{"id":20905,"date":"2025-01-22T10:07:39","date_gmt":"2025-01-22T13:07:39","guid":{"rendered":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/?p=20905"},"modified":"2025-02-20T15:24:05","modified_gmt":"2025-02-20T18:24:05","slug":"guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/index.php\/2025\/01\/22\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\/","title":{"rendered":"Topon\u00edmia uspiana"},"content":{"rendered":"<p>Texto por: Guilherme Ary Plonski, professor s\u00eanior da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria (FEA) e da Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da USP<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/artigos\/escola-de-educacao-fisica-e-esporte-de-ribeirao-preto-e-a-sociedade-uma-relacao-saudavel-no-campus-de-ribeirao-preto\/attachment\/chapeu_usp-90anos_campi-pb\/\" rel=\"attachment wp-att-719956\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956 jetpack-lazy-image\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"100\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-719956\" src=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"100\" data-lazy-fallback=\"1\" \/><\/p>\n<p><strong>Topon\u00edmia uspiana<\/strong><\/p>\n<p>O professor Fl\u00e1vio Fava de Moraes foi o primeiro Reitor com quem tive o prazer de trabalhar diretamente, a partir de fevereiro de 1994, quando assumi a coordena\u00e7\u00e3o da Coordenadoria Executiva de Coopera\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria e de Atividades Especiais (Cecae), \u00f3rg\u00e3o recente, vinculado \u00e0 Reitoria. Af\u00e1vel, acolhedor e sereno, surpreendia-nos frequentemente com observa\u00e7\u00f5es espirituosas e, ao mesmo tempo, ilustradas.<\/p>\n<p>Uma delas, perto do final de sua gest\u00e3o, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o gostaria de ser homenageado pela nomina\u00e7\u00e3o de uma das vias da Cidade Universit\u00e1ria, pois elas carregavam os nomes de reitores mortos\u2026<\/p>\n<p>De fato, ressalvadas algumas denomina\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas (como \u201cPra\u00e7a do Rel\u00f3gio\u201d e \u201cRua do Mat\u00e3o\u201d), as avenidas e pra\u00e7as recebem tipicamente os nomes de reitores falecidos que exerceram o mandato antes da ocupa\u00e7\u00e3o da Cidade Universit\u00e1ria \u201cArmando de Salles Oliveira\u201d pela USP. Esta ocorre a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>Cabe observar que o Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas do Estado de S\u00e3o Paulo (IPT) \u00e9 o primeiro ocupante da Cidade Universit\u00e1ria, para onde come\u00e7ou a se mudar em 1937. A constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio Adriano Marchini, seu ic\u00f4nico edif\u00edcio-sede, inicia em 1947 e conclui em 1953. A USP chega mais tarde; os relatos verbais indicam que os primeiros servidores da USP a se instalarem ali utilizavam como local de almo\u00e7o o refeit\u00f3rio do IPT, ent\u00e3o o \u00fanico dispon\u00edvel no campus.<\/p>\n<p>H\u00e1 duas exce\u00e7\u00f5es na topon\u00edmia uspiana. Uma \u00e9 a Avenida Orlando Marques de Paiva, em que se situa a Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (FMVZ). A sua gest\u00e3o reitoral transcorreu no per\u00edodo 1973-1977, em que a Cidade Universit\u00e1ria j\u00e1 estava intensamente ocupada. <em>D\u2019ailleurs<\/em>, o homenageado foi docente e diretor da FMVZ.<\/p>\n<p>A outra exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a pra\u00e7a em frente ao port\u00e3o de entrada do IPT. Ela reverencia o engenheiro-arquiteto paulistano Francisco de Paula Ramos de Azevedo, respons\u00e1vel por projetos ic\u00f4nicos como o Teatro Municipal, o Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a e o Liceu de Artes e Of\u00edcios (atual Pinacoteca). Foi, ademais, um dos fundadores da Escola Polit\u00e9cnica (Poli), incorporada \u00e0 USP em 1934. Diferentemente dos demais nominados nas vias do campus, ele n\u00e3o foi reitor da USP, nem poderia ter sido, pois faleceu antes da cria\u00e7\u00e3o da Universidade.<\/p>\n<p>O vis\u00edvel monumento de 22 toneladas e 25 metros de altura, que estava originalmente instalado na avenida Tiradentes, em frente ao Liceu e perto das antigas instala\u00e7\u00f5es da Poli, teve que ser desmontado para a constru\u00e7\u00e3o da linha pioneira do Metr\u00f4. Como s\u00f3i acontecer nestas plagas, seus peda\u00e7os ficaram encostados por alguns anos num barrac\u00e3o da Pinacoteca, at\u00e9 que fosse decidido o que fazer. Num ato de justi\u00e7a po\u00e9tica, a obra, que havia sido inaugurada no ano de cria\u00e7\u00e3o da USP, acabou acompanhando a mudan\u00e7a da Poli e est\u00e1, remontada, na Cidade Universit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>A \u201cminha\u201d via<\/strong><\/p>\n<p>No momento da escrita deste depoimento, tenho 47 anos de atua\u00e7\u00e3o como servidor docente da Universidade. Todos os envolvimentos transcorrem nas imedia\u00e7\u00f5es de uma \u00fanica via, a Avenida Professor Luciano Gualberto, que foi reitor no bi\u00eanio 1950-1951. Seguindo a numera\u00e7\u00e3o crescente da via, minhas atividades ocorrem em seis locais:<\/p>\n<p>1) O pr\u00e9dio da antiga \u201cNova Reitoria\u201d, onde se localiza o Instituto de Estudos Avan\u00e7ados, do qual sou professor s\u00eanior, ap\u00f3s ser conselheiro, vice-diretor e diretor. Ali tamb\u00e9m atuei na implementa\u00e7\u00e3o da Escola T\u00e9cnica e de Gest\u00e3o da USP (Escola USP), da qual fui o primeiro coordenador;<\/p>\n<p>2) O pr\u00e9dio atual da Reitoria, onde coordenei a Cecae (na ocasi\u00e3o o pr\u00e9dio era denominado \u201cAntiga Reitoria\u201d);<\/p>\n<p>3) O pr\u00e9dio do Centro de Inova\u00e7\u00e3o da USP (InovaUSP), do qual fui vice-coordenador em duas gest\u00f5es reitorais;<\/p>\n<p>4) O pr\u00e9dio da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria (FEA), onde sou professor-s\u00eanior, ap\u00f3s d\u00e9cadas de doc\u00eancia ativa no Departamento de Administra\u00e7\u00e3o. Fui tamb\u00e9m coordenador cient\u00edfico do N\u00facleo de Pol\u00edtica e Gest\u00e3o da USP (PGT), ali sediado;<\/p>\n<p>5) O \u201cpr\u00e9dio do Bi\u00eanio\u201d da Escola Polit\u00e9cnica, onde se localiza o Departamento de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, do qual fui docente ativo por v\u00e1rias d\u00e9cadas; e<\/p>\n<p>6) O complexo do IPT, do qual fui Diretor Superintendente por nomea\u00e7\u00e3o do Governador. Embora legalmente afastado, continuei a ministrar aulas na Poli e na FEA, assim como a orientar disc\u00edpulos.<\/p>\n<p><strong>Mas quem foi Luciano Gualberto?<\/strong><\/p>\n<p>Curiosamente, h\u00e1 tamb\u00e9m uma via hom\u00f4nima \u00e0 do meu conv\u00edvio cotidiano no campus. \u00c9 a rua Professor Luciano Gualberto no bairro do Jardim Morumbi. O logradouro, originalmente denominado \u201cRua 3\u201d, foi oficializado pelo Prefeito Jos\u00e9 Vicente de Faria Lima pelo Decreto n\u00ba 6.512, de 17 de junho de 1966. Ali se determina que na placa deve constar o dizer \u201cM\u00e9dico Em\u00e9rito\u201d.<\/p>\n<p>O Dicion\u00e1rio de Ruas, plataforma do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre os nomes das vias da cidade de S\u00e3o Paulo, se estende sobre a sua biografia, aqui transcrita com pequenas corre\u00e7\u00f5es formais e separa\u00e7\u00e3o de par\u00e1grafos para mais f\u00e1cil leitura:<\/p>\n<p><em>O professor Luciano Gualberto, nasceu em 14 de janeiro de 1883, em Petr\u00f3polis, Estado do Rio de Janeiro. Fez seus primeiros estudos nos Col\u00e9gios S\u00e3o Vicente de Paulo e S\u00e3o Lu\u00eds.<\/em><\/p>\n<p><em>Diplomou-se pela Faculdade de Medicina em 1907. Viajou para a Europa, onde permaneceu por muito tempo estudando com Seguem, Marion, Victor Pauchet e Layte Pozzi, al\u00e9m de ter sido assistente de professores famosos em Roma e Floren\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p><em>Vindo para S\u00e3o Paulo, foi assistente dos professores Arnaldo Vieira de Carvalho, Alves de Lima e Alfonso Bovero. Ap\u00f3s provas brilhantes, alcan\u00e7ou em primeiro lugar a c\u00e1tedra de Ginecologia da Faculdade de Medicina. Foi professor de anatomia, m\u00e9dico-cirurgi\u00e3o da cl\u00ednica urol\u00f3gica.<\/em><\/p>\n<p><em>Ocupou importantes cargos administrativos no setor universit\u00e1rio, entre os quais o de membro do Conselho Universit\u00e1rio, chefe do servi\u00e7o da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia e Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo. Grande cirurgi\u00e3o, foi cirurgi\u00e3o-chefe do Hospital das Cl\u00ednicas, Hospital Municipal, Pronto Socorro da Cruz Vermelha, Hospital da For\u00e7a P\u00fablica, e nos hospitais da frente de combate durante a grande guerra.<\/em><\/p>\n<p><em>Membro de v\u00e1rias academias e sociedades de medicina, possu\u00eda diversas condecora\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos honor\u00edficos. Pol\u00edtico militante, foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito interino da Capital paulista, al\u00e9m de presidente da Via\u00e7\u00e3o A\u00e9rea S\u00e3o Paulo S.A. \u2013 VASP.<\/em><\/p>\n<p><em>Como escritor, deixou diversos romances e volumes de poesias, tais como: A Sociedade Moderna; O homem que perdeu a F\u00e9; Gondola Azul e Torre de Babel. Cientista, escreveu trabalhos de grande valor. Faleceu em 21 de setembro de 1959.<\/em><\/p>\n<p>A sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria o torna membro da Academia Paulista de Letras de 1941 at\u00e9 seu falecimento, em 1959. Foi o segundo ocupante da cadeira no. 29, cujo patrono \u00e9 Paulo Eir\u00f3. Anos mais tarde, a cadeira passa a ser ocupada por um not\u00e1vel colega da FEA, professor Jos\u00e9 Pastore, do Departamento de Economia, a quem por vezes encontro tamb\u00e9m num dos concertos apresentados na Sala S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Em seu discurso de posse ele faz uma importante men\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria de Luciano Gualberto, reproduzida a seguir:<\/p>\n<p><em>Valdomiro Silveira foi sucedido por Luciano Gualberto, um extraordin\u00e1rio m\u00e9dico e administrador p\u00fablico que, dentre os v\u00e1rios cargos que ocupou, destaco o de Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas Gualberto fora colaborador de Arnaldo Vieira de Carvalho e Alfonso Bovero na cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina da mesma Universidade. Especializou-se em urologia, tendo escrito e traduzido in\u00fameras obras nesse campo.<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m de sua compet\u00eancia cient\u00edfica, Luciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade.<\/em><\/p>\n<p><em>A veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u201cA Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u201d. Inspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados. Mas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje.<\/em><\/p>\n<p><em>Os acidentes da \u00e9poca eram devastadores devido \u00e0 rudeza do ferramental da agricultura, ao fogo err\u00e1tico das forjarias, aos perigosos andaimes da constru\u00e7\u00e3o civil e tantos outros fatores de risco. A devasta\u00e7\u00e3o permaneceu por v\u00e1rios anos. N\u00e3o muito distante, ao longo da d\u00e9cada de 90, 39 mil brasileiros que sa\u00edram de casa para trabalhar, n\u00e3o voltaram. Morreram trabalhando: 39 mil em dez anos!<\/em><\/p>\n<p><em>Esses s\u00e3o os casos notificados. At\u00e9 hoje, a grande maioria dos acidentes de trabalho n\u00e3o \u00e9 notificada. Os estragos s\u00e3o brutais para os trabalhadores, as fam\u00edlias e a economia do pa\u00eds. Pesquisa recente mostrou que os acidentes do trabalho custam ao Brasil 25 bilh\u00f5es de reais por ano! S\u00e3o 100 bilh\u00f5es de reais a cada quatro anos (11). Uma f\u00e1bula de recursos! Sem contar a dor, o sofrimento e as vidas, que, evidentemente, n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o.<\/em><\/p>\n<p><em>Nos \u00faltimos tempos, os n\u00fameros melhoraram. Efici\u00eancia? N\u00e3o, infelizmente. \u00c9 ir\u00f4nico dizer que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de acidentes resultou, em grande parte, de uma lei que desestimulou a notifica\u00e7\u00e3o por parte das empresas (Lei 6.367 de 1976). Um absurdo.<\/em><\/p>\n<p><em>No Brasil \u00e9 assim. Quando a febre est\u00e1 muito alta, troca-se o term\u00f4metro\u2026 Na infla\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se o mesmo. Quando o pre\u00e7o do chuchu dispara, tira-se o chuchu da lista do custo de vida. E a infla\u00e7\u00e3o baixa. \u00c9 assim que os tecnocratas demonstram a sua genial criatividade\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m de m\u00e9dico e professor, Luciano Gualberto foi um homem de vida p\u00fablica e de a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica, como era o seu jeito de ser \u2013 sempre falante, direto e contundente.<\/em><\/p>\n<p><em>Foi vereador em tr\u00eas legislaturas, deputado estadual, vice-prefeito, prefeito interino e secret\u00e1rio da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o foram suas grandes paix\u00f5es. Perd\u00e3o. N\u00e3o posso omitir a sua voca\u00e7\u00e3o de poeta \u2013 poeta das horas vagas, como se auto-definia. Ele costumava brincar, dizendo que suas poesias sa\u00edam sempre de \u201cp\u00e9 quebrado\u201d porque, como urologista, n\u00e3o dominava as ferramentas dos ortopedistas\u2026<\/em><\/p>\n<p><em>Pura mod\u00e9stia. As cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias de Luciano Gualberto foram simples, mas retrataram seu diuturno conv\u00edvio com o sofrimento humano nas cl\u00ednicas, nos centros de sa\u00fade e nos hospitais, como se nota nos seguintes versos:<\/em><\/p>\n<p><em>Eu conhe\u00e7o o sabor da l\u00e1grima e do riso,<\/em><br \/>\n<em>Tenho rido e chorado e, assim, dessa maneira,<\/em><br \/>\n<em>Ora tendo o caminho eri\u00e7ado, ora liso,<\/em><br \/>\n<em>Senti as sensa\u00e7\u00f5es de uma exist\u00eancia inteira.<\/em><\/p>\n<p>Chamo a aten\u00e7\u00e3o a aspectos da vida de Luciano Gualberto que o professor Pastore destaca. Eles enfatizam quest\u00f5es centrais tamb\u00e9m da trajet\u00f3ria do homenageador, um soci\u00f3logo internacionalmente reconhecido pelos seus estudos e atua\u00e7\u00e3o como intelectual p\u00fablico no campo da economia do trabalho e das rela\u00e7\u00f5es do trabalho.<\/p>\n<p><strong>Afinidades acad\u00eamicas<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o tive oportunidade de interagir com o professor Luciano, pois tinha apenas 11 anos quando do seu passamento. Contudo, identifico algumas afinidades, al\u00e9m naturalmente do fato de termos ambos encontrado na Universidade de S\u00e3o Paulo o ambiente ideal para desenvolvimento pessoal e contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade ampla. Valho-me da resenha feita pelo professor Pastore, da qual extraio alguns trechos.<\/p>\n<p>Sobre a fun\u00e7\u00e3o do professor universit\u00e1rio: \u201cLuciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade\u201d.<\/p>\n<p>Se sou ou n\u00e3o bom professor e orientador deixo por conta dos\/as que tive o privil\u00e9gio de ter como alunos\/as e orientado\/as. Mas, como Luciano, entremeio as aulas com est\u00f3rias. Em algumas busco expor os estudantes aos contextos relevantes em que teorias foram propostas, t\u00e9cnicas foram desenvolvidas e inova\u00e7\u00f5es emergiram. Destaco sempre o \u201cfator Quem\u201d: por exemplo, qual foi a trajet\u00f3ria pessoal e a jornada profissional de Jorge S\u00e1bato que o levaram a propor o modelo trino pioneiro para gera\u00e7\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico e social a partir da Ci\u00eancia, tr\u00eas d\u00e9cadas antes da hoje dominante H\u00e9lice Tr\u00edplice. O importante no processo de ensino-aprendizagem \u00e9 integrar <em>logos<\/em>, <em>p\u00e1thos<\/em> e <em>ethos<\/em>.<\/p>\n<p>Sobre a responsabilidade social do professor universit\u00e1rio: \u201cA veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u2018A Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Cedo tamb\u00e9m entendi a multidimensionalidade do papel do engenheiro. Tendo declinado do convite para ser docente da Poli logo ap\u00f3s me formar, com o algo ing\u00eanuo argumento de que \u201cantes de ser professor de engenharia precisava ser engenheiro\u201d, fui admitido numa das principais empresas de engenharia consultiva do Brasil. Coincidindo com Luciano, o meu primeiro texto publicado mostrava o tamanho da trag\u00e9dia dos acidentes do trabalho e doen\u00e7as profissionais no Brasil no come\u00e7o dos anos 1970, tema n\u00e3o muito apreciado no regime autorit\u00e1rio de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a transla\u00e7\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico em pol\u00edticas p\u00fablicas: \u201cInspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados.\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho a ilus\u00e3o de que o modesto artigo de engenheiro rec\u00e9m-formado tenha impulsionado uma pol\u00edtica p\u00fablica em defesa dos trabalhadores. Mas desde sempre considerei a frutifica\u00e7\u00e3o do conhecimento gerado na universidade em inova\u00e7\u00f5es transformadoras um dos eixos direcionadores do meu papel de gestor ao longo da jornada uspiana, especialmente na coordena\u00e7\u00e3o da Cecae e do PGT, assim como na dire\u00e7\u00e3o do IEA. E, <em>\u00e7a va sans dire<\/em>, tamb\u00e9m quando fui dirigente do IPT, institui\u00e7\u00e3o particularmente bem-posicionada para esse mister. Um exemplo concreto \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o pelo Instituto do \u201cEspa\u00e7o Tecnologia\u201d na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Sobre a demora para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil: \u201cMas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje\u201d.<\/p>\n<p>Esposo id\u00eantico assombro. Ele \u00e9 objeto de um dos cap\u00edtulos do livro \u201cVencer\u00e1s pela Ci\u00eancia, Transformaremos pela Inova\u00e7\u00e3o\u201d, uma das obras alusivas aos 90 anos da USP a ser publicada pela Edusp em 2025.<\/p>\n<p><strong>E agora?<\/strong><\/p>\n<p>A Universidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva intergeracional. Assim, estendo a evidencia\u00e7\u00e3o das afinidades acad\u00eamicas ao professor Jos\u00e9 Pastore, j\u00e1 mencionado acima. Ap\u00f3s fazer as homenagens de praxe aos ocupantes anteriores da cadeira no. 29, inclusive Luciano Gualberto, ele exp\u00f5e um pouquinho da sua pessoa.<\/p>\n<p>Sobre a decis\u00e3o de ser professor-s\u00eanior: \u201cEspero que o meu atrevimento seja compreendido como um gesto de quem deseja aprender. Ali\u00e1s, eu estava ainda aprendendo quando dei a \u00faltima aula na Universidade de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o me conformei com a aposentadoria. Voltei a lecionar e a ouvir os alunos. Meus colegas apoiaram\u201d.<\/p>\n<p>Fui beneficiado pelo projeto do preclaro senador Jos\u00e9 Serra, que estende os efeitos da chamada PEC da Bengala a todos os servidores p\u00fablicos da Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios. Em decorr\u00eancia, a idade da aposentadoria obrigat\u00f3ria no funcionalismo p\u00fablico passou a ser 75 anos e n\u00e3o mais 70, assim como aconteceu com os ministros do Supremo Tribunal Federal. Poderia me aposentar bem antes, por estar na pitoresca condi\u00e7\u00e3o conhecida no jarg\u00e3o acad\u00eamico como \u201cp\u00e9 na cova\u201d. Em termos menos f\u00fanebres, havia reunido todas as condi\u00e7\u00f5es para me aposentar com percep\u00e7\u00e3o integral (e paridade) de vencimentos.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive d\u00favida em continuar com a qu\u00e1drupla vincula\u00e7\u00e3o (Poli, FEA, IEA e InovaUSP). E ganhei um ano de b\u00f4nus, por ser diretor do IEA selecionado num processo eletivo, podendo cumprir o mandato at\u00e9 o final.<\/p>\n<p>Quando chegou a hora inapel\u00e1vel de t\u00e9rmino do servi\u00e7o ativo, tive a ventura de, como Pastore, receber o apoio carinhoso de colegas e de dirigentes para me tornar professor-s\u00eanior. Como alertado pelo sol\u00edcito colega do Departamento de Recursos Humanos, com o efeito colateral de preju\u00edzo de vencimentos, pela perda do adicional de perman\u00eancia.<\/p>\n<p>Sobre o futuro na Universidade: \u201cEles t\u00eam raz\u00e3o. O ser humano que para de aprender vira obsoleto, tenha ele 20, 30, 40 ou 50 anos. Quero seguir o exemplo deste grande brasileiro, Miguel Reale, que, com 93 anos, n\u00e3o desiste de aprender e, por isso, n\u00e3o para de ensinar. \u00c9 esta sede de aprender e este impulso de ensinar que me levaram a escolher Vossa Excel\u00eancia, caro Professor, para me receber nesta Academia. Este \u00e9, sem d\u00favida, um dos momentos mais felizes de minha vida\u201d.<\/p>\n<p>Imbu\u00eddo da mesma ideia de <em>lifelong learning<\/em> e inspirado no lema do saudoso doutor Jos\u00e9 Mindlin (\u201cN\u00e3o fa\u00e7o nada sem alegria\u201d), permane\u00e7o professor da USP. Espero gozar de sa\u00fade de corpo e mente para continuar a aprender e contribuir \u00e0 USP e, por meio dela, ajudar a reparar o mundo, seguindo a diretriz judaica de tikun olam que me acompanha desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Ary Plonski, professor s\u00eanior da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria (FEA) e da Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da USPTopon\u00edmia uspianaO professor Fl\u00e1vio Fava de Moraes foi o primeiro Reitor com quem tive o prazer de trabalhar diretamente, a partir de fevereiro de 1994, quando assumi a coordena\u00e7\u00e3o da Coordenadoria Executiva de Coopera\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria e de Atividades Especiais (Cecae), \u00f3rg\u00e3o recente, vinculado \u00e0 Reitoria. Af\u00e1vel, acolhedor e sereno, surpreendia-nos frequentemente com observa\u00e7\u00f5es espirituosas e, ao mesmo tempo, ilustradas.Uma delas, perto do final de sua gest\u00e3o, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o gostaria de ser homenageado pela nomina\u00e7\u00e3o de uma das vias da Cidade Universit\u00e1ria, pois elas carregavam os nomes de reitores mortos\u2026De fato, ressalvadas algumas denomina\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas (como \u201cPra\u00e7a do Rel\u00f3gio\u201d e \u201cRua do Mat\u00e3o\u201d), as avenidas e pra\u00e7as recebem tipicamente os nomes de reitores falecidos que exerceram o mandato antes da ocupa\u00e7\u00e3o da Cidade Universit\u00e1ria \u201cArmando de Salles Oliveira\u201d pela USP. Esta ocorre a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1950.Cabe observar que o Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas do Estado de S\u00e3o Paulo (IPT) \u00e9 o primeiro ocupante da Cidade Universit\u00e1ria, para onde come\u00e7ou a se mudar em 1937. A constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio Adriano Marchini, seu ic\u00f4nico edif\u00edcio-sede, inicia em 1947 e conclui em 1953. A USP chega mais tarde; os relatos verbais indicam que os primeiros servidores da USP a se instalarem ali utilizavam como local de almo\u00e7o o refeit\u00f3rio do IPT, ent\u00e3o o \u00fanico dispon\u00edvel no campus.H\u00e1 duas exce\u00e7\u00f5es na topon\u00edmia uspiana. Uma \u00e9 a Avenida Orlando Marques de Paiva, em que se situa a Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (FMVZ). A sua gest\u00e3o reitoral transcorreu no per\u00edodo 1973-1977, em que a Cidade Universit\u00e1ria j\u00e1 estava intensamente ocupada. D\u2019ailleurs, o homenageado foi docente e diretor da FMVZ.A outra exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a pra\u00e7a em frente ao port\u00e3o de entrada do IPT. Ela reverencia o engenheiro-arquiteto paulistano Francisco de Paula Ramos de Azevedo, respons\u00e1vel por projetos ic\u00f4nicos como o Teatro Municipal, o Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a e o Liceu de Artes e Of\u00edcios (atual Pinacoteca). Foi, ademais, um dos fundadores da Escola Polit\u00e9cnica (Poli), incorporada \u00e0 USP em 1934. Diferentemente dos demais nominados nas vias do campus, ele n\u00e3o foi reitor da USP, nem poderia ter sido, pois faleceu antes da cria\u00e7\u00e3o da Universidade.O vis\u00edvel monumento de 22 toneladas e 25 metros de altura, que estava originalmente instalado na avenida Tiradentes, em frente ao Liceu e perto das antigas instala\u00e7\u00f5es da Poli, teve que ser desmontado para a constru\u00e7\u00e3o da linha pioneira do Metr\u00f4. Como s\u00f3i acontecer nestas plagas, seus peda\u00e7os ficaram encostados por alguns anos num barrac\u00e3o da Pinacoteca, at\u00e9 que fosse decidido o que fazer. Num ato de justi\u00e7a po\u00e9tica, a obra, que havia sido inaugurada no ano de cria\u00e7\u00e3o da USP, acabou acompanhando a mudan\u00e7a da Poli e est\u00e1, remontada, na Cidade Universit\u00e1ria.A \u201cminha\u201d viaNo momento da escrita deste depoimento, tenho 47 anos de atua\u00e7\u00e3o como servidor docente da Universidade. Todos os envolvimentos transcorrem nas imedia\u00e7\u00f5es de uma \u00fanica via, a Avenida Professor Luciano Gualberto, que foi reitor no bi\u00eanio 1950-1951. Seguindo a numera\u00e7\u00e3o crescente da via, minhas atividades ocorrem em seis locais:1) O pr\u00e9dio da antiga \u201cNova Reitoria\u201d, onde se localiza o Instituto de Estudos Avan\u00e7ados, do qual sou professor s\u00eanior, ap\u00f3s ser conselheiro, vice-diretor e diretor. Ali tamb\u00e9m atuei na implementa\u00e7\u00e3o da Escola T\u00e9cnica e de Gest\u00e3o da USP (Escola USP), da qual fui o primeiro coordenador;2) O pr\u00e9dio atual da Reitoria, onde coordenei a Cecae (na ocasi\u00e3o o pr\u00e9dio era denominado \u201cAntiga Reitoria\u201d);3) O pr\u00e9dio do Centro de Inova\u00e7\u00e3o da USP (InovaUSP), do qual fui vice-coordenador em duas gest\u00f5es reitorais;4) O pr\u00e9dio da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria (FEA), onde sou professor-s\u00eanior, ap\u00f3s d\u00e9cadas de doc\u00eancia ativa no Departamento de Administra\u00e7\u00e3o. Fui tamb\u00e9m coordenador cient\u00edfico do N\u00facleo de Pol\u00edtica e Gest\u00e3o da USP (PGT), ali sediado;5) O \u201cpr\u00e9dio do Bi\u00eanio\u201d da Escola Polit\u00e9cnica, onde se localiza o Departamento de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, do qual fui docente ativo por v\u00e1rias d\u00e9cadas; e6) O complexo do IPT, do qual fui Diretor Superintendente por nomea\u00e7\u00e3o do Governador. Embora legalmente afastado, continuei a ministrar aulas na Poli e na FEA, assim como a orientar disc\u00edpulos.Mas quem foi Luciano Gualberto?Curiosamente, h\u00e1 tamb\u00e9m uma via hom\u00f4nima \u00e0 do meu conv\u00edvio cotidiano no campus. \u00c9 a rua Professor Luciano Gualberto no bairro do Jardim Morumbi. O logradouro, originalmente denominado \u201cRua 3\u201d, foi oficializado pelo Prefeito Jos\u00e9 Vicente de Faria Lima pelo Decreto n\u00ba 6.512, de 17 de junho de 1966. Ali se determina que na placa deve constar o dizer \u201cM\u00e9dico Em\u00e9rito\u201d.O Dicion\u00e1rio de Ruas, plataforma do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre os nomes das vias da cidade de S\u00e3o Paulo, se estende sobre a sua biografia, aqui transcrita com pequenas corre\u00e7\u00f5es formais e separa\u00e7\u00e3o de par\u00e1grafos para mais f\u00e1cil leitura:O professor Luciano Gualberto, nasceu em 14 de janeiro de 1883, em Petr\u00f3polis, Estado do Rio de Janeiro. Fez seus primeiros estudos nos Col\u00e9gios S\u00e3o Vicente de Paulo e S\u00e3o Lu\u00eds.Diplomou-se pela Faculdade de Medicina em 1907. Viajou para a Europa, onde permaneceu por muito tempo estudando com Seguem, Marion, Victor Pauchet e Layte Pozzi, al\u00e9m de ter sido assistente de professores famosos em Roma e Floren\u00e7a.Vindo para S\u00e3o Paulo, foi assistente dos professores Arnaldo Vieira de Carvalho, Alves de Lima e Alfonso Bovero. Ap\u00f3s provas brilhantes, alcan\u00e7ou em primeiro lugar a c\u00e1tedra de Ginecologia da Faculdade de Medicina. Foi professor de anatomia, m\u00e9dico-cirurgi\u00e3o da cl\u00ednica urol\u00f3gica.Ocupou importantes cargos administrativos no setor universit\u00e1rio, entre os quais o de membro do Conselho Universit\u00e1rio, chefe do servi\u00e7o da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia e Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo. Grande cirurgi\u00e3o, foi cirurgi\u00e3o-chefe do Hospital das Cl\u00ednicas, Hospital Municipal, Pronto Socorro da Cruz Vermelha, Hospital da For\u00e7a P\u00fablica, e nos hospitais da frente de combate durante a grande guerra.Membro de v\u00e1rias academias e sociedades de medicina, possu\u00eda diversas condecora\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos honor\u00edficos. Pol\u00edtico militante, foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito interino da Capital paulista, al\u00e9m de presidente da Via\u00e7\u00e3o A\u00e9rea S\u00e3o Paulo S.A. \u2013 VASP.Como escritor, deixou diversos romances e volumes de poesias, tais como: A Sociedade Moderna; O homem que perdeu a F\u00e9; Gondola Azul e Torre de Babel. Cientista, escreveu trabalhos de grande valor. Faleceu em 21 de setembro de 1959.A sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria o torna membro da Academia Paulista de Letras de 1941 at\u00e9 seu falecimento, em 1959. Foi o segundo ocupante da cadeira no. 29, cujo patrono \u00e9 Paulo Eir\u00f3. Anos mais tarde, a cadeira passa a ser ocupada por um not\u00e1vel colega da FEA, professor Jos\u00e9 Pastore, do Departamento de Economia, a quem por vezes encontro tamb\u00e9m num dos concertos apresentados na Sala S\u00e3o Paulo.Em seu discurso de posse ele faz uma importante men\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria de Luciano Gualberto, reproduzida a seguir:Valdomiro Silveira foi sucedido por Luciano Gualberto, um extraordin\u00e1rio m\u00e9dico e administrador p\u00fablico que, dentre os v\u00e1rios cargos que ocupou, destaco o de Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo.Mas Gualberto fora colaborador de Arnaldo Vieira de Carvalho e Alfonso Bovero na cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina da mesma Universidade. Especializou-se em urologia, tendo escrito e traduzido in\u00fameras obras nesse campo.Al\u00e9m de sua compet\u00eancia cient\u00edfica, Luciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade.A veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u201cA Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u201d. Inspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados. Mas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje.Os acidentes da \u00e9poca eram devastadores devido \u00e0 rudeza do ferramental da agricultura, ao fogo err\u00e1tico das forjarias, aos perigosos andaimes da constru\u00e7\u00e3o civil e tantos outros fatores de risco. A devasta\u00e7\u00e3o permaneceu por v\u00e1rios anos. N\u00e3o muito distante, ao longo da d\u00e9cada de 90, 39 mil brasileiros que sa\u00edram de casa para trabalhar, n\u00e3o voltaram. Morreram trabalhando: 39 mil em dez anos!Esses s\u00e3o os casos notificados. At\u00e9 hoje, a grande maioria dos acidentes de trabalho n\u00e3o \u00e9 notificada. Os estragos s\u00e3o brutais para os trabalhadores, as fam\u00edlias e a economia do pa\u00eds. Pesquisa recente mostrou que os acidentes do trabalho custam ao Brasil 25 bilh\u00f5es de reais por ano! S\u00e3o 100 bilh\u00f5es de reais a cada quatro anos (11). Uma f\u00e1bula de recursos! Sem contar a dor, o sofrimento e as vidas, que, evidentemente, n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o.Nos \u00faltimos tempos, os n\u00fameros melhoraram. Efici\u00eancia? N\u00e3o, infelizmente. \u00c9 ir\u00f4nico dizer que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de acidentes resultou, em grande parte, de uma lei que desestimulou a notifica\u00e7\u00e3o por parte das empresas (Lei 6.367 de 1976). Um absurdo.No Brasil \u00e9 assim. Quando a febre est\u00e1 muito alta, troca-se o term\u00f4metro\u2026 Na infla\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se o mesmo. Quando o pre\u00e7o do chuchu dispara, tira-se o chuchu da lista do custo de vida. E a infla\u00e7\u00e3o baixa. \u00c9 assim que os tecnocratas demonstram a sua genial criatividade\u2026Al\u00e9m de m\u00e9dico e professor, Luciano Gualberto foi um homem de vida p\u00fablica e de a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica, como era o seu jeito de ser \u2013 sempre falante, direto e contundente.Foi vereador em tr\u00eas legislaturas, deputado estadual, vice-prefeito, prefeito interino e secret\u00e1rio da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.Sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o foram suas grandes paix\u00f5es. Perd\u00e3o. N\u00e3o posso omitir a sua voca\u00e7\u00e3o de poeta \u2013 poeta das horas vagas, como se auto-definia. Ele costumava brincar, dizendo que suas poesias sa\u00edam sempre de \u201cp\u00e9 quebrado\u201d porque, como urologista, n\u00e3o dominava as ferramentas dos ortopedistas\u2026Pura mod\u00e9stia. As cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias de Luciano Gualberto foram simples, mas retrataram seu diuturno conv\u00edvio com o sofrimento humano nas cl\u00ednicas, nos centros de sa\u00fade e nos hospitais, como se nota nos seguintes versos:Eu conhe\u00e7o o sabor da l\u00e1grima e do riso,Tenho rido e chorado e, assim, dessa maneira,Ora tendo o caminho eri\u00e7ado, ora liso,Senti as sensa\u00e7\u00f5es de uma exist\u00eancia inteira.Chamo a aten\u00e7\u00e3o a aspectos da vida de Luciano Gualberto que o professor Pastore destaca. Eles enfatizam quest\u00f5es centrais tamb\u00e9m da trajet\u00f3ria do homenageador, um soci\u00f3logo internacionalmente reconhecido pelos seus estudos e atua\u00e7\u00e3o como intelectual p\u00fablico no campo da economia do trabalho e das rela\u00e7\u00f5es do trabalho.Afinidades acad\u00eamicasN\u00e3o tive oportunidade de interagir com o professor Luciano, pois tinha apenas 11 anos quando do seu passamento. Contudo, identifico algumas afinidades, al\u00e9m naturalmente do fato de termos ambos encontrado na Universidade de S\u00e3o Paulo o ambiente ideal para desenvolvimento pessoal e contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade ampla. Valho-me da resenha feita pelo professor Pastore, da qual extraio alguns trechos.Sobre a fun\u00e7\u00e3o do professor universit\u00e1rio: \u201cLuciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade\u201d.Se sou ou n\u00e3o bom professor e orientador deixo por conta dos\/as que tive o privil\u00e9gio de ter como alunos\/as e orientado\/as. Mas, como Luciano, entremeio as aulas com est\u00f3rias. Em algumas busco expor os estudantes aos contextos relevantes em que teorias foram propostas, t\u00e9cnicas foram desenvolvidas e inova\u00e7\u00f5es emergiram. Destaco sempre o \u201cfator Quem\u201d: por exemplo, qual foi a trajet\u00f3ria pessoal e a jornada profissional de Jorge S\u00e1bato que o levaram a propor o modelo trino pioneiro para gera\u00e7\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico e social a partir da Ci\u00eancia, tr\u00eas d\u00e9cadas antes da hoje dominante H\u00e9lice Tr\u00edplice. O importante no processo de ensino-aprendizagem \u00e9 integrar logos, p\u00e1thos e ethos.Sobre a responsabilidade social do professor universit\u00e1rio: \u201cA veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u2018A Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u2019\u201d.Cedo tamb\u00e9m entendi a multidimensionalidade do papel do engenheiro. Tendo declinado do convite para ser docente da Poli logo ap\u00f3s me formar, com o algo ing\u00eanuo argumento de que \u201cantes de ser professor de engenharia precisava ser engenheiro\u201d, fui admitido numa das principais empresas de engenharia consultiva do Brasil. Coincidindo com Luciano, o meu primeiro texto publicado mostrava o tamanho da trag\u00e9dia dos acidentes do trabalho e doen\u00e7as profissionais no Brasil no come\u00e7o dos anos 1970, tema n\u00e3o muito apreciado no regime autorit\u00e1rio de ent\u00e3o.Sobre a transla\u00e7\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico em pol\u00edticas p\u00fablicas: \u201cInspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados.\u201d.N\u00e3o tenho a ilus\u00e3o de que o modesto artigo de engenheiro rec\u00e9m-formado tenha impulsionado uma pol\u00edtica p\u00fablica em defesa dos trabalhadores. Mas desde sempre considerei a frutifica\u00e7\u00e3o do conhecimento gerado na universidade em inova\u00e7\u00f5es transformadoras um dos eixos direcionadores do meu papel de gestor ao longo da jornada uspiana, especialmente na coordena\u00e7\u00e3o da Cecae e do PGT, assim como na dire\u00e7\u00e3o do IEA. E, \u00e7a va sans dire, tamb\u00e9m quando fui dirigente do IPT, institui\u00e7\u00e3o particularmente bem-posicionada para esse mister. Um exemplo concreto \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o pelo Instituto do \u201cEspa\u00e7o Tecnologia\u201d na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo.Sobre a demora para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil: \u201cMas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje\u201d.Esposo id\u00eantico assombro. Ele \u00e9 objeto de um dos cap\u00edtulos do livro \u201cVencer\u00e1s pela Ci\u00eancia, Transformaremos pela Inova\u00e7\u00e3o\u201d, uma das obras alusivas aos 90 anos da USP a ser publicada pela Edusp em 2025.E agora?A Universidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva intergeracional. Assim, estendo a evidencia\u00e7\u00e3o das afinidades acad\u00eamicas ao professor Jos\u00e9 Pastore, j\u00e1 mencionado acima. Ap\u00f3s fazer as homenagens de praxe aos ocupantes anteriores da cadeira no. 29, inclusive Luciano Gualberto, ele exp\u00f5e um pouquinho da sua pessoa.Sobre a decis\u00e3o de ser professor-s\u00eanior: \u201cEspero que o meu atrevimento seja compreendido como um gesto de quem deseja aprender. Ali\u00e1s, eu estava ainda aprendendo quando dei a \u00faltima aula na Universidade de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o me conformei com a aposentadoria. Voltei a lecionar e a ouvir os alunos. Meus colegas apoiaram\u201d.Fui beneficiado pelo projeto do preclaro senador Jos\u00e9 Serra, que estende os efeitos da chamada PEC da Bengala a todos os servidores p\u00fablicos da Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios. Em decorr\u00eancia, a idade da aposentadoria obrigat\u00f3ria no funcionalismo p\u00fablico passou a ser 75 anos e n\u00e3o mais 70, assim como aconteceu com os ministros do Supremo Tribunal Federal. Poderia me aposentar bem antes, por estar na pitoresca condi\u00e7\u00e3o conhecida no jarg\u00e3o acad\u00eamico como \u201cp\u00e9 na cova\u201d. Em termos menos f\u00fanebres, havia reunido todas as condi\u00e7\u00f5es para me aposentar com percep\u00e7\u00e3o integral (e paridade) de vencimentos.N\u00e3o tive d\u00favida em continuar com a qu\u00e1drupla vincula\u00e7\u00e3o (Poli, FEA, IEA e InovaUSP). E ganhei um ano de b\u00f4nus, por ser diretor do IEA selecionado num processo eletivo, podendo cumprir o mandato at\u00e9 o final.Quando chegou a hora inapel\u00e1vel de t\u00e9rmino do servi\u00e7o ativo, tive a ventura de, como Pastore, receber o apoio carinhoso de colegas e de dirigentes para me tornar professor-s\u00eanior. Como alertado pelo sol\u00edcito colega do Departamento de Recursos Humanos, com o efeito colateral de preju\u00edzo de vencimentos, pela perda do adicional de perman\u00eancia.Sobre o futuro na Universidade: \u201cEles t\u00eam raz\u00e3o. O ser humano que para de aprender vira obsoleto, tenha ele 20, 30, 40 ou 50 anos. Quero seguir o exemplo deste grande brasileiro, Miguel Reale, que, com 93 anos, n\u00e3o desiste de aprender e, por isso, n\u00e3o para de ensinar. \u00c9 esta sede de aprender e este impulso de ensinar que me levaram a escolher Vossa Excel\u00eancia, caro Professor, para me receber nesta Academia. Este \u00e9, sem d\u00favida, um dos momentos mais felizes de minha vida\u201d.Imbu\u00eddo da mesma ideia de lifelong learning e inspirado no lema do saudoso doutor Jos\u00e9 Mindlin (\u201cN\u00e3o fa\u00e7o nada sem alegria\u201d), permane\u00e7o professor da USP. Espero gozar de sa\u00fade de corpo e mente para continuar a aprender e contribuir \u00e0 USP e, por meio dela, ajudar a reparar o mundo, seguindo a diretriz judaica de tikun olam que me acompanha desde a inf\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19483,"comment_status":"close","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-20905","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fonte-da-educacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Topon\u00edmia uspiana - CGC<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Topon\u00edmia uspiana - CGC\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Guilherme Ary Plonski, professor s\u00eanior da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria (FEA) e da Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da USPTopon\u00edmia uspianaO professor Fl\u00e1vio Fava de Moraes foi o primeiro Reitor com quem tive o prazer de trabalhar diretamente, a partir de fevereiro de 1994, quando assumi a coordena\u00e7\u00e3o da Coordenadoria Executiva de Coopera\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria e de Atividades Especiais (Cecae), \u00f3rg\u00e3o recente, vinculado \u00e0 Reitoria. Af\u00e1vel, acolhedor e sereno, surpreendia-nos frequentemente com observa\u00e7\u00f5es espirituosas e, ao mesmo tempo, ilustradas.Uma delas, perto do final de sua gest\u00e3o, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o gostaria de ser homenageado pela nomina\u00e7\u00e3o de uma das vias da Cidade Universit\u00e1ria, pois elas carregavam os nomes de reitores mortos\u2026De fato, ressalvadas algumas denomina\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas (como \u201cPra\u00e7a do Rel\u00f3gio\u201d e \u201cRua do Mat\u00e3o\u201d), as avenidas e pra\u00e7as recebem tipicamente os nomes de reitores falecidos que exerceram o mandato antes da ocupa\u00e7\u00e3o da Cidade Universit\u00e1ria \u201cArmando de Salles Oliveira\u201d pela USP. Esta ocorre a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1950.Cabe observar que o Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas do Estado de S\u00e3o Paulo (IPT) \u00e9 o primeiro ocupante da Cidade Universit\u00e1ria, para onde come\u00e7ou a se mudar em 1937. A constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio Adriano Marchini, seu ic\u00f4nico edif\u00edcio-sede, inicia em 1947 e conclui em 1953. A USP chega mais tarde; os relatos verbais indicam que os primeiros servidores da USP a se instalarem ali utilizavam como local de almo\u00e7o o refeit\u00f3rio do IPT, ent\u00e3o o \u00fanico dispon\u00edvel no campus.H\u00e1 duas exce\u00e7\u00f5es na topon\u00edmia uspiana. Uma \u00e9 a Avenida Orlando Marques de Paiva, em que se situa a Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (FMVZ). A sua gest\u00e3o reitoral transcorreu no per\u00edodo 1973-1977, em que a Cidade Universit\u00e1ria j\u00e1 estava intensamente ocupada. D\u2019ailleurs, o homenageado foi docente e diretor da FMVZ.A outra exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a pra\u00e7a em frente ao port\u00e3o de entrada do IPT. Ela reverencia o engenheiro-arquiteto paulistano Francisco de Paula Ramos de Azevedo, respons\u00e1vel por projetos ic\u00f4nicos como o Teatro Municipal, o Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a e o Liceu de Artes e Of\u00edcios (atual Pinacoteca). Foi, ademais, um dos fundadores da Escola Polit\u00e9cnica (Poli), incorporada \u00e0 USP em 1934. Diferentemente dos demais nominados nas vias do campus, ele n\u00e3o foi reitor da USP, nem poderia ter sido, pois faleceu antes da cria\u00e7\u00e3o da Universidade.O vis\u00edvel monumento de 22 toneladas e 25 metros de altura, que estava originalmente instalado na avenida Tiradentes, em frente ao Liceu e perto das antigas instala\u00e7\u00f5es da Poli, teve que ser desmontado para a constru\u00e7\u00e3o da linha pioneira do Metr\u00f4. Como s\u00f3i acontecer nestas plagas, seus peda\u00e7os ficaram encostados por alguns anos num barrac\u00e3o da Pinacoteca, at\u00e9 que fosse decidido o que fazer. Num ato de justi\u00e7a po\u00e9tica, a obra, que havia sido inaugurada no ano de cria\u00e7\u00e3o da USP, acabou acompanhando a mudan\u00e7a da Poli e est\u00e1, remontada, na Cidade Universit\u00e1ria.A \u201cminha\u201d viaNo momento da escrita deste depoimento, tenho 47 anos de atua\u00e7\u00e3o como servidor docente da Universidade. Todos os envolvimentos transcorrem nas imedia\u00e7\u00f5es de uma \u00fanica via, a Avenida Professor Luciano Gualberto, que foi reitor no bi\u00eanio 1950-1951. Seguindo a numera\u00e7\u00e3o crescente da via, minhas atividades ocorrem em seis locais:1) O pr\u00e9dio da antiga \u201cNova Reitoria\u201d, onde se localiza o Instituto de Estudos Avan\u00e7ados, do qual sou professor s\u00eanior, ap\u00f3s ser conselheiro, vice-diretor e diretor. Ali tamb\u00e9m atuei na implementa\u00e7\u00e3o da Escola T\u00e9cnica e de Gest\u00e3o da USP (Escola USP), da qual fui o primeiro coordenador;2) O pr\u00e9dio atual da Reitoria, onde coordenei a Cecae (na ocasi\u00e3o o pr\u00e9dio era denominado \u201cAntiga Reitoria\u201d);3) O pr\u00e9dio do Centro de Inova\u00e7\u00e3o da USP (InovaUSP), do qual fui vice-coordenador em duas gest\u00f5es reitorais;4) O pr\u00e9dio da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria (FEA), onde sou professor-s\u00eanior, ap\u00f3s d\u00e9cadas de doc\u00eancia ativa no Departamento de Administra\u00e7\u00e3o. Fui tamb\u00e9m coordenador cient\u00edfico do N\u00facleo de Pol\u00edtica e Gest\u00e3o da USP (PGT), ali sediado;5) O \u201cpr\u00e9dio do Bi\u00eanio\u201d da Escola Polit\u00e9cnica, onde se localiza o Departamento de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, do qual fui docente ativo por v\u00e1rias d\u00e9cadas; e6) O complexo do IPT, do qual fui Diretor Superintendente por nomea\u00e7\u00e3o do Governador. Embora legalmente afastado, continuei a ministrar aulas na Poli e na FEA, assim como a orientar disc\u00edpulos.Mas quem foi Luciano Gualberto?Curiosamente, h\u00e1 tamb\u00e9m uma via hom\u00f4nima \u00e0 do meu conv\u00edvio cotidiano no campus. \u00c9 a rua Professor Luciano Gualberto no bairro do Jardim Morumbi. O logradouro, originalmente denominado \u201cRua 3\u201d, foi oficializado pelo Prefeito Jos\u00e9 Vicente de Faria Lima pelo Decreto n\u00ba 6.512, de 17 de junho de 1966. Ali se determina que na placa deve constar o dizer \u201cM\u00e9dico Em\u00e9rito\u201d.O Dicion\u00e1rio de Ruas, plataforma do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre os nomes das vias da cidade de S\u00e3o Paulo, se estende sobre a sua biografia, aqui transcrita com pequenas corre\u00e7\u00f5es formais e separa\u00e7\u00e3o de par\u00e1grafos para mais f\u00e1cil leitura:O professor Luciano Gualberto, nasceu em 14 de janeiro de 1883, em Petr\u00f3polis, Estado do Rio de Janeiro. Fez seus primeiros estudos nos Col\u00e9gios S\u00e3o Vicente de Paulo e S\u00e3o Lu\u00eds.Diplomou-se pela Faculdade de Medicina em 1907. Viajou para a Europa, onde permaneceu por muito tempo estudando com Seguem, Marion, Victor Pauchet e Layte Pozzi, al\u00e9m de ter sido assistente de professores famosos em Roma e Floren\u00e7a.Vindo para S\u00e3o Paulo, foi assistente dos professores Arnaldo Vieira de Carvalho, Alves de Lima e Alfonso Bovero. Ap\u00f3s provas brilhantes, alcan\u00e7ou em primeiro lugar a c\u00e1tedra de Ginecologia da Faculdade de Medicina. Foi professor de anatomia, m\u00e9dico-cirurgi\u00e3o da cl\u00ednica urol\u00f3gica.Ocupou importantes cargos administrativos no setor universit\u00e1rio, entre os quais o de membro do Conselho Universit\u00e1rio, chefe do servi\u00e7o da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia e Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo. Grande cirurgi\u00e3o, foi cirurgi\u00e3o-chefe do Hospital das Cl\u00ednicas, Hospital Municipal, Pronto Socorro da Cruz Vermelha, Hospital da For\u00e7a P\u00fablica, e nos hospitais da frente de combate durante a grande guerra.Membro de v\u00e1rias academias e sociedades de medicina, possu\u00eda diversas condecora\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos honor\u00edficos. Pol\u00edtico militante, foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito interino da Capital paulista, al\u00e9m de presidente da Via\u00e7\u00e3o A\u00e9rea S\u00e3o Paulo S.A. \u2013 VASP.Como escritor, deixou diversos romances e volumes de poesias, tais como: A Sociedade Moderna; O homem que perdeu a F\u00e9; Gondola Azul e Torre de Babel. Cientista, escreveu trabalhos de grande valor. Faleceu em 21 de setembro de 1959.A sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria o torna membro da Academia Paulista de Letras de 1941 at\u00e9 seu falecimento, em 1959. Foi o segundo ocupante da cadeira no. 29, cujo patrono \u00e9 Paulo Eir\u00f3. Anos mais tarde, a cadeira passa a ser ocupada por um not\u00e1vel colega da FEA, professor Jos\u00e9 Pastore, do Departamento de Economia, a quem por vezes encontro tamb\u00e9m num dos concertos apresentados na Sala S\u00e3o Paulo.Em seu discurso de posse ele faz uma importante men\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria de Luciano Gualberto, reproduzida a seguir:Valdomiro Silveira foi sucedido por Luciano Gualberto, um extraordin\u00e1rio m\u00e9dico e administrador p\u00fablico que, dentre os v\u00e1rios cargos que ocupou, destaco o de Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo.Mas Gualberto fora colaborador de Arnaldo Vieira de Carvalho e Alfonso Bovero na cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina da mesma Universidade. Especializou-se em urologia, tendo escrito e traduzido in\u00fameras obras nesse campo.Al\u00e9m de sua compet\u00eancia cient\u00edfica, Luciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade.A veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u201cA Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u201d. Inspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados. Mas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje.Os acidentes da \u00e9poca eram devastadores devido \u00e0 rudeza do ferramental da agricultura, ao fogo err\u00e1tico das forjarias, aos perigosos andaimes da constru\u00e7\u00e3o civil e tantos outros fatores de risco. A devasta\u00e7\u00e3o permaneceu por v\u00e1rios anos. N\u00e3o muito distante, ao longo da d\u00e9cada de 90, 39 mil brasileiros que sa\u00edram de casa para trabalhar, n\u00e3o voltaram. Morreram trabalhando: 39 mil em dez anos!Esses s\u00e3o os casos notificados. At\u00e9 hoje, a grande maioria dos acidentes de trabalho n\u00e3o \u00e9 notificada. Os estragos s\u00e3o brutais para os trabalhadores, as fam\u00edlias e a economia do pa\u00eds. Pesquisa recente mostrou que os acidentes do trabalho custam ao Brasil 25 bilh\u00f5es de reais por ano! S\u00e3o 100 bilh\u00f5es de reais a cada quatro anos (11). Uma f\u00e1bula de recursos! Sem contar a dor, o sofrimento e as vidas, que, evidentemente, n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o.Nos \u00faltimos tempos, os n\u00fameros melhoraram. Efici\u00eancia? N\u00e3o, infelizmente. \u00c9 ir\u00f4nico dizer que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de acidentes resultou, em grande parte, de uma lei que desestimulou a notifica\u00e7\u00e3o por parte das empresas (Lei 6.367 de 1976). Um absurdo.No Brasil \u00e9 assim. Quando a febre est\u00e1 muito alta, troca-se o term\u00f4metro\u2026 Na infla\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se o mesmo. Quando o pre\u00e7o do chuchu dispara, tira-se o chuchu da lista do custo de vida. E a infla\u00e7\u00e3o baixa. \u00c9 assim que os tecnocratas demonstram a sua genial criatividade\u2026Al\u00e9m de m\u00e9dico e professor, Luciano Gualberto foi um homem de vida p\u00fablica e de a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica, como era o seu jeito de ser \u2013 sempre falante, direto e contundente.Foi vereador em tr\u00eas legislaturas, deputado estadual, vice-prefeito, prefeito interino e secret\u00e1rio da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.Sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o foram suas grandes paix\u00f5es. Perd\u00e3o. N\u00e3o posso omitir a sua voca\u00e7\u00e3o de poeta \u2013 poeta das horas vagas, como se auto-definia. Ele costumava brincar, dizendo que suas poesias sa\u00edam sempre de \u201cp\u00e9 quebrado\u201d porque, como urologista, n\u00e3o dominava as ferramentas dos ortopedistas\u2026Pura mod\u00e9stia. As cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias de Luciano Gualberto foram simples, mas retrataram seu diuturno conv\u00edvio com o sofrimento humano nas cl\u00ednicas, nos centros de sa\u00fade e nos hospitais, como se nota nos seguintes versos:Eu conhe\u00e7o o sabor da l\u00e1grima e do riso,Tenho rido e chorado e, assim, dessa maneira,Ora tendo o caminho eri\u00e7ado, ora liso,Senti as sensa\u00e7\u00f5es de uma exist\u00eancia inteira.Chamo a aten\u00e7\u00e3o a aspectos da vida de Luciano Gualberto que o professor Pastore destaca. Eles enfatizam quest\u00f5es centrais tamb\u00e9m da trajet\u00f3ria do homenageador, um soci\u00f3logo internacionalmente reconhecido pelos seus estudos e atua\u00e7\u00e3o como intelectual p\u00fablico no campo da economia do trabalho e das rela\u00e7\u00f5es do trabalho.Afinidades acad\u00eamicasN\u00e3o tive oportunidade de interagir com o professor Luciano, pois tinha apenas 11 anos quando do seu passamento. Contudo, identifico algumas afinidades, al\u00e9m naturalmente do fato de termos ambos encontrado na Universidade de S\u00e3o Paulo o ambiente ideal para desenvolvimento pessoal e contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade ampla. Valho-me da resenha feita pelo professor Pastore, da qual extraio alguns trechos.Sobre a fun\u00e7\u00e3o do professor universit\u00e1rio: \u201cLuciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade\u201d.Se sou ou n\u00e3o bom professor e orientador deixo por conta dos\/as que tive o privil\u00e9gio de ter como alunos\/as e orientado\/as. Mas, como Luciano, entremeio as aulas com est\u00f3rias. Em algumas busco expor os estudantes aos contextos relevantes em que teorias foram propostas, t\u00e9cnicas foram desenvolvidas e inova\u00e7\u00f5es emergiram. Destaco sempre o \u201cfator Quem\u201d: por exemplo, qual foi a trajet\u00f3ria pessoal e a jornada profissional de Jorge S\u00e1bato que o levaram a propor o modelo trino pioneiro para gera\u00e7\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico e social a partir da Ci\u00eancia, tr\u00eas d\u00e9cadas antes da hoje dominante H\u00e9lice Tr\u00edplice. O importante no processo de ensino-aprendizagem \u00e9 integrar logos, p\u00e1thos e ethos.Sobre a responsabilidade social do professor universit\u00e1rio: \u201cA veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u2018A Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u2019\u201d.Cedo tamb\u00e9m entendi a multidimensionalidade do papel do engenheiro. Tendo declinado do convite para ser docente da Poli logo ap\u00f3s me formar, com o algo ing\u00eanuo argumento de que \u201cantes de ser professor de engenharia precisava ser engenheiro\u201d, fui admitido numa das principais empresas de engenharia consultiva do Brasil. Coincidindo com Luciano, o meu primeiro texto publicado mostrava o tamanho da trag\u00e9dia dos acidentes do trabalho e doen\u00e7as profissionais no Brasil no come\u00e7o dos anos 1970, tema n\u00e3o muito apreciado no regime autorit\u00e1rio de ent\u00e3o.Sobre a transla\u00e7\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico em pol\u00edticas p\u00fablicas: \u201cInspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados.\u201d.N\u00e3o tenho a ilus\u00e3o de que o modesto artigo de engenheiro rec\u00e9m-formado tenha impulsionado uma pol\u00edtica p\u00fablica em defesa dos trabalhadores. Mas desde sempre considerei a frutifica\u00e7\u00e3o do conhecimento gerado na universidade em inova\u00e7\u00f5es transformadoras um dos eixos direcionadores do meu papel de gestor ao longo da jornada uspiana, especialmente na coordena\u00e7\u00e3o da Cecae e do PGT, assim como na dire\u00e7\u00e3o do IEA. E, \u00e7a va sans dire, tamb\u00e9m quando fui dirigente do IPT, institui\u00e7\u00e3o particularmente bem-posicionada para esse mister. Um exemplo concreto \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o pelo Instituto do \u201cEspa\u00e7o Tecnologia\u201d na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo.Sobre a demora para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil: \u201cMas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje\u201d.Esposo id\u00eantico assombro. Ele \u00e9 objeto de um dos cap\u00edtulos do livro \u201cVencer\u00e1s pela Ci\u00eancia, Transformaremos pela Inova\u00e7\u00e3o\u201d, uma das obras alusivas aos 90 anos da USP a ser publicada pela Edusp em 2025.E agora?A Universidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva intergeracional. Assim, estendo a evidencia\u00e7\u00e3o das afinidades acad\u00eamicas ao professor Jos\u00e9 Pastore, j\u00e1 mencionado acima. Ap\u00f3s fazer as homenagens de praxe aos ocupantes anteriores da cadeira no. 29, inclusive Luciano Gualberto, ele exp\u00f5e um pouquinho da sua pessoa.Sobre a decis\u00e3o de ser professor-s\u00eanior: \u201cEspero que o meu atrevimento seja compreendido como um gesto de quem deseja aprender. Ali\u00e1s, eu estava ainda aprendendo quando dei a \u00faltima aula na Universidade de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o me conformei com a aposentadoria. Voltei a lecionar e a ouvir os alunos. Meus colegas apoiaram\u201d.Fui beneficiado pelo projeto do preclaro senador Jos\u00e9 Serra, que estende os efeitos da chamada PEC da Bengala a todos os servidores p\u00fablicos da Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios. Em decorr\u00eancia, a idade da aposentadoria obrigat\u00f3ria no funcionalismo p\u00fablico passou a ser 75 anos e n\u00e3o mais 70, assim como aconteceu com os ministros do Supremo Tribunal Federal. Poderia me aposentar bem antes, por estar na pitoresca condi\u00e7\u00e3o conhecida no jarg\u00e3o acad\u00eamico como \u201cp\u00e9 na cova\u201d. Em termos menos f\u00fanebres, havia reunido todas as condi\u00e7\u00f5es para me aposentar com percep\u00e7\u00e3o integral (e paridade) de vencimentos.N\u00e3o tive d\u00favida em continuar com a qu\u00e1drupla vincula\u00e7\u00e3o (Poli, FEA, IEA e InovaUSP). E ganhei um ano de b\u00f4nus, por ser diretor do IEA selecionado num processo eletivo, podendo cumprir o mandato at\u00e9 o final.Quando chegou a hora inapel\u00e1vel de t\u00e9rmino do servi\u00e7o ativo, tive a ventura de, como Pastore, receber o apoio carinhoso de colegas e de dirigentes para me tornar professor-s\u00eanior. Como alertado pelo sol\u00edcito colega do Departamento de Recursos Humanos, com o efeito colateral de preju\u00edzo de vencimentos, pela perda do adicional de perman\u00eancia.Sobre o futuro na Universidade: \u201cEles t\u00eam raz\u00e3o. O ser humano que para de aprender vira obsoleto, tenha ele 20, 30, 40 ou 50 anos. Quero seguir o exemplo deste grande brasileiro, Miguel Reale, que, com 93 anos, n\u00e3o desiste de aprender e, por isso, n\u00e3o para de ensinar. \u00c9 esta sede de aprender e este impulso de ensinar que me levaram a escolher Vossa Excel\u00eancia, caro Professor, para me receber nesta Academia. Este \u00e9, sem d\u00favida, um dos momentos mais felizes de minha vida\u201d.Imbu\u00eddo da mesma ideia de lifelong learning e inspirado no lema do saudoso doutor Jos\u00e9 Mindlin (\u201cN\u00e3o fa\u00e7o nada sem alegria\u201d), permane\u00e7o professor da USP. Espero gozar de sa\u00fade de corpo e mente para continuar a aprender e contribuir \u00e0 USP e, por meio dela, ajudar a reparar o mundo, seguindo a diretriz judaica de tikun olam que me acompanha desde a inf\u00e2ncia.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CGC\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\/?locale=pt_BR\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2025-01-22T13:07:39+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2025-02-20T18:24:05+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"100\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@cgceducacao\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"cgceducacao\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2025\\\/01\\\/22\\\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"cgceducacao\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/253bcacdd19ebc1e3b905c209b34d968\"},\"headline\":\"Topon\u00edmia uspiana\",\"datePublished\":\"2025-01-22T13:07:39+00:00\",\"dateModified\":\"2025-02-20T18:24:05+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2025\\\/01\\\/22\\\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\\\/\"},\"wordCount\":3002,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/#organization\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/05\\\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg\",\"articleSection\":[\"Fonte da Educa\u00e7\u00e3o\"],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cgceducacao.com.br\\\/index.php\\\/2025\\\/01\\\/22\\\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www5.usp.br\\\/minha-historia-com-a-usp\\\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\\\/\",\"name\":\"Topon\u00edmia uspiana - 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Af\u00e1vel, acolhedor e sereno, surpreendia-nos frequentemente com observa\u00e7\u00f5es espirituosas e, ao mesmo tempo, ilustradas.Uma delas, perto do final de sua gest\u00e3o, \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o gostaria de ser homenageado pela nomina\u00e7\u00e3o de uma das vias da Cidade Universit\u00e1ria, pois elas carregavam os nomes de reitores mortos\u2026De fato, ressalvadas algumas denomina\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas (como \u201cPra\u00e7a do Rel\u00f3gio\u201d e \u201cRua do Mat\u00e3o\u201d), as avenidas e pra\u00e7as recebem tipicamente os nomes de reitores falecidos que exerceram o mandato antes da ocupa\u00e7\u00e3o da Cidade Universit\u00e1ria \u201cArmando de Salles Oliveira\u201d pela USP. Esta ocorre a partir da segunda metade da d\u00e9cada de 1950.Cabe observar que o Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas do Estado de S\u00e3o Paulo (IPT) \u00e9 o primeiro ocupante da Cidade Universit\u00e1ria, para onde come\u00e7ou a se mudar em 1937. A constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio Adriano Marchini, seu ic\u00f4nico edif\u00edcio-sede, inicia em 1947 e conclui em 1953. A USP chega mais tarde; os relatos verbais indicam que os primeiros servidores da USP a se instalarem ali utilizavam como local de almo\u00e7o o refeit\u00f3rio do IPT, ent\u00e3o o \u00fanico dispon\u00edvel no campus.H\u00e1 duas exce\u00e7\u00f5es na topon\u00edmia uspiana. Uma \u00e9 a Avenida Orlando Marques de Paiva, em que se situa a Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia (FMVZ). A sua gest\u00e3o reitoral transcorreu no per\u00edodo 1973-1977, em que a Cidade Universit\u00e1ria j\u00e1 estava intensamente ocupada. D\u2019ailleurs, o homenageado foi docente e diretor da FMVZ.A outra exce\u00e7\u00e3o \u00e9 a pra\u00e7a em frente ao port\u00e3o de entrada do IPT. Ela reverencia o engenheiro-arquiteto paulistano Francisco de Paula Ramos de Azevedo, respons\u00e1vel por projetos ic\u00f4nicos como o Teatro Municipal, o Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a e o Liceu de Artes e Of\u00edcios (atual Pinacoteca). Foi, ademais, um dos fundadores da Escola Polit\u00e9cnica (Poli), incorporada \u00e0 USP em 1934. Diferentemente dos demais nominados nas vias do campus, ele n\u00e3o foi reitor da USP, nem poderia ter sido, pois faleceu antes da cria\u00e7\u00e3o da Universidade.O vis\u00edvel monumento de 22 toneladas e 25 metros de altura, que estava originalmente instalado na avenida Tiradentes, em frente ao Liceu e perto das antigas instala\u00e7\u00f5es da Poli, teve que ser desmontado para a constru\u00e7\u00e3o da linha pioneira do Metr\u00f4. Como s\u00f3i acontecer nestas plagas, seus peda\u00e7os ficaram encostados por alguns anos num barrac\u00e3o da Pinacoteca, at\u00e9 que fosse decidido o que fazer. Num ato de justi\u00e7a po\u00e9tica, a obra, que havia sido inaugurada no ano de cria\u00e7\u00e3o da USP, acabou acompanhando a mudan\u00e7a da Poli e est\u00e1, remontada, na Cidade Universit\u00e1ria.A \u201cminha\u201d viaNo momento da escrita deste depoimento, tenho 47 anos de atua\u00e7\u00e3o como servidor docente da Universidade. Todos os envolvimentos transcorrem nas imedia\u00e7\u00f5es de uma \u00fanica via, a Avenida Professor Luciano Gualberto, que foi reitor no bi\u00eanio 1950-1951. Seguindo a numera\u00e7\u00e3o crescente da via, minhas atividades ocorrem em seis locais:1) O pr\u00e9dio da antiga \u201cNova Reitoria\u201d, onde se localiza o Instituto de Estudos Avan\u00e7ados, do qual sou professor s\u00eanior, ap\u00f3s ser conselheiro, vice-diretor e diretor. Ali tamb\u00e9m atuei na implementa\u00e7\u00e3o da Escola T\u00e9cnica e de Gest\u00e3o da USP (Escola USP), da qual fui o primeiro coordenador;2) O pr\u00e9dio atual da Reitoria, onde coordenei a Cecae (na ocasi\u00e3o o pr\u00e9dio era denominado \u201cAntiga Reitoria\u201d);3) O pr\u00e9dio do Centro de Inova\u00e7\u00e3o da USP (InovaUSP), do qual fui vice-coordenador em duas gest\u00f5es reitorais;4) O pr\u00e9dio da Faculdade de Economia, Administra\u00e7\u00e3o, Contabilidade e Atu\u00e1ria (FEA), onde sou professor-s\u00eanior, ap\u00f3s d\u00e9cadas de doc\u00eancia ativa no Departamento de Administra\u00e7\u00e3o. Fui tamb\u00e9m coordenador cient\u00edfico do N\u00facleo de Pol\u00edtica e Gest\u00e3o da USP (PGT), ali sediado;5) O \u201cpr\u00e9dio do Bi\u00eanio\u201d da Escola Polit\u00e9cnica, onde se localiza o Departamento de Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, do qual fui docente ativo por v\u00e1rias d\u00e9cadas; e6) O complexo do IPT, do qual fui Diretor Superintendente por nomea\u00e7\u00e3o do Governador. Embora legalmente afastado, continuei a ministrar aulas na Poli e na FEA, assim como a orientar disc\u00edpulos.Mas quem foi Luciano Gualberto?Curiosamente, h\u00e1 tamb\u00e9m uma via hom\u00f4nima \u00e0 do meu conv\u00edvio cotidiano no campus. \u00c9 a rua Professor Luciano Gualberto no bairro do Jardim Morumbi. O logradouro, originalmente denominado \u201cRua 3\u201d, foi oficializado pelo Prefeito Jos\u00e9 Vicente de Faria Lima pelo Decreto n\u00ba 6.512, de 17 de junho de 1966. Ali se determina que na placa deve constar o dizer \u201cM\u00e9dico Em\u00e9rito\u201d.O Dicion\u00e1rio de Ruas, plataforma do Arquivo Hist\u00f3rico Municipal que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre os nomes das vias da cidade de S\u00e3o Paulo, se estende sobre a sua biografia, aqui transcrita com pequenas corre\u00e7\u00f5es formais e separa\u00e7\u00e3o de par\u00e1grafos para mais f\u00e1cil leitura:O professor Luciano Gualberto, nasceu em 14 de janeiro de 1883, em Petr\u00f3polis, Estado do Rio de Janeiro. Fez seus primeiros estudos nos Col\u00e9gios S\u00e3o Vicente de Paulo e S\u00e3o Lu\u00eds.Diplomou-se pela Faculdade de Medicina em 1907. Viajou para a Europa, onde permaneceu por muito tempo estudando com Seguem, Marion, Victor Pauchet e Layte Pozzi, al\u00e9m de ter sido assistente de professores famosos em Roma e Floren\u00e7a.Vindo para S\u00e3o Paulo, foi assistente dos professores Arnaldo Vieira de Carvalho, Alves de Lima e Alfonso Bovero. Ap\u00f3s provas brilhantes, alcan\u00e7ou em primeiro lugar a c\u00e1tedra de Ginecologia da Faculdade de Medicina. Foi professor de anatomia, m\u00e9dico-cirurgi\u00e3o da cl\u00ednica urol\u00f3gica.Ocupou importantes cargos administrativos no setor universit\u00e1rio, entre os quais o de membro do Conselho Universit\u00e1rio, chefe do servi\u00e7o da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia e Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo. Grande cirurgi\u00e3o, foi cirurgi\u00e3o-chefe do Hospital das Cl\u00ednicas, Hospital Municipal, Pronto Socorro da Cruz Vermelha, Hospital da For\u00e7a P\u00fablica, e nos hospitais da frente de combate durante a grande guerra.Membro de v\u00e1rias academias e sociedades de medicina, possu\u00eda diversas condecora\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos honor\u00edficos. Pol\u00edtico militante, foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e prefeito interino da Capital paulista, al\u00e9m de presidente da Via\u00e7\u00e3o A\u00e9rea S\u00e3o Paulo S.A. \u2013 VASP.Como escritor, deixou diversos romances e volumes de poesias, tais como: A Sociedade Moderna; O homem que perdeu a F\u00e9; Gondola Azul e Torre de Babel. Cientista, escreveu trabalhos de grande valor. Faleceu em 21 de setembro de 1959.A sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria o torna membro da Academia Paulista de Letras de 1941 at\u00e9 seu falecimento, em 1959. Foi o segundo ocupante da cadeira no. 29, cujo patrono \u00e9 Paulo Eir\u00f3. Anos mais tarde, a cadeira passa a ser ocupada por um not\u00e1vel colega da FEA, professor Jos\u00e9 Pastore, do Departamento de Economia, a quem por vezes encontro tamb\u00e9m num dos concertos apresentados na Sala S\u00e3o Paulo.Em seu discurso de posse ele faz uma importante men\u00e7\u00e3o \u00e0 trajet\u00f3ria de Luciano Gualberto, reproduzida a seguir:Valdomiro Silveira foi sucedido por Luciano Gualberto, um extraordin\u00e1rio m\u00e9dico e administrador p\u00fablico que, dentre os v\u00e1rios cargos que ocupou, destaco o de Reitor da Universidade de S\u00e3o Paulo.Mas Gualberto fora colaborador de Arnaldo Vieira de Carvalho e Alfonso Bovero na cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina da mesma Universidade. Especializou-se em urologia, tendo escrito e traduzido in\u00fameras obras nesse campo.Al\u00e9m de sua compet\u00eancia cient\u00edfica, Luciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade.A veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u201cA Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u201d. Inspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados. Mas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje.Os acidentes da \u00e9poca eram devastadores devido \u00e0 rudeza do ferramental da agricultura, ao fogo err\u00e1tico das forjarias, aos perigosos andaimes da constru\u00e7\u00e3o civil e tantos outros fatores de risco. A devasta\u00e7\u00e3o permaneceu por v\u00e1rios anos. N\u00e3o muito distante, ao longo da d\u00e9cada de 90, 39 mil brasileiros que sa\u00edram de casa para trabalhar, n\u00e3o voltaram. Morreram trabalhando: 39 mil em dez anos!Esses s\u00e3o os casos notificados. At\u00e9 hoje, a grande maioria dos acidentes de trabalho n\u00e3o \u00e9 notificada. Os estragos s\u00e3o brutais para os trabalhadores, as fam\u00edlias e a economia do pa\u00eds. Pesquisa recente mostrou que os acidentes do trabalho custam ao Brasil 25 bilh\u00f5es de reais por ano! S\u00e3o 100 bilh\u00f5es de reais a cada quatro anos (11). Uma f\u00e1bula de recursos! Sem contar a dor, o sofrimento e as vidas, que, evidentemente, n\u00e3o t\u00eam pre\u00e7o.Nos \u00faltimos tempos, os n\u00fameros melhoraram. Efici\u00eancia? N\u00e3o, infelizmente. \u00c9 ir\u00f4nico dizer que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de acidentes resultou, em grande parte, de uma lei que desestimulou a notifica\u00e7\u00e3o por parte das empresas (Lei 6.367 de 1976). Um absurdo.No Brasil \u00e9 assim. Quando a febre est\u00e1 muito alta, troca-se o term\u00f4metro\u2026 Na infla\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se o mesmo. Quando o pre\u00e7o do chuchu dispara, tira-se o chuchu da lista do custo de vida. E a infla\u00e7\u00e3o baixa. \u00c9 assim que os tecnocratas demonstram a sua genial criatividade\u2026Al\u00e9m de m\u00e9dico e professor, Luciano Gualberto foi um homem de vida p\u00fablica e de a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica, como era o seu jeito de ser \u2013 sempre falante, direto e contundente.Foi vereador em tr\u00eas legislaturas, deputado estadual, vice-prefeito, prefeito interino e secret\u00e1rio da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o.Sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o foram suas grandes paix\u00f5es. Perd\u00e3o. N\u00e3o posso omitir a sua voca\u00e7\u00e3o de poeta \u2013 poeta das horas vagas, como se auto-definia. Ele costumava brincar, dizendo que suas poesias sa\u00edam sempre de \u201cp\u00e9 quebrado\u201d porque, como urologista, n\u00e3o dominava as ferramentas dos ortopedistas\u2026Pura mod\u00e9stia. As cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias de Luciano Gualberto foram simples, mas retrataram seu diuturno conv\u00edvio com o sofrimento humano nas cl\u00ednicas, nos centros de sa\u00fade e nos hospitais, como se nota nos seguintes versos:Eu conhe\u00e7o o sabor da l\u00e1grima e do riso,Tenho rido e chorado e, assim, dessa maneira,Ora tendo o caminho eri\u00e7ado, ora liso,Senti as sensa\u00e7\u00f5es de uma exist\u00eancia inteira.Chamo a aten\u00e7\u00e3o a aspectos da vida de Luciano Gualberto que o professor Pastore destaca. Eles enfatizam quest\u00f5es centrais tamb\u00e9m da trajet\u00f3ria do homenageador, um soci\u00f3logo internacionalmente reconhecido pelos seus estudos e atua\u00e7\u00e3o como intelectual p\u00fablico no campo da economia do trabalho e das rela\u00e7\u00f5es do trabalho.Afinidades acad\u00eamicasN\u00e3o tive oportunidade de interagir com o professor Luciano, pois tinha apenas 11 anos quando do seu passamento. Contudo, identifico algumas afinidades, al\u00e9m naturalmente do fato de termos ambos encontrado na Universidade de S\u00e3o Paulo o ambiente ideal para desenvolvimento pessoal e contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade ampla. Valho-me da resenha feita pelo professor Pastore, da qual extraio alguns trechos.Sobre a fun\u00e7\u00e3o do professor universit\u00e1rio: \u201cLuciano Gualberto foi um agrad\u00e1vel professor, que entremeava suas aulas com est\u00f3rias de muito calor humano. De fato, o bom professor n\u00e3o \u00e9 aquele que s\u00f3 implanta fatos na cabe\u00e7a dos alunos, mas o que provoca neles a curiosidade, a imagina\u00e7\u00e3o e a criatividade\u201d.Se sou ou n\u00e3o bom professor e orientador deixo por conta dos\/as que tive o privil\u00e9gio de ter como alunos\/as e orientado\/as. Mas, como Luciano, entremeio as aulas com est\u00f3rias. Em algumas busco expor os estudantes aos contextos relevantes em que teorias foram propostas, t\u00e9cnicas foram desenvolvidas e inova\u00e7\u00f5es emergiram. Destaco sempre o \u201cfator Quem\u201d: por exemplo, qual foi a trajet\u00f3ria pessoal e a jornada profissional de Jorge S\u00e1bato que o levaram a propor o modelo trino pioneiro para gera\u00e7\u00e3o de desenvolvimento econ\u00f4mico e social a partir da Ci\u00eancia, tr\u00eas d\u00e9cadas antes da hoje dominante H\u00e9lice Tr\u00edplice. O importante no processo de ensino-aprendizagem \u00e9 integrar logos, p\u00e1thos e ethos.Sobre a responsabilidade social do professor universit\u00e1rio: \u201cA veia social do grande mestre despertou cedo. Sua tese de doutoramento, aprovada em 1909, foi sobre \u2018A Prote\u00e7\u00e3o do Oper\u00e1rio em Casos de Acidentes do Trabalho\u2019\u201d.Cedo tamb\u00e9m entendi a multidimensionalidade do papel do engenheiro. Tendo declinado do convite para ser docente da Poli logo ap\u00f3s me formar, com o algo ing\u00eanuo argumento de que \u201cantes de ser professor de engenharia precisava ser engenheiro\u201d, fui admitido numa das principais empresas de engenharia consultiva do Brasil. Coincidindo com Luciano, o meu primeiro texto publicado mostrava o tamanho da trag\u00e9dia dos acidentes do trabalho e doen\u00e7as profissionais no Brasil no come\u00e7o dos anos 1970, tema n\u00e3o muito apreciado no regime autorit\u00e1rio de ent\u00e3o.Sobre a transla\u00e7\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico em pol\u00edticas p\u00fablicas: \u201cInspirado nessa obra, o governo editou um Decreto-Lei (DL 3.724) que tratava da prote\u00e7\u00e3o aos acidentados.\u201d.N\u00e3o tenho a ilus\u00e3o de que o modesto artigo de engenheiro rec\u00e9m-formado tenha impulsionado uma pol\u00edtica p\u00fablica em defesa dos trabalhadores. Mas desde sempre considerei a frutifica\u00e7\u00e3o do conhecimento gerado na universidade em inova\u00e7\u00f5es transformadoras um dos eixos direcionadores do meu papel de gestor ao longo da jornada uspiana, especialmente na coordena\u00e7\u00e3o da Cecae e do PGT, assim como na dire\u00e7\u00e3o do IEA. E, \u00e7a va sans dire, tamb\u00e9m quando fui dirigente do IPT, institui\u00e7\u00e3o particularmente bem-posicionada para esse mister. Um exemplo concreto \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o pelo Instituto do \u201cEspa\u00e7o Tecnologia\u201d na Assembleia Legislativa do Estado de S\u00e3o Paulo.Sobre a demora para implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil: \u201cMas isso foi em 1919 \u2013 dez anos depois. Como se v\u00ea, a demora em decidir n\u00e3o \u00e9 inven\u00e7\u00e3o dos governos de hoje\u201d.Esposo id\u00eantico assombro. Ele \u00e9 objeto de um dos cap\u00edtulos do livro \u201cVencer\u00e1s pela Ci\u00eancia, Transformaremos pela Inova\u00e7\u00e3o\u201d, uma das obras alusivas aos 90 anos da USP a ser publicada pela Edusp em 2025.E agora?A Universidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva intergeracional. Assim, estendo a evidencia\u00e7\u00e3o das afinidades acad\u00eamicas ao professor Jos\u00e9 Pastore, j\u00e1 mencionado acima. Ap\u00f3s fazer as homenagens de praxe aos ocupantes anteriores da cadeira no. 29, inclusive Luciano Gualberto, ele exp\u00f5e um pouquinho da sua pessoa.Sobre a decis\u00e3o de ser professor-s\u00eanior: \u201cEspero que o meu atrevimento seja compreendido como um gesto de quem deseja aprender. Ali\u00e1s, eu estava ainda aprendendo quando dei a \u00faltima aula na Universidade de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o me conformei com a aposentadoria. Voltei a lecionar e a ouvir os alunos. Meus colegas apoiaram\u201d.Fui beneficiado pelo projeto do preclaro senador Jos\u00e9 Serra, que estende os efeitos da chamada PEC da Bengala a todos os servidores p\u00fablicos da Uni\u00e3o, estados e munic\u00edpios. Em decorr\u00eancia, a idade da aposentadoria obrigat\u00f3ria no funcionalismo p\u00fablico passou a ser 75 anos e n\u00e3o mais 70, assim como aconteceu com os ministros do Supremo Tribunal Federal. Poderia me aposentar bem antes, por estar na pitoresca condi\u00e7\u00e3o conhecida no jarg\u00e3o acad\u00eamico como \u201cp\u00e9 na cova\u201d. Em termos menos f\u00fanebres, havia reunido todas as condi\u00e7\u00f5es para me aposentar com percep\u00e7\u00e3o integral (e paridade) de vencimentos.N\u00e3o tive d\u00favida em continuar com a qu\u00e1drupla vincula\u00e7\u00e3o (Poli, FEA, IEA e InovaUSP). E ganhei um ano de b\u00f4nus, por ser diretor do IEA selecionado num processo eletivo, podendo cumprir o mandato at\u00e9 o final.Quando chegou a hora inapel\u00e1vel de t\u00e9rmino do servi\u00e7o ativo, tive a ventura de, como Pastore, receber o apoio carinhoso de colegas e de dirigentes para me tornar professor-s\u00eanior. Como alertado pelo sol\u00edcito colega do Departamento de Recursos Humanos, com o efeito colateral de preju\u00edzo de vencimentos, pela perda do adicional de perman\u00eancia.Sobre o futuro na Universidade: \u201cEles t\u00eam raz\u00e3o. O ser humano que para de aprender vira obsoleto, tenha ele 20, 30, 40 ou 50 anos. Quero seguir o exemplo deste grande brasileiro, Miguel Reale, que, com 93 anos, n\u00e3o desiste de aprender e, por isso, n\u00e3o para de ensinar. \u00c9 esta sede de aprender e este impulso de ensinar que me levaram a escolher Vossa Excel\u00eancia, caro Professor, para me receber nesta Academia. Este \u00e9, sem d\u00favida, um dos momentos mais felizes de minha vida\u201d.Imbu\u00eddo da mesma ideia de lifelong learning e inspirado no lema do saudoso doutor Jos\u00e9 Mindlin (\u201cN\u00e3o fa\u00e7o nada sem alegria\u201d), permane\u00e7o professor da USP. Espero gozar de sa\u00fade de corpo e mente para continuar a aprender e contribuir \u00e0 USP e, por meio dela, ajudar a reparar o mundo, seguindo a diretriz judaica de tikun olam que me acompanha desde a inf\u00e2ncia.","og_url":"https:\/\/www5.usp.br\/minha-historia-com-a-usp\/guilherme_ary_plonskiluciano_gualberto-usp-br\/","og_site_name":"CGC","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao\/?locale=pt_BR","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/cgceducacao","article_published_time":"2025-01-22T13:07:39+00:00","article_modified_time":"2025-02-20T18:24:05+00:00","og_image":[{"width":1200,"height":100,"url":"https:\/\/cgceducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/chapeu_usp-90anos_campi-Pb.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"cgceducacao","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/cgceducacao","twitter_site":"@cgceducacao","twitter_misc":{"Escrito por":"cgceducacao","Est. tempo de leitura":"15 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