticas. Algo que para al\u00e9m do intuito paisagista, de tornar um \u201ccart\u00e3o-postal\u201d da Universidade, como j\u00e1 fora antigamente, proporcionaria tamb\u00e9m experi\u00eancias sens\u00edveis, sejam elas est\u00e9ticas, po\u00e9ticas, educativas e ecol\u00f3gicas, uma vez que esse projeto visava ressaltar e apresentar a diversidade de formas de vida desse tipo de plantas, n\u00e3o apenas ao p\u00fablico universit\u00e1rio, estudantes de bot\u00e2nica, mas tamb\u00e9m \u00e0 comunidade extramuros.Para tal, contei com a doa\u00e7\u00e3o de plantas e conhecimentos t\u00e9cnicos do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq, atrav\u00e9s de Charles Albert Medeiros, bacharel em Gest\u00e3o Ambiental (Esalq), que na \u00e9poca era um dos monitores respons\u00e1veis pelo espa\u00e7o e com quem, posteriormente, tive a oportunidade de aprofundar meus conhecimentos sobre o tema colaborando como editor e design gr\u00e1fico de seu livro sobre Plantas Aqu\u00e1ticas e Palustres, ainda em processo, como desdobramento do seu TCC (Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso). Outra pessoa de grande import\u00e2ncia foi a Uli Suadicani, engenheira agr\u00f4noma (Esalq) e respons\u00e1vel pela Belas \u00c1guas Paisagismo. Nymphographia \u2013 Chriss Cass_2023_compressed (1) A implementa\u00e7\u00e3o do projeto no campus do Butant\u00e3 contou com apoio da Prefeitura do Campus, mas acabou sendo interrompida na fase de testes, devido a avarias imprevistas na estrutura. O material vegetal que seria utilizado foi temporariamente acondicionado no Departamento de Artes Pl\u00e1sticas da ECA at\u00e9 o in\u00edcio da pandemia de Covid-19. Com a restri\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 Universidade, acabei levando todo esse material para minha casa e dando continuidade ao cultivo dos esp\u00e9cimes, o que acabou intensificando minha rela\u00e7\u00e3o com essas plantas, especialmente quando vi as primeiras flores das ninfeias, foi \u201camor \u00e0 primeira vista\u201d.Desde esse dia, comecei uma jornada de pesquisa t\u00e9cnica, po\u00e9tica e filos\u00f3fica em di\u00e1logo com essas plantas. Essa paix\u00e3o me levou ao desejo de tornar aquele instante da flora\u00e7\u00e3o \u201ceterno\u201d, de reconstituir aquela sensa\u00e7\u00e3o inenarr\u00e1vel ao admir\u00e1-las. Ao mesmo tempo, isso conduziu-me a diversas reflex\u00f5es sobre a dura\u00e7\u00e3o da vida e das potencialidades da exist\u00eancia vegetal. Conhecer sua morfologia e desenvolvimento, por meio de estudos te\u00f3ricos e pr\u00e1ticos, com grandes contribui\u00e7\u00f5es da Uli Suadicani, que me ensinou tudo o que conhe\u00e7o sobre Nymphaeaceae, por meio n\u00e3o s\u00f3 de seu curso Jardins Aqu\u00e1ticos em Bacias, mas de todo di\u00e1logo que estabelecemos. Ela se tornou a maior colaboradora dos meus projetos art\u00edsticos nesse tema, n\u00e3o apenas pelos esp\u00e9cimes vegetais, mas por toda a parceria e conhecimentos riqu\u00edssimos compartilhados. Aliado a isso, iniciei a leitura de pensadores voltados \u00e0s plantas, como Evando Nascimento, Emanuelle Coccia e Stefano Mancuso, inspiraram-me a pensar sobre formas de exist\u00eancia e resist\u00eancia po\u00e9ticas para o pr\u00f3prio ser humano, como um \u201cDevir Vegetal\u201d.Nessa imers\u00e3o no mundo das ninfeias, l\u00f3tus e vit\u00f3rias-r\u00e9gias, em 2021 decidi trancar o meu curso de gradua\u00e7\u00e3o, faltando apenas a \u00faltima disciplina de conclus\u00e3o de curso, na qual j\u00e1 estava matriculado dava continuidade ao desenvolvimento do projeto Nymphographia, concebido em 2020, para o meu TCC. Durante os quase dois anos em que estive \u201clonge do curso\u201d, dediquei-meintensivamente a cultivar ninfeias e \u00e0 busca por conhecer ao vivo uma vit\u00f3ria-r\u00e9gia, a maior esp\u00e9cie da fam\u00edlia das Nymphaeaceae. Nesse meio tempo, tamb\u00e9m realizei muitos trabalhos art\u00edsticos autorais e escrevi textos sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o e reflex\u00f5es po\u00e9ticas sobre essa inspira\u00e7\u00e3o vegetal. Tamb\u00e9m participei do evento Corpo \u2013 Uma Fantasmagoria de N\u00f3s, em 2021, uma exposi\u00e7\u00e3o coletiva e semin\u00e1rio realizados pelo Grupo de Pesquisa Po\u00e9tica da Multiplicidade (GPPM) \u2013 vinculado \u00e0 ECA, CNPq e coordenado por minha orientadora do TCC, professora Branca Coutinho deOliveira \u2013 no espa\u00e7o do Atelier Paulista, com apoio da Comiss\u00e3o de Cultura e Extens\u00e3o da ECA (2021).Convidei ent\u00e3o, o atual diretor t\u00e9cnico do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo (JBSP), Nino Tavares Amazonas, para visitar essa mostra e atrav\u00e9s desse contato, tive a oportunidade de apresentar a ele toda a minha pesquisa em desenvolvimento e as obras que estavam em exibi\u00e7\u00e3o. Desse di\u00e1logo, surgiu a perspectiva de tamb\u00e9m realizar um desdobramento desse projeto de pesquisa no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico com as ninfeias, o qual foi recebido com muito entusiasmo e com apoio da Reserva Parques, atual administradora do parque.Em 2023, j\u00e1 havia destrancado minha matr\u00edcula para concluir o TCC e dar in\u00edcio dessa pesquisa de campo. Desde mar\u00e7o, fiz religiosamente minhas visitas semanais \u00e0s segundas-feiras ao Jardim Bot\u00e2nico, nas quais realizava anota\u00e7\u00f5es, fotografias e coleta das flores, folhas, frutos e rizomas para os experimentos po\u00e9ticos art\u00edsticos e ao mesmo tempo, compartilhava com os funcion\u00e1rios os conhecimentos t\u00e9cnicos adquiridos sobre o manejo de plantas aqu\u00e1ticas. Como tamb\u00e9m tinha acumulado uma pequena cole\u00e7\u00e3o de ninfeias variadas \u2013 que fui adquirindo desde 2019, atrav\u00e9s de doa\u00e7\u00f5es do Hidrofitot\u00e9rio da Esalq e da Belas \u00c1guas Paisagismo \u2013, decidi doar mudas desses exemplares, de flor de l\u00f3tus (Nelumbo nucifera) e outras plantas aqu\u00e1ticas que est\u00e3o atualmente na cole\u00e7\u00e3o viva do Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Ao longo desse projeto, iniciei juntamente a eles, o esbo\u00e7o do que vir\u00e1 a ser futuramente a cole\u00e7\u00e3o de Nymphaeaceae da institui\u00e7\u00e3o.Durante o desenvolvimento das pesquisas e dos trabalhos art\u00edsticos, tinha em mente a realiza\u00e7\u00e3o de uma mostra de artes visuais, simult\u00e2nea em dois espa\u00e7os com as obras resultantes: o Espa\u00e7o das Artes (EdA-USP) e no pr\u00f3prio Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo.Queria levar a Arte para o espa\u00e7o das plantas e as plantas para o espa\u00e7o da Arte, criando deslocamentos e reflex\u00f5es sobre os limites e as transversalidades entre esses dois eixos. Enviei um projeto ao PROAC, para o edital No: 42\/2023, propondo uma mostra essa mostra, com carta de interesse do Jardim Bot\u00e2nico em sediar o evento, declarando a relev\u00e2ncia do meu projeto para a institui\u00e7\u00e3o.Infelizmente, a mostra simult\u00e2nea n\u00e3o aconteceu, mas de certo modo consegui atingir o objetivo. Em julho, o Jardim Bot\u00e2nico inaugurou um evento chamado \u201cSal\u00e3o de Bot\u00e2nica\u201d, do qual, em apoio ao meu interesse em expor os materiais que produzi n\u00e3o apenas como resultado do TCC, mas da pesquisa cient\u00edfico-po\u00e9tica que estava realizando l\u00e1, convidaram-me para integrar a mostra com uma exposi\u00e7\u00e3o individual hom\u00f4nima ao meu projeto \u2013 Nymphographia. A banca de apresenta\u00e7\u00e3o do Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso foi realizada em 31 de julho, aberta ao p\u00fablico, e dentro do pr\u00f3prio espa\u00e7o expositivo da mostra. E, em 4 de dezembro de 2023, participei da exibi\u00e7\u00e3o coletiva dos formandos de Artes Visuais da ECA, na qual apresentei a montagem de uma segunda vers\u00e3o da obra \u201cVitrine Bot\u00e2nica\u201d, com o apoio do professor Mario Ramiro, um dos professores que foram muito importantes na minha forma\u00e7\u00e3o, sendo tamb\u00e9m um dos coordenadores e curadores dessa exposi\u00e7\u00e3o que continuar\u00e1 aberta at\u00e9 15 de mar\u00e7o de 2024.Essa pesquisa que se iniciou com o projeto de conclus\u00e3o da gradua\u00e7\u00e3o, acabou tomando propor\u00e7\u00f5es inesperadas, j\u00e1 durante o seu desenvolvimento e tamb\u00e9m posteriormente. Desde os primeiros contatos sobre o projeto no Jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo indaguei sobre a possibilidade e necessidade de reintrodu\u00e7\u00e3o de vit\u00f3rias-r\u00e9gias na cole\u00e7\u00e3o, tentando resgatar as mem\u00f3rias de quando o esp\u00e9cime esteve presente no parque, atrav\u00e9s de relatos dos pr\u00f3prios funcion\u00e1rios, frequentadores antigos e registros dessas ocorr\u00eancias. Desse modo participei ativamente dessa empreitada, colaborando com contatos, manejo e manuten\u00e7\u00e3o dos esp\u00e9cimes, al\u00e9m de compartilhar com os funcion\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o os conhecimentos t\u00e9cnicos que adquiri atrav\u00e9s dos estudos, pesquisas e cursos realizados.Durante esse processo, realizamos conjuntamente a primeira tentativa de introduzir novamente as vit\u00f3rias-r\u00e9gias, com mudas doadas por Harri Lorenzi \u2013 engenheiro agr\u00f4nomo brasileiro e um dos maiores contempor\u00e2neos, no que diz respeito \u00e0 bot\u00e2nica \u2013, diretor do Instituto e Jardim Bot\u00e2nico Plantarum (Nova Odessa). Essa experi\u00eancia de reintrodu\u00e7\u00e3o, infelizmente, n\u00e3o teve \u00eaxito, devido as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas incomuns no in\u00edcio da primavera, como as baixas temperaturas, as mudas jovens n\u00e3o vigaram, mas criaram v\u00ednculos importantes, n\u00e3o apenas entre as institui\u00e7\u00f5es, mas para a pesquisa que desenvolvo. Lorenzi e o Jardim Bot\u00e2nico Plantarum, assim como a Uli e a Belas \u00c1guas Paisagismo, foram os meus colaboradores e apoiadores, fornecendo todo omaterial biol\u00f3gico de vit\u00f3rias-r\u00e9gias que possuo atualmente.Em outubro, quando visitei a Uli para realizar seu curso, trocar conhecimentos e coletar materiais biol\u00f3gicos para os meus trabalhos art\u00edsticos, comentei sobre a situa\u00e7\u00e3o das vit\u00f3rias-r\u00e9gias aqui no Jardim Bot\u00e2nico, cujo manejo teve sempre o seu apoio, mesmo remoto, e indaguei a ela sobre a possibilidade de doa\u00e7\u00e3o de algumas de suas mudas do esp\u00e9cime, que j\u00e1 estavam mais desenvolvidas. Com muito entusiasmo ela aceitou a proposta e ent\u00e3o, comuniquei a institui\u00e7\u00e3o para que organizassem os procedimentos necess\u00e1rios para a segunda tentativa de reintrodu\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio de dezembro, fomos buscar as mudas doadas por ela e instal\u00e1-las no espa\u00e7o do Jardim Bot\u00e2nico: um exemplar de Victoria cruziana e quatro de Euryale ferox \u2013 uma esp\u00e9cie de \u201cvit\u00f3ria-r\u00e9gia\u201d, nativa da \u00c1sia \u2013 aquisi\u00e7\u00e3o in\u00e9dita \u00e0 cole\u00e7\u00e3o do parque.Quando tudo come\u00e7ou, a partir de um projeto final de disciplina da gradua\u00e7\u00e3o, n\u00e3o imaginei as propor\u00e7\u00f5es que isso tomaria, e muito menos em um futuro t\u00e3o pr\u00f3ximo. Apesar de ser autor dessa pesquisa, as inter-rela\u00e7\u00f5es desenvolvidas n\u00e3o apenas no \u00e2mbito tem\u00e1tico arte-bot\u00e2nica, mas entre as diversas inst\u00e2ncias da pr\u00f3pria USP (Hidrofitot\u00e9rio da ESALQ, Prefeitura do Campus CUSASO, Departamento de Artes e a pr\u00f3pria Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes) e as demais institui\u00e7\u00f5es envolvidas, direta ou indiretamente, e que contribu\u00edram com a pesquisa, foi fundamental para que osresultados desse trabalho tenham tomado a propor\u00e7\u00e3o que tomaram.As contribui\u00e7\u00f5es dessa grande colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o dizem respeito somente ao \u00e2mbito acad\u00eamico ou mesmo \u00e0s Artes Visuais. A exposi\u00e7\u00e3o realizada em julho, no Jardim Bot\u00e2nico, permitiu-me divulgar alguns dos resultados da pesquisa cient\u00edfica acad\u00eamica, sob um olhar po\u00e9tico e cient\u00edfico, como o objetivo de \u201clevar a Arte para o lugar das plantas\u201d, criando essa experi\u00eancia sens\u00edvel de identifica\u00e7\u00e3o e estranhamento para um p\u00fablico extramuros universit\u00e1rio e tamb\u00e9m os frequentadores o parque, pouco habituados a esse conv\u00edvio inesperado na institui\u00e7\u00e3o, da simbiose ente Arte Bot\u00e2nica.A po\u00e9ticas e metodologia criativa dos trabalhos art\u00edsticos, evocam algo para al\u00e9m da j\u00e1 esperada \u201cilustra\u00e7\u00e3o bot\u00e2nica\u201d, colocando as plantas n\u00e3o como objeto de estudo, mas seres vivos que tem muito a nos ensinar em sua diversidade de exist\u00eancia e resist\u00eancia.A abordagem adotada na instala\u00e7\u00e3o composta pelas obras de arte, vale-se do resgate da antiga linguagem dos gabinetes de curiosidade, que tentavam entender o mundo sob as primeiras formas de desenvolvimento cient\u00edfico, onde o fant\u00e1stico ainda era parte do imagin\u00e1rio corrente. A reaproxima\u00e7\u00e3o do campo po\u00e9tico \u00e0s ci\u00eancias \u00e9 tamb\u00e9m um dos modos contempor\u00e2neos de imagens po\u00e9ticas por meio do qual o artista pode criar experi\u00eancias sens\u00edveis e compartilh\u00e1-las com o p\u00fablico, coautores da multiplicidade de sentidos das obras.O jardim bot\u00e2nico incentivou e apoiou essas iniciativas, como declarou o pr\u00f3prio diretor atual, Nino Amazonas, em sua carta institucional de apoio ao meu projeto: \u201ca exposi\u00e7\u00e3o de arte sobre ninfeias tem um grande valor educativo e cultural. Acreditamos que essa exposi\u00e7\u00e3o pode ajudar a conscientizar o p\u00fablico sobre a import\u00e2ncia de se preservar essas plantas t\u00e3o importantes para os ecossistemas aqu\u00e1ticos.\u201dAs pesquisa futuras que pretendo continuar desenvolvendo em parceria com a institui\u00e7\u00e3o e com a Belas \u00c1guas Paisagismo, assim como outras institui\u00e7\u00f5es e parceiros que possam vir a agregar de algum modo esse grande projeto, visam a estabelecer os cuidados necess\u00e1rios para a devida manuten\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria-r\u00e9gia, por meio da poliniza\u00e7\u00e3o e germina\u00e7\u00e3o das sementes no pr\u00f3prio espa\u00e7o do jardim Bot\u00e2nico de S\u00e3o Paulo. Uma vez que essa planta possui um ciclo de vida curto, ser\u00e1 necess\u00e1rio, em um futuro pr\u00f3ximo, substitu\u00ed-la por uma nova. Tenho grandes expectativas de que possa ser sucedida por seus descendentes diretos, nascidos na pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o.Tamb\u00e9m continuo empreendendo esfor\u00e7os para a introdu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie amaz\u00f4nica (Victoria amazonica) e, por que n\u00e3o almejar tamb\u00e9m, a rec\u00e9m-identificada, Victoria boliviana, ainda ausente nas cole\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e particulares do Brasil. Para al\u00e9m do manejo de vit\u00f3rias-r\u00e9gias e ninfeias, minhas futuras pesquisas se voltam de um modo geral \u00e0s plantas aqu\u00e1ticas, investigando a origem delas dentro da forma\u00e7\u00e3o do parque e das estruturas criadas para essas cole\u00e7\u00f5es (Hidrofitot\u00e9rio e lagos), contribuindo n\u00e3o apenas para o resgate hist\u00f3rico, como tamb\u00e9m na identifica\u00e7\u00e3o e aquisi\u00e7\u00e3o de novos esp\u00e9cimes buscando a revitaliza\u00e7\u00e3o dessas cole\u00e7\u00f5es vivas.O trabalho est\u00e1 dispon\u00edvel aqui.","og_url":"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/nymphographia-e-a-vitoria-regia\/","og_site_name":"CGC","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\/?locale=pt_BR","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao","article_published_time":"2024-07-03T11:33:22+00:00","article_modified_time":"2024-07-03T11:40:31+00:00","og_image":[{"width":1200,"height":100,"url":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"cgceducacao","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/cgceducacao","twitter_site":"@cgceducacao","twitter_misc":{"Escrito por":"cgceducacao","Est. tempo de leitura":"12 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