{"id":20787,"date":"2024-10-22T09:00:40","date_gmt":"2024-10-22T12:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/?p=20787"},"modified":"2024-12-10T00:38:37","modified_gmt":"2024-12-10T03:38:37","slug":"o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/index.php\/2024\/10\/22\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\/","title":{"rendered":"O \u201croubo\u201d da pedra fundamental da Faculdade de Direito"},"content":{"rendered":"<p> Antonio Clar\u00e9t Maciel Santos, egresso da Faculdade de Direito (FD) da USP<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/escola-de-educacao-fisica-e-esporte-de-ribeirao-preto-e-a-sociedade-uma-relacao-saudavel-no-campus-de-ribeirao-preto\/attachment\/chapeu_usp-90anos_campi-pb\/\" rel=\"attachment wp-att-719956\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956 jetpack-lazy-image\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\" alt width=\"1200\" height=\"100\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-lazy-fallback=\"1\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb-1.jpg\" alt width=\"1200\" height=\"100\" \/><\/p>\n<p>1973: presidente da Rep\u00fablica, General Garrastazu M\u00e9dici; ministro da Educa\u00e7\u00e3o, coronel Jarbas Passarinho; ministro da Justi\u00e7a, professor Alfredo Buzaid; governador do Estado de S\u00e3o Paulo, Laudo Natel; reitor da USP, Professor Miguel Reale; diretor da Faculdade de Direito da USP, professor Jos\u00e9 P. Antunes. Vig\u00eancia do Decreto 477 de 26\/02\/1969.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o estudante de Geologia Alexandre Vannuchi Leme foi preso, torturado e morto pela repress\u00e3o. Seguiu-se missa de s\u00e9timo dia na Catedral da S\u00e9 celebrada pelo Cardeal D. Paulo Arns. Atr\u00e1s dos v\u00e1rios altares laterais no interior do templo, viam-se policiais camuflados. Milhares de estudantes, ao sa\u00edrem em cortejo da catedral, entoaram, entre solu\u00e7os, a m\u00fasica s\u00edmbolo de Geraldo Vandr\u00e9 \u201cPra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores\u201d, at\u00e9 serem obrigados a se espalharem, diante de ordens do policiamento.<\/p>\n<p>Na Faculdade de Direito, os \u00e2nimos estavam exaltados, discursos no p\u00e1tio das Arcadas e na Tribuna Livre, na presen\u00e7a de centenas de populares. O movimento estudantil retomava as manifesta\u00e7\u00f5es contra a ditadura, mesmo com pris\u00f5es de estudantes feitas na calada da noite.<\/p>\n<p>Em outubro, o presidente da UNE, Honestino Guimar\u00e3es, a exemplo de seu antecessor Jean Marc, foi preso e ambos, desde ent\u00e3o, nunca mais foram encontrados, situa\u00e7\u00e3o que ainda perdura, ao que consta.<\/p>\n<p>As autoridades que comparecem ao primeiro par\u00e1grafo decidiram mudar a Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco para o campus da Cidade Universit\u00e1ria, no Butant\u00e3. A presen\u00e7a dos estudantes de Direito no centro da cidade incomodava o regime ditatorial e, para tanto, escolheram o terreno e programaram para o dia 30 de outubro o lan\u00e7amento da pedra fundamental do futuro pr\u00e9dio.<\/p>\n<p>A not\u00edcia chegou \u00e0s Arcadas c\u00e9lere e se tornou no \u00fanico assunto no p\u00e1tio, corredores e salas de aulas e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, unia a direita e a esquerda. Esta, concentrada no curso noturno, n\u00e3o aceitava o s\u00edtio long\u00ednquo, aquela formada por alunos do curso diurno, elitista, sempre de trajes engomados n\u00e3o admitia ver-se misturada aos \u201cuniversit\u00e1rios\u201d do campus e via como \u201cabsurda possibilidade\u201d o fim do chamado \u201cTerrit\u00f3rio Livre do Largo de S\u00e3o Francisco\u201d, ent\u00e3o com 146 anos.<\/p>\n<p>At\u00e9 a noite de 29 de outubro, discuss\u00f5es ocorreram nos bares em torno da faculdade, em busca de ideias e modos de a\u00e7\u00e3o para atrapalhar o ato governamental que seria realizado no Cidade Universit\u00e1ria, \u00e0s 10 horas, do dia seguinte. Chegou-se \u00e0 unanimidade: \u201croubar\u201d a pedra fundamental, como fizeram os acad\u00eamicos em 1966 quando \u201croubaram\u201d, da entrada do t\u00fanel 9 de Julho, a escultura em bronze \u201cO Beijo Eterno\u201d e a colocaram no Largo de S\u00e3o Francisco, onde permanece at\u00e9 hoje, ou ainda como fizeram os acad\u00eamicos no s\u00e9culo 19 ao \u201croubarem\u201d a escultura do \u201cveado dourado\u201d que encimava a porta da Botica \u201cAo Veado d\u2019Ouro\u201d, na Rua S\u00e3o Bento, ou ainda o c\u00e9lebre \u201croubo\u201d dos perus premiados em exposi\u00e7\u00e3o no Parque da \u00c1gua Branca, na d\u00e9cada de 40, aves de propriedade de um professor, evento que deu origem \u00e0 \u201cperuada\u201d. Tais fatos e outros correlatos sempre denominados \u201cestudantadas\u201d.<\/p>\n<p>O grupo do noturno planejou a expedi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ao campus para a noite do mesmo dia do ato, com designa\u00e7\u00e3o de quem iria \u00e0 cerim\u00f4nia para anotar detalhes do exato local e seu acesso, mapas, a constitui\u00e7\u00e3o da caixa onde seriam colocados documentos e o decreto autorizador da obra etc. Outros foram incumbidos de escond\u00ea-la na faculdade. Outros ainda ficaram com a obriga\u00e7\u00e3o de preparar o local no pequeno jardim ao lado da Tribuna Livre para ser sepultado o indigitado trof\u00e9u. Dois dos participantes iriam convidar a m\u00eddia da \u00e9poca para a solenidade que ocorreria na noite de 31.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, tudo pronto, fomos dormir na madrugada de 30, ap\u00f3s muitas cervejas, se \u00e9 que dormimos.<\/p>\n<p>Contudo, no Jardim Paulista, Rua Pamplona esquina com Rua Jos\u00e9 Maria Lisboa, na Pizzaria Carreta, ponto de boemia de acad\u00eamicos \u201cda direita\u201d, sob a curatela do antigo aluno Caio Pompeu de Toledo (Turma de 1968), o assunto era alvo de discuss\u00e3o e a proposta vencedora era a mesma, \u201croubar\u201d a pedra fundamental, mediante a id\u00eantica log\u00edstica do nosso grupo, com acr\u00e9scimos de banda de m\u00fasica e fogos na solenidade de sepultamento no Largo.<\/p>\n<p>Dia 30 de outubro, ter\u00e7a-feira, 10 horas. Na Cidade Universit\u00e1ria, tudo pronto. Palanque, autoridades, discursos. O professor Jos\u00e9 P. Antunes, muito elegante como sempre, gravata estilo borboleta, proferiu discurso, elogiando o ato e disse que estava ali para ratificar a ado\u00e7\u00e3o da faculdade pela USP datada de 1934 e como um crist\u00e3o a entregava, tratando-a como se fora uma novi\u00e7a (Rev. FADUSP vol 68\/2 pags 403\/405}. Uma chuva singela compareceu e antecipou o fim da cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p>Dispersos todos os convivas, os dois acad\u00eamicos do \u201cGrupo da Carreta\u201d, permaneceram escondidos e pensaram e decidiram antecipar os passos seguintes do projeto, marcados para a noite e de imediato, aproveitando o frescor do cimento que fixava a caixa, fizeram o servi\u00e7o que seria feito por um pedreiro e transportaram para \u201ca cidade\u201d a cobi\u00e7ada pedra fundamental, levando-a para o escrit\u00f3rio do pai de um deles.<\/p>\n<p>Na parte da tarde, reuniram-se todos em torno da caixa de cobre e deram in\u00edcio \u00e0s fases seguintes da epopeia. Decidiram que, sepultada ao lado da Tribuna Livre, sobre ela seria colocada uma pedra de m\u00e1rmore com uma inscri\u00e7\u00e3o gravada, para perpetuar o evento e para tanto correram a uma das oficinas de arte tumular, defronte ao cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Precisava-se de uma inscri\u00e7\u00e3o, tipo epit\u00e1fio. Sugest\u00f5es daqui, sugest\u00f5es dali. Caio Pompeu de Toledo ditou: \u201cquantas pedras forem colocadas, tantas arrancaremos\u201d, seguida pela data \u201c30\/X\/1973\u201d. E assim foi feito.<\/p>\n<p>O dia seguinte. Aulas diurnas interrompidas por fogos e acordes da tradicional bandinha de m\u00fasica que, al\u00e9m de suas apresenta\u00e7\u00f5es em lojas do centro, sempre abrilhantava os eventos acad\u00eamicos, como as elei\u00e7\u00f5es para C.A. XI de Agosto; populares curiosos, imprensa, TV, fot\u00f3grafos; discursos, canto das trovas acad\u00eamicas com muito fervor e a caixa de cobre com objetos e documentos foi enterrada no canteiro ao lado da Tribuna Livre.<\/p>\n<p>E o grupo do noturno que tamb\u00e9m havia programado o \u201croubo\u201d? Compareceu, sim, ao campus na noite de 30, procurou o local, mas deu com os burros n\u2019\u00e1gua, ou melhor, nos atoleiros do charco ao topar com a aus\u00eancia da caixa e ver-se alvo da destreza dos colegas da manh\u00e3. Contudo, na noite de 31, n\u00e3o deixou por menos e continuou ativamente as comemora\u00e7\u00f5es com discurso abrasador do Paulo Eir\u00f3, cervejas, c\u00e2nticos acad\u00eamicos e repeti\u00e7\u00e3o dos festejos no s\u00e9timo dia do \u201croubo\u201d, tamb\u00e9m com destaques nos jornais e revistas.<\/p>\n<p>Em 1976, o fantasma da transfer\u00eancia ressurgiu na congrega\u00e7\u00e3o da faculdade. Alunos e antigos alunos remanescentes de 1973 uniram-se, com a cria\u00e7\u00e3o da \u201cOrdem da Pedra\u201d e realizaram manifesta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo a encena\u00e7\u00e3o do \u201cDia do Fico\u201d durante as solenidades do 11 de agosto. Na noite desse dia, ap\u00f3s o entrada solene do governador rumo ao sal\u00e3o nobre, ainda sob os acordes da \u201cmarcha batida\u201d executada pela banda da Pol\u00edcia Militar, um cortejo adentrou o p\u00e1tio das Arcadas, tendo \u00e0 frente sobre um cavalo branco a figura de Pedro I, que leu um \u201cdecreto e seus considerandos\u201d que terminou com o grito sucessivo dos presentes: \u201cn\u00f3s ficamos, n\u00f3s ficamos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cResistentes \u00e0 transfer\u00eancia da faculdade para o campus do Butant\u00e3, os alunos lapidaram a escritura naquela que seria a pedra fundamental do novo pr\u00e9dio. O ato, que culminou com a manuten\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito em seu local tradicional, talvez seja um dos s\u00edmbolos mais fortes de apropria\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio cultural na sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade\u201d (Ana Luiza Martins <em>in<\/em> <em>A S\u00e3o Francisco na Din\u00e2mica da Hist\u00f3ria e na Mem\u00f3ria da Cidade<\/em> \u2013<em> in<\/em> Cidades Universit\u00e1rias: Patrim\u00f4nio Urban\u00edstico e Arquitet\u00f4nico da USP, Edusp, 2003 pag. 14).<\/p>\n<p>O professor Goffredo da Silva Telles Junior, em entrevista \u00e0 <em>Folha de S. Paulo,<\/em> \u00e0 \u00e9poca, disse \u201ca sede da Faculdade de Direito \u00e9 o Largo de S\u00e3o Francisco, tribuna dos nossos pol\u00edticos, dos nossos poetas e de nossos her\u00f3is. Largo que foi regado com sangue dos estudantes na luta contra o despotismo, sempre em favor das liberdades fundamentais da pessoa humana\u201d.<\/p>\n<p>E a velha Academia permanece jovem e firme no Largo de S\u00e3o Francisco rumo aos 200 anos de gloriosa exist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Clar\u00e9t Maciel Santos, egresso da Faculdade de Direito (FD) da USP1973: presidente da Rep\u00fablica, General Garrastazu M\u00e9dici; ministro da Educa\u00e7\u00e3o, coronel Jarbas Passarinho; ministro da Justi\u00e7a, professor Alfredo Buzaid; governador do Estado de S\u00e3o Paulo, Laudo Natel; reitor da USP, Professor Miguel Reale; diretor da Faculdade de Direito da USP, professor Jos\u00e9 P. Antunes. Vig\u00eancia do Decreto 477 de 26\/02\/1969.Em mar\u00e7o, o estudante de Geologia Alexandre Vannuchi Leme foi preso, torturado e morto pela repress\u00e3o. Seguiu-se missa de s\u00e9timo dia na Catedral da S\u00e9 celebrada pelo Cardeal D. Paulo Arns. Atr\u00e1s dos v\u00e1rios altares laterais no interior do templo, viam-se policiais camuflados. Milhares de estudantes, ao sa\u00edrem em cortejo da catedral, entoaram, entre solu\u00e7os, a m\u00fasica s\u00edmbolo de Geraldo Vandr\u00e9 \u201cPra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores\u201d, at\u00e9 serem obrigados a se espalharem, diante de ordens do policiamento.Na Faculdade de Direito, os \u00e2nimos estavam exaltados, discursos no p\u00e1tio das Arcadas e na Tribuna Livre, na presen\u00e7a de centenas de populares. O movimento estudantil retomava as manifesta\u00e7\u00f5es contra a ditadura, mesmo com pris\u00f5es de estudantes feitas na calada da noite.Em outubro, o presidente da UNE, Honestino Guimar\u00e3es, a exemplo de seu antecessor Jean Marc, foi preso e ambos, desde ent\u00e3o, nunca mais foram encontrados, situa\u00e7\u00e3o que ainda perdura, ao que consta.As autoridades que comparecem ao primeiro par\u00e1grafo decidiram mudar a Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco para o campus da Cidade Universit\u00e1ria, no Butant\u00e3. A presen\u00e7a dos estudantes de Direito no centro da cidade incomodava o regime ditatorial e, para tanto, escolheram o terreno e programaram para o dia 30 de outubro o lan\u00e7amento da pedra fundamental do futuro pr\u00e9dio.A not\u00edcia chegou \u00e0s Arcadas c\u00e9lere e se tornou no \u00fanico assunto no p\u00e1tio, corredores e salas de aulas e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, unia a direita e a esquerda. Esta, concentrada no curso noturno, n\u00e3o aceitava o s\u00edtio long\u00ednquo, aquela formada por alunos do curso diurno, elitista, sempre de trajes engomados n\u00e3o admitia ver-se misturada aos \u201cuniversit\u00e1rios\u201d do campus e via como \u201cabsurda possibilidade\u201d o fim do chamado \u201cTerrit\u00f3rio Livre do Largo de S\u00e3o Francisco\u201d, ent\u00e3o com 146 anos.At\u00e9 a noite de 29 de outubro, discuss\u00f5es ocorreram nos bares em torno da faculdade, em busca de ideias e modos de a\u00e7\u00e3o para atrapalhar o ato governamental que seria realizado no Cidade Universit\u00e1ria, \u00e0s 10 horas, do dia seguinte. Chegou-se \u00e0 unanimidade: \u201croubar\u201d a pedra fundamental, como fizeram os acad\u00eamicos em 1966 quando \u201croubaram\u201d, da entrada do t\u00fanel 9 de Julho, a escultura em bronze \u201cO Beijo Eterno\u201d e a colocaram no Largo de S\u00e3o Francisco, onde permanece at\u00e9 hoje, ou ainda como fizeram os acad\u00eamicos no s\u00e9culo 19 ao \u201croubarem\u201d a escultura do \u201cveado dourado\u201d que encimava a porta da Botica \u201cAo Veado d\u2019Ouro\u201d, na Rua S\u00e3o Bento, ou ainda o c\u00e9lebre \u201croubo\u201d dos perus premiados em exposi\u00e7\u00e3o no Parque da \u00c1gua Branca, na d\u00e9cada de 40, aves de propriedade de um professor, evento que deu origem \u00e0 \u201cperuada\u201d. Tais fatos e outros correlatos sempre denominados \u201cestudantadas\u201d.O grupo do noturno planejou a expedi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ao campus para a noite do mesmo dia do ato, com designa\u00e7\u00e3o de quem iria \u00e0 cerim\u00f4nia para anotar detalhes do exato local e seu acesso, mapas, a constitui\u00e7\u00e3o da caixa onde seriam colocados documentos e o decreto autorizador da obra etc. Outros foram incumbidos de escond\u00ea-la na faculdade. Outros ainda ficaram com a obriga\u00e7\u00e3o de preparar o local no pequeno jardim ao lado da Tribuna Livre para ser sepultado o indigitado trof\u00e9u. Dois dos participantes iriam convidar a m\u00eddia da \u00e9poca para a solenidade que ocorreria na noite de 31.Para n\u00f3s, tudo pronto, fomos dormir na madrugada de 30, ap\u00f3s muitas cervejas, se \u00e9 que dormimos.Contudo, no Jardim Paulista, Rua Pamplona esquina com Rua Jos\u00e9 Maria Lisboa, na Pizzaria Carreta, ponto de boemia de acad\u00eamicos \u201cda direita\u201d, sob a curatela do antigo aluno Caio Pompeu de Toledo (Turma de 1968), o assunto era alvo de discuss\u00e3o e a proposta vencedora era a mesma, \u201croubar\u201d a pedra fundamental, mediante a id\u00eantica log\u00edstica do nosso grupo, com acr\u00e9scimos de banda de m\u00fasica e fogos na solenidade de sepultamento no Largo.Dia 30 de outubro, ter\u00e7a-feira, 10 horas. Na Cidade Universit\u00e1ria, tudo pronto. Palanque, autoridades, discursos. O professor Jos\u00e9 P. Antunes, muito elegante como sempre, gravata estilo borboleta, proferiu discurso, elogiando o ato e disse que estava ali para ratificar a ado\u00e7\u00e3o da faculdade pela USP datada de 1934 e como um crist\u00e3o a entregava, tratando-a como se fora uma novi\u00e7a (Rev. FADUSP vol 68\/2 pags 403\/405}. Uma chuva singela compareceu e antecipou o fim da cerim\u00f4nia.Dispersos todos os convivas, os dois acad\u00eamicos do \u201cGrupo da Carreta\u201d, permaneceram escondidos e pensaram e decidiram antecipar os passos seguintes do projeto, marcados para a noite e de imediato, aproveitando o frescor do cimento que fixava a caixa, fizeram o servi\u00e7o que seria feito por um pedreiro e transportaram para \u201ca cidade\u201d a cobi\u00e7ada pedra fundamental, levando-a para o escrit\u00f3rio do pai de um deles.Na parte da tarde, reuniram-se todos em torno da caixa de cobre e deram in\u00edcio \u00e0s fases seguintes da epopeia. Decidiram que, sepultada ao lado da Tribuna Livre, sobre ela seria colocada uma pedra de m\u00e1rmore com uma inscri\u00e7\u00e3o gravada, para perpetuar o evento e para tanto correram a uma das oficinas de arte tumular, defronte ao cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o.Precisava-se de uma inscri\u00e7\u00e3o, tipo epit\u00e1fio. Sugest\u00f5es daqui, sugest\u00f5es dali. Caio Pompeu de Toledo ditou: \u201cquantas pedras forem colocadas, tantas arrancaremos\u201d, seguida pela data \u201c30\/X\/1973\u201d. E assim foi feito.O dia seguinte. Aulas diurnas interrompidas por fogos e acordes da tradicional bandinha de m\u00fasica que, al\u00e9m de suas apresenta\u00e7\u00f5es em lojas do centro, sempre abrilhantava os eventos acad\u00eamicos, como as elei\u00e7\u00f5es para C.A. XI de Agosto; populares curiosos, imprensa, TV, fot\u00f3grafos; discursos, canto das trovas acad\u00eamicas com muito fervor e a caixa de cobre com objetos e documentos foi enterrada no canteiro ao lado da Tribuna Livre.E o grupo do noturno que tamb\u00e9m havia programado o \u201croubo\u201d? Compareceu, sim, ao campus na noite de 30, procurou o local, mas deu com os burros n\u2019\u00e1gua, ou melhor, nos atoleiros do charco ao topar com a aus\u00eancia da caixa e ver-se alvo da destreza dos colegas da manh\u00e3. Contudo, na noite de 31, n\u00e3o deixou por menos e continuou ativamente as comemora\u00e7\u00f5es com discurso abrasador do Paulo Eir\u00f3, cervejas, c\u00e2nticos acad\u00eamicos e repeti\u00e7\u00e3o dos festejos no s\u00e9timo dia do \u201croubo\u201d, tamb\u00e9m com destaques nos jornais e revistas.Em 1976, o fantasma da transfer\u00eancia ressurgiu na congrega\u00e7\u00e3o da faculdade. Alunos e antigos alunos remanescentes de 1973 uniram-se, com a cria\u00e7\u00e3o da \u201cOrdem da Pedra\u201d e realizaram manifesta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo a encena\u00e7\u00e3o do \u201cDia do Fico\u201d durante as solenidades do 11 de agosto. Na noite desse dia, ap\u00f3s o entrada solene do governador rumo ao sal\u00e3o nobre, ainda sob os acordes da \u201cmarcha batida\u201d executada pela banda da Pol\u00edcia Militar, um cortejo adentrou o p\u00e1tio das Arcadas, tendo \u00e0 frente sobre um cavalo branco a figura de Pedro I, que leu um \u201cdecreto e seus considerandos\u201d que terminou com o grito sucessivo dos presentes: \u201cn\u00f3s ficamos, n\u00f3s ficamos\u201d.\u201cResistentes \u00e0 transfer\u00eancia da faculdade para o campus do Butant\u00e3, os alunos lapidaram a escritura naquela que seria a pedra fundamental do novo pr\u00e9dio. O ato, que culminou com a manuten\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito em seu local tradicional, talvez seja um dos s\u00edmbolos mais fortes de apropria\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio cultural na sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade\u201d (Ana Luiza Martins in A S\u00e3o Francisco na Din\u00e2mica da Hist\u00f3ria e na Mem\u00f3ria da Cidade \u2013 in Cidades Universit\u00e1rias: Patrim\u00f4nio Urban\u00edstico e Arquitet\u00f4nico da USP, Edusp, 2003 pag. 14).O professor Goffredo da Silva Telles Junior, em entrevista \u00e0 Folha de S. Paulo, \u00e0 \u00e9poca, disse \u201ca sede da Faculdade de Direito \u00e9 o Largo de S\u00e3o Francisco, tribuna dos nossos pol\u00edticos, dos nossos poetas e de nossos her\u00f3is. Largo que foi regado com sangue dos estudantes na luta contra o despotismo, sempre em favor das liberdades fundamentais da pessoa humana\u201d.E a velha Academia permanece jovem e firme no Largo de S\u00e3o Francisco rumo aos 200 anos de gloriosa exist\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19483,"comment_status":"close","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-20787","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fonte-da-educacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O \u201croubo\u201d da pedra fundamental da Faculdade de Direito - CGC<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O \u201croubo\u201d da pedra fundamental da Faculdade de Direito - CGC\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Antonio Clar\u00e9t Maciel Santos, egresso da Faculdade de Direito (FD) da USP1973: presidente da Rep\u00fablica, General Garrastazu M\u00e9dici; ministro da Educa\u00e7\u00e3o, coronel Jarbas Passarinho; ministro da Justi\u00e7a, professor Alfredo Buzaid; governador do Estado de S\u00e3o Paulo, Laudo Natel; reitor da USP, Professor Miguel Reale; diretor da Faculdade de Direito da USP, professor Jos\u00e9 P. Antunes. Vig\u00eancia do Decreto 477 de 26\/02\/1969.Em mar\u00e7o, o estudante de Geologia Alexandre Vannuchi Leme foi preso, torturado e morto pela repress\u00e3o. Seguiu-se missa de s\u00e9timo dia na Catedral da S\u00e9 celebrada pelo Cardeal D. Paulo Arns. Atr\u00e1s dos v\u00e1rios altares laterais no interior do templo, viam-se policiais camuflados. Milhares de estudantes, ao sa\u00edrem em cortejo da catedral, entoaram, entre solu\u00e7os, a m\u00fasica s\u00edmbolo de Geraldo Vandr\u00e9 \u201cPra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores\u201d, at\u00e9 serem obrigados a se espalharem, diante de ordens do policiamento.Na Faculdade de Direito, os \u00e2nimos estavam exaltados, discursos no p\u00e1tio das Arcadas e na Tribuna Livre, na presen\u00e7a de centenas de populares. O movimento estudantil retomava as manifesta\u00e7\u00f5es contra a ditadura, mesmo com pris\u00f5es de estudantes feitas na calada da noite.Em outubro, o presidente da UNE, Honestino Guimar\u00e3es, a exemplo de seu antecessor Jean Marc, foi preso e ambos, desde ent\u00e3o, nunca mais foram encontrados, situa\u00e7\u00e3o que ainda perdura, ao que consta.As autoridades que comparecem ao primeiro par\u00e1grafo decidiram mudar a Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco para o campus da Cidade Universit\u00e1ria, no Butant\u00e3. A presen\u00e7a dos estudantes de Direito no centro da cidade incomodava o regime ditatorial e, para tanto, escolheram o terreno e programaram para o dia 30 de outubro o lan\u00e7amento da pedra fundamental do futuro pr\u00e9dio.A not\u00edcia chegou \u00e0s Arcadas c\u00e9lere e se tornou no \u00fanico assunto no p\u00e1tio, corredores e salas de aulas e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, unia a direita e a esquerda. Esta, concentrada no curso noturno, n\u00e3o aceitava o s\u00edtio long\u00ednquo, aquela formada por alunos do curso diurno, elitista, sempre de trajes engomados n\u00e3o admitia ver-se misturada aos \u201cuniversit\u00e1rios\u201d do campus e via como \u201cabsurda possibilidade\u201d o fim do chamado \u201cTerrit\u00f3rio Livre do Largo de S\u00e3o Francisco\u201d, ent\u00e3o com 146 anos.At\u00e9 a noite de 29 de outubro, discuss\u00f5es ocorreram nos bares em torno da faculdade, em busca de ideias e modos de a\u00e7\u00e3o para atrapalhar o ato governamental que seria realizado no Cidade Universit\u00e1ria, \u00e0s 10 horas, do dia seguinte. Chegou-se \u00e0 unanimidade: \u201croubar\u201d a pedra fundamental, como fizeram os acad\u00eamicos em 1966 quando \u201croubaram\u201d, da entrada do t\u00fanel 9 de Julho, a escultura em bronze \u201cO Beijo Eterno\u201d e a colocaram no Largo de S\u00e3o Francisco, onde permanece at\u00e9 hoje, ou ainda como fizeram os acad\u00eamicos no s\u00e9culo 19 ao \u201croubarem\u201d a escultura do \u201cveado dourado\u201d que encimava a porta da Botica \u201cAo Veado d\u2019Ouro\u201d, na Rua S\u00e3o Bento, ou ainda o c\u00e9lebre \u201croubo\u201d dos perus premiados em exposi\u00e7\u00e3o no Parque da \u00c1gua Branca, na d\u00e9cada de 40, aves de propriedade de um professor, evento que deu origem \u00e0 \u201cperuada\u201d. Tais fatos e outros correlatos sempre denominados \u201cestudantadas\u201d.O grupo do noturno planejou a expedi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ao campus para a noite do mesmo dia do ato, com designa\u00e7\u00e3o de quem iria \u00e0 cerim\u00f4nia para anotar detalhes do exato local e seu acesso, mapas, a constitui\u00e7\u00e3o da caixa onde seriam colocados documentos e o decreto autorizador da obra etc. Outros foram incumbidos de escond\u00ea-la na faculdade. Outros ainda ficaram com a obriga\u00e7\u00e3o de preparar o local no pequeno jardim ao lado da Tribuna Livre para ser sepultado o indigitado trof\u00e9u. Dois dos participantes iriam convidar a m\u00eddia da \u00e9poca para a solenidade que ocorreria na noite de 31.Para n\u00f3s, tudo pronto, fomos dormir na madrugada de 30, ap\u00f3s muitas cervejas, se \u00e9 que dormimos.Contudo, no Jardim Paulista, Rua Pamplona esquina com Rua Jos\u00e9 Maria Lisboa, na Pizzaria Carreta, ponto de boemia de acad\u00eamicos \u201cda direita\u201d, sob a curatela do antigo aluno Caio Pompeu de Toledo (Turma de 1968), o assunto era alvo de discuss\u00e3o e a proposta vencedora era a mesma, \u201croubar\u201d a pedra fundamental, mediante a id\u00eantica log\u00edstica do nosso grupo, com acr\u00e9scimos de banda de m\u00fasica e fogos na solenidade de sepultamento no Largo.Dia 30 de outubro, ter\u00e7a-feira, 10 horas. Na Cidade Universit\u00e1ria, tudo pronto. Palanque, autoridades, discursos. O professor Jos\u00e9 P. Antunes, muito elegante como sempre, gravata estilo borboleta, proferiu discurso, elogiando o ato e disse que estava ali para ratificar a ado\u00e7\u00e3o da faculdade pela USP datada de 1934 e como um crist\u00e3o a entregava, tratando-a como se fora uma novi\u00e7a (Rev. FADUSP vol 68\/2 pags 403\/405}. Uma chuva singela compareceu e antecipou o fim da cerim\u00f4nia.Dispersos todos os convivas, os dois acad\u00eamicos do \u201cGrupo da Carreta\u201d, permaneceram escondidos e pensaram e decidiram antecipar os passos seguintes do projeto, marcados para a noite e de imediato, aproveitando o frescor do cimento que fixava a caixa, fizeram o servi\u00e7o que seria feito por um pedreiro e transportaram para \u201ca cidade\u201d a cobi\u00e7ada pedra fundamental, levando-a para o escrit\u00f3rio do pai de um deles.Na parte da tarde, reuniram-se todos em torno da caixa de cobre e deram in\u00edcio \u00e0s fases seguintes da epopeia. Decidiram que, sepultada ao lado da Tribuna Livre, sobre ela seria colocada uma pedra de m\u00e1rmore com uma inscri\u00e7\u00e3o gravada, para perpetuar o evento e para tanto correram a uma das oficinas de arte tumular, defronte ao cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o.Precisava-se de uma inscri\u00e7\u00e3o, tipo epit\u00e1fio. Sugest\u00f5es daqui, sugest\u00f5es dali. Caio Pompeu de Toledo ditou: \u201cquantas pedras forem colocadas, tantas arrancaremos\u201d, seguida pela data \u201c30\/X\/1973\u201d. E assim foi feito.O dia seguinte. Aulas diurnas interrompidas por fogos e acordes da tradicional bandinha de m\u00fasica que, al\u00e9m de suas apresenta\u00e7\u00f5es em lojas do centro, sempre abrilhantava os eventos acad\u00eamicos, como as elei\u00e7\u00f5es para C.A. XI de Agosto; populares curiosos, imprensa, TV, fot\u00f3grafos; discursos, canto das trovas acad\u00eamicas com muito fervor e a caixa de cobre com objetos e documentos foi enterrada no canteiro ao lado da Tribuna Livre.E o grupo do noturno que tamb\u00e9m havia programado o \u201croubo\u201d? Compareceu, sim, ao campus na noite de 30, procurou o local, mas deu com os burros n\u2019\u00e1gua, ou melhor, nos atoleiros do charco ao topar com a aus\u00eancia da caixa e ver-se alvo da destreza dos colegas da manh\u00e3. Contudo, na noite de 31, n\u00e3o deixou por menos e continuou ativamente as comemora\u00e7\u00f5es com discurso abrasador do Paulo Eir\u00f3, cervejas, c\u00e2nticos acad\u00eamicos e repeti\u00e7\u00e3o dos festejos no s\u00e9timo dia do \u201croubo\u201d, tamb\u00e9m com destaques nos jornais e revistas.Em 1976, o fantasma da transfer\u00eancia ressurgiu na congrega\u00e7\u00e3o da faculdade. Alunos e antigos alunos remanescentes de 1973 uniram-se, com a cria\u00e7\u00e3o da \u201cOrdem da Pedra\u201d e realizaram manifesta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo a encena\u00e7\u00e3o do \u201cDia do Fico\u201d durante as solenidades do 11 de agosto. Na noite desse dia, ap\u00f3s o entrada solene do governador rumo ao sal\u00e3o nobre, ainda sob os acordes da \u201cmarcha batida\u201d executada pela banda da Pol\u00edcia Militar, um cortejo adentrou o p\u00e1tio das Arcadas, tendo \u00e0 frente sobre um cavalo branco a figura de Pedro I, que leu um \u201cdecreto e seus considerandos\u201d que terminou com o grito sucessivo dos presentes: \u201cn\u00f3s ficamos, n\u00f3s ficamos\u201d.\u201cResistentes \u00e0 transfer\u00eancia da faculdade para o campus do Butant\u00e3, os alunos lapidaram a escritura naquela que seria a pedra fundamental do novo pr\u00e9dio. O ato, que culminou com a manuten\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito em seu local tradicional, talvez seja um dos s\u00edmbolos mais fortes de apropria\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio cultural na sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade\u201d (Ana Luiza Martins in A S\u00e3o Francisco na Din\u00e2mica da Hist\u00f3ria e na Mem\u00f3ria da Cidade \u2013 in Cidades Universit\u00e1rias: Patrim\u00f4nio Urban\u00edstico e Arquitet\u00f4nico da USP, Edusp, 2003 pag. 14).O professor Goffredo da Silva Telles Junior, em entrevista \u00e0 Folha de S. Paulo, \u00e0 \u00e9poca, disse \u201ca sede da Faculdade de Direito \u00e9 o Largo de S\u00e3o Francisco, tribuna dos nossos pol\u00edticos, dos nossos poetas e de nossos her\u00f3is. Largo que foi regado com sangue dos estudantes na luta contra o despotismo, sempre em favor das liberdades fundamentais da pessoa humana\u201d.E a velha Academia permanece jovem e firme no Largo de S\u00e3o Francisco rumo aos 200 anos de gloriosa exist\u00eancia.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CGC\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\/?locale=pt_BR\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2024-10-22T12:00:40+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-12-10T03:38:37+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"100\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"cgceducacao\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"7 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/10\\\/22\\\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"cgceducacao\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/253bcacdd19ebc1e3b905c209b34d968\"},\"headline\":\"O \u201croubo\u201d da pedra fundamental da Faculdade de Direito\",\"datePublished\":\"2024-10-22T12:00:40+00:00\",\"dateModified\":\"2024-12-10T03:38:37+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/10\\\/22\\\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\\\/\"},\"wordCount\":1479,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\",\"articleSection\":[\"Fonte da Educa\u00e7\u00e3o\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2024\\\/10\\\/22\\\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\\\/\",\"name\":\"O \u201croubo\u201d da pedra fundamental da Faculdade de Direito - 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Antunes. Vig\u00eancia do Decreto 477 de 26\/02\/1969.Em mar\u00e7o, o estudante de Geologia Alexandre Vannuchi Leme foi preso, torturado e morto pela repress\u00e3o. Seguiu-se missa de s\u00e9timo dia na Catedral da S\u00e9 celebrada pelo Cardeal D. Paulo Arns. Atr\u00e1s dos v\u00e1rios altares laterais no interior do templo, viam-se policiais camuflados. Milhares de estudantes, ao sa\u00edrem em cortejo da catedral, entoaram, entre solu\u00e7os, a m\u00fasica s\u00edmbolo de Geraldo Vandr\u00e9 \u201cPra n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores\u201d, at\u00e9 serem obrigados a se espalharem, diante de ordens do policiamento.Na Faculdade de Direito, os \u00e2nimos estavam exaltados, discursos no p\u00e1tio das Arcadas e na Tribuna Livre, na presen\u00e7a de centenas de populares. O movimento estudantil retomava as manifesta\u00e7\u00f5es contra a ditadura, mesmo com pris\u00f5es de estudantes feitas na calada da noite.Em outubro, o presidente da UNE, Honestino Guimar\u00e3es, a exemplo de seu antecessor Jean Marc, foi preso e ambos, desde ent\u00e3o, nunca mais foram encontrados, situa\u00e7\u00e3o que ainda perdura, ao que consta.As autoridades que comparecem ao primeiro par\u00e1grafo decidiram mudar a Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco para o campus da Cidade Universit\u00e1ria, no Butant\u00e3. A presen\u00e7a dos estudantes de Direito no centro da cidade incomodava o regime ditatorial e, para tanto, escolheram o terreno e programaram para o dia 30 de outubro o lan\u00e7amento da pedra fundamental do futuro pr\u00e9dio.A not\u00edcia chegou \u00e0s Arcadas c\u00e9lere e se tornou no \u00fanico assunto no p\u00e1tio, corredores e salas de aulas e, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, unia a direita e a esquerda. Esta, concentrada no curso noturno, n\u00e3o aceitava o s\u00edtio long\u00ednquo, aquela formada por alunos do curso diurno, elitista, sempre de trajes engomados n\u00e3o admitia ver-se misturada aos \u201cuniversit\u00e1rios\u201d do campus e via como \u201cabsurda possibilidade\u201d o fim do chamado \u201cTerrit\u00f3rio Livre do Largo de S\u00e3o Francisco\u201d, ent\u00e3o com 146 anos.At\u00e9 a noite de 29 de outubro, discuss\u00f5es ocorreram nos bares em torno da faculdade, em busca de ideias e modos de a\u00e7\u00e3o para atrapalhar o ato governamental que seria realizado no Cidade Universit\u00e1ria, \u00e0s 10 horas, do dia seguinte. Chegou-se \u00e0 unanimidade: \u201croubar\u201d a pedra fundamental, como fizeram os acad\u00eamicos em 1966 quando \u201croubaram\u201d, da entrada do t\u00fanel 9 de Julho, a escultura em bronze \u201cO Beijo Eterno\u201d e a colocaram no Largo de S\u00e3o Francisco, onde permanece at\u00e9 hoje, ou ainda como fizeram os acad\u00eamicos no s\u00e9culo 19 ao \u201croubarem\u201d a escultura do \u201cveado dourado\u201d que encimava a porta da Botica \u201cAo Veado d\u2019Ouro\u201d, na Rua S\u00e3o Bento, ou ainda o c\u00e9lebre \u201croubo\u201d dos perus premiados em exposi\u00e7\u00e3o no Parque da \u00c1gua Branca, na d\u00e9cada de 40, aves de propriedade de um professor, evento que deu origem \u00e0 \u201cperuada\u201d. Tais fatos e outros correlatos sempre denominados \u201cestudantadas\u201d.O grupo do noturno planejou a expedi\u00e7\u00e3o acad\u00eamica ao campus para a noite do mesmo dia do ato, com designa\u00e7\u00e3o de quem iria \u00e0 cerim\u00f4nia para anotar detalhes do exato local e seu acesso, mapas, a constitui\u00e7\u00e3o da caixa onde seriam colocados documentos e o decreto autorizador da obra etc. Outros foram incumbidos de escond\u00ea-la na faculdade. Outros ainda ficaram com a obriga\u00e7\u00e3o de preparar o local no pequeno jardim ao lado da Tribuna Livre para ser sepultado o indigitado trof\u00e9u. Dois dos participantes iriam convidar a m\u00eddia da \u00e9poca para a solenidade que ocorreria na noite de 31.Para n\u00f3s, tudo pronto, fomos dormir na madrugada de 30, ap\u00f3s muitas cervejas, se \u00e9 que dormimos.Contudo, no Jardim Paulista, Rua Pamplona esquina com Rua Jos\u00e9 Maria Lisboa, na Pizzaria Carreta, ponto de boemia de acad\u00eamicos \u201cda direita\u201d, sob a curatela do antigo aluno Caio Pompeu de Toledo (Turma de 1968), o assunto era alvo de discuss\u00e3o e a proposta vencedora era a mesma, \u201croubar\u201d a pedra fundamental, mediante a id\u00eantica log\u00edstica do nosso grupo, com acr\u00e9scimos de banda de m\u00fasica e fogos na solenidade de sepultamento no Largo.Dia 30 de outubro, ter\u00e7a-feira, 10 horas. Na Cidade Universit\u00e1ria, tudo pronto. Palanque, autoridades, discursos. O professor Jos\u00e9 P. Antunes, muito elegante como sempre, gravata estilo borboleta, proferiu discurso, elogiando o ato e disse que estava ali para ratificar a ado\u00e7\u00e3o da faculdade pela USP datada de 1934 e como um crist\u00e3o a entregava, tratando-a como se fora uma novi\u00e7a (Rev. FADUSP vol 68\/2 pags 403\/405}. Uma chuva singela compareceu e antecipou o fim da cerim\u00f4nia.Dispersos todos os convivas, os dois acad\u00eamicos do \u201cGrupo da Carreta\u201d, permaneceram escondidos e pensaram e decidiram antecipar os passos seguintes do projeto, marcados para a noite e de imediato, aproveitando o frescor do cimento que fixava a caixa, fizeram o servi\u00e7o que seria feito por um pedreiro e transportaram para \u201ca cidade\u201d a cobi\u00e7ada pedra fundamental, levando-a para o escrit\u00f3rio do pai de um deles.Na parte da tarde, reuniram-se todos em torno da caixa de cobre e deram in\u00edcio \u00e0s fases seguintes da epopeia. Decidiram que, sepultada ao lado da Tribuna Livre, sobre ela seria colocada uma pedra de m\u00e1rmore com uma inscri\u00e7\u00e3o gravada, para perpetuar o evento e para tanto correram a uma das oficinas de arte tumular, defronte ao cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o.Precisava-se de uma inscri\u00e7\u00e3o, tipo epit\u00e1fio. Sugest\u00f5es daqui, sugest\u00f5es dali. Caio Pompeu de Toledo ditou: \u201cquantas pedras forem colocadas, tantas arrancaremos\u201d, seguida pela data \u201c30\/X\/1973\u201d. E assim foi feito.O dia seguinte. Aulas diurnas interrompidas por fogos e acordes da tradicional bandinha de m\u00fasica que, al\u00e9m de suas apresenta\u00e7\u00f5es em lojas do centro, sempre abrilhantava os eventos acad\u00eamicos, como as elei\u00e7\u00f5es para C.A. XI de Agosto; populares curiosos, imprensa, TV, fot\u00f3grafos; discursos, canto das trovas acad\u00eamicas com muito fervor e a caixa de cobre com objetos e documentos foi enterrada no canteiro ao lado da Tribuna Livre.E o grupo do noturno que tamb\u00e9m havia programado o \u201croubo\u201d? Compareceu, sim, ao campus na noite de 30, procurou o local, mas deu com os burros n\u2019\u00e1gua, ou melhor, nos atoleiros do charco ao topar com a aus\u00eancia da caixa e ver-se alvo da destreza dos colegas da manh\u00e3. Contudo, na noite de 31, n\u00e3o deixou por menos e continuou ativamente as comemora\u00e7\u00f5es com discurso abrasador do Paulo Eir\u00f3, cervejas, c\u00e2nticos acad\u00eamicos e repeti\u00e7\u00e3o dos festejos no s\u00e9timo dia do \u201croubo\u201d, tamb\u00e9m com destaques nos jornais e revistas.Em 1976, o fantasma da transfer\u00eancia ressurgiu na congrega\u00e7\u00e3o da faculdade. Alunos e antigos alunos remanescentes de 1973 uniram-se, com a cria\u00e7\u00e3o da \u201cOrdem da Pedra\u201d e realizaram manifesta\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo a encena\u00e7\u00e3o do \u201cDia do Fico\u201d durante as solenidades do 11 de agosto. Na noite desse dia, ap\u00f3s o entrada solene do governador rumo ao sal\u00e3o nobre, ainda sob os acordes da \u201cmarcha batida\u201d executada pela banda da Pol\u00edcia Militar, um cortejo adentrou o p\u00e1tio das Arcadas, tendo \u00e0 frente sobre um cavalo branco a figura de Pedro I, que leu um \u201cdecreto e seus considerandos\u201d que terminou com o grito sucessivo dos presentes: \u201cn\u00f3s ficamos, n\u00f3s ficamos\u201d.\u201cResistentes \u00e0 transfer\u00eancia da faculdade para o campus do Butant\u00e3, os alunos lapidaram a escritura naquela que seria a pedra fundamental do novo pr\u00e9dio. O ato, que culminou com a manuten\u00e7\u00e3o da Faculdade de Direito em seu local tradicional, talvez seja um dos s\u00edmbolos mais fortes de apropria\u00e7\u00e3o e demarca\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio cultural na sua rela\u00e7\u00e3o com a cidade\u201d (Ana Luiza Martins in A S\u00e3o Francisco na Din\u00e2mica da Hist\u00f3ria e na Mem\u00f3ria da Cidade \u2013 in Cidades Universit\u00e1rias: Patrim\u00f4nio Urban\u00edstico e Arquitet\u00f4nico da USP, Edusp, 2003 pag. 14).O professor Goffredo da Silva Telles Junior, em entrevista \u00e0 Folha de S. Paulo, \u00e0 \u00e9poca, disse \u201ca sede da Faculdade de Direito \u00e9 o Largo de S\u00e3o Francisco, tribuna dos nossos pol\u00edticos, dos nossos poetas e de nossos her\u00f3is. Largo que foi regado com sangue dos estudantes na luta contra o despotismo, sempre em favor das liberdades fundamentais da pessoa humana\u201d.E a velha Academia permanece jovem e firme no Largo de S\u00e3o Francisco rumo aos 200 anos de gloriosa exist\u00eancia.","og_url":"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/o-roubo-da-pedra-fundamental-da-faculdade-de-direito\/","og_site_name":"CGC","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\/?locale=pt_BR","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao","article_published_time":"2024-10-22T12:00:40+00:00","article_modified_time":"2024-12-10T03:38:37+00:00","og_image":[{"width":1200,"height":100,"url":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"cgceducacao","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/cgceducacao","twitter_site":"@cgceducacao","twitter_misc":{"Escrito por":"cgceducacao","Est. 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