O Brasil vive um momento de convergência entre duas frentes decisivas para o seu futuro: a revisão do Plano Nacional de Educação (PNE), que definirá as metas educacionais do país até 2034, e a realização da COP30, conferência da ONU sobre o clima que ocorrerá em Belém no próximo ano. O relatório do projeto de lei do PNE foi apresentado neste mês na Câmara dos Deputados e ainda aguarda votação. Pela primeira vez, o texto inclui a sustentabilidade socioambiental e o enfrentamento das mudanças climáticas como objetivos explícitos da política educacional brasileira, com metas que envolvem a inclusão da educação ambiental no currículo, a adaptação das escolas às novas condições climáticas e a melhoria da infraestrutura a partir de critérios de conforto térmico e eficiência energética.
Essa aproximação entre educação e clima sinaliza uma mudança de paradigma: a escola passa a ser reconhecida como espaço estratégico na formação das novas gerações para lidar com a crise ambiental. E, enquanto o país discute metas e diretrizes, muitas instituições já transformaram a alfabetização climática em prática cotidiana, conectando ciência, ética e cidadania desde a educação infantil até o fim da escolaridade.
Na Escola Vera Cruz, a preocupação ambiental está presente na prática pedagógica cotidiana. O articulador curricular André Reinach explica que a escola busca relacionar os conteúdos de Ciências e Geografia com situações reais, ajudando os alunos a compreenderem o papel humano nas transformações do planeta. “O estudante precisa entender que cada decisão individual está ligada a processos ecológicos, sociais e econômicos. A ciência não é um conjunto de fórmulas, mas um modo de olhar o mundo”, afirma. Projetos sobre consumo consciente, uso racional da água e impactos das tecnologias ambientais atravessam os diferentes segmentos, com investigações e experiências que ampliam a percepção das crianças sobre o ambiente em que vivem.
Release Vera Cruz: *A escola que ensina a pensar o clima antes de medi-lo*
No Colégio Magno/Mágico de Oz, a sustentabilidade se consolidou em um programa institucional estruturado nos princípios ESG, que envolvem dimensões ambientais, sociais e de governança. A diretora Claudia Tricate explica que a escola adota práticas de responsabilidade ambiental e social há muitos anos, engajando alunos, professores e famílias em ações permanentes. As crianças aprendem sobre reaproveitamento de materiais, separação de resíduos e biodiversidade, enquanto os mais velhos discutem consumo, economia circular e protagonismo juvenil. O objetivo é formar cidadãos conscientes da interdependência entre a vida humana e os ecossistemas, e capazes de liderar transformações éticas e sustentáveis.
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No Centro Educacional Pioneiro, o compromisso ambiental se articula ao desenvolvimento de competências empreendedoras e éticas. O Projeto Trilha, desenvolvido com turmas do 9º ano, convida os alunos a criar produtos e experiências para financiar a viagem de final de ciclo, articulando educação financeira, planejamento coletivo e sustentabilidade. Os estudantes analisam a origem e o impacto dos materiais utilizados, avaliam custos e aprendem sobre responsabilidade no consumo. Para a coordenadora pedagógica Selma Alfonsi, a aprendizagem é mais efetiva quando o estudante compreende que suas escolhas têm consequências sociais e ambientais. “O cuidado com o planeta se fortalece quando está associado ao cotidiano e às relações humanas”, diz.
No Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, o diálogo entre tecnologia e natureza orienta os projetos interdisciplinares do ensino técnico. Em atividades que integram biotecnologia, automação e ciências exatas, os alunos desenvolvem sensores que medem o consumo de água e energia, criam sistemas de captação de chuva e estudam processos de fermentação natural. A coordenadora de Ciências da Natureza, Nicolle Reuter, observa que o aprendizado se torna significativo quando o estudante enxerga a ciência como instrumento de transformação social. “Quando percebe que um experimento pode melhorar a vida das pessoas, o aluno entende que aprender é agir sobre o mundo”, afirma. O coordenador de Matemática, Wiliam Sabino, acrescenta que o raciocínio lógico, aplicado a problemas reais, ajuda a compreender a interdependência entre desenvolvimento e preservação.
Release Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo – *O que a COP30 tem a ver com a sala de aula*
Na Escola Tarsila do Amaral, zona norte de São Paulo, o projeto Ciência da Terra, desenvolvido com o segundo ano do ensino fundamental, introduz conceitos ecológicos de forma lúdica e investigativa. A professora Kamilla Ferreira explica que o trabalho começa com a observação de um minhocário, criado com apoio da comunidade escolar. As crianças estudam a decomposição da matéria orgânica e o papel das minhocas e microrganismos na formação do húmus, base do solo fértil. O projeto é inspirado na obra da agrônoma Ana Primavesi, referência em agroecologia, e leva os alunos a perceberem que a Terra é um sistema vivo, sustentado pela cooperação entre espécies. O grupo também experimenta tintas naturais e brincadeiras indígenas que relacionam corpo, arte e natureza.
Release Escola Tarsila do Amaral – *Cuidar da terra, cultivar o conhecimento*
No Colégio Equipe, a educação climática nasce do cotidiano e se estende por toda a trajetória escolar. No 3º ano do ensino fundamental, a professora Lúcia Helena Nogueira propõe às crianças experiências que revelam o funcionamento dos ecossistemas e a responsabilidade humana na preservação da natureza. Elas constroem terrários para observar o ciclo da água, produzem tintas naturais e aprendem a reutilizar materiais, sempre articulando ciência e expressão artística. A diretora Luciana Fevorini explica que esse olhar inicial se transforma em reflexão crítica nos anos seguintes, quando os alunos investigam o impacto das ações humanas sobre o meio ambiente e discutem as relações entre política, economia e sustentabilidade.
Release Colégio Equipe – *No Colégio Equipe, alfabetização climática começa na infância*