No Colégio Equipe, alfabetização climática começa na infância

Com a proximidade da COP30, que será realizada no Brasil em 2025, e a inclusão da sustentabilidade socioambiental no novo Plano Nacional de Educação, as escolas se veem diante do desafio de formar uma geração preparada para compreender e enfrentar a crise climática. No Colégio Equipe, em São Paulo, esse processo começa cedo, quando as crianças aprendem a observar o mundo natural, compreender os fenômenos ambientais e reconhecer o papel que o ser humano exerce sobre o planeta.

Na 3ª série do Ensino Fundamental, a professora Maria Lucia Rodrigues de Souza conduz um projeto multidisciplinar que envolve ciências, geografia, artes, matemática e literatura. O trabalho parte de mitos indígenas e pesquisas sobre os povos originários, abordando a importância dos indígenas na criação e preservação das florestas tropicais e fenômenos como a formação da terra preta da Amazônia. “As crianças percebem que o conhecimento ancestral dos povos indígenas é fundamental para a preservação do meio ambiente. Nosso projeto mostra que, ao longo da história, houve destruição, mas também há muita sabedoria que precisa ser validada e valorizada”, explica a professora.

Durante o ano, as turmas constroem um terrário fechado para observar o ciclo da água e compreender os conceitos de ecossistema e equilíbrio ambiental. O experimento é comparado à biosfera e ajuda os alunos a visualizarem a interdependência entre seres vivos e o ambiente. “Fazemos experiências simples para aproximar as crianças da ideia de fotossíntese e do ciclo do carbono, sempre dentro dos limites da idade. Muitas vezes, as próprias crianças propõem as experiências e registram suas observações em cadernos”, conta Lucia.

A interdisciplinaridade é uma marca do trabalho. Na área de matemática, os alunos medem temperatura, leem tabelas e constroem gráficos a partir dos dados coletados. Em artes, produzem tintas com urucum, hibisco e outras plantas, ilustram livros com materiais naturais e registram suas descobertas em diferentes linguagens. A leitura de mitos indígenas e de obras de escritores de vários povos amplia o repertório e inspira a produção de textos autorais. O projeto ainda inclui um estudo de campo na Serra da Cantareira, onde as crianças observam uma floresta tropical e identificam os elementos que compõem o ecossistema.

Lucia destaca que a consciência ambiental já está presente nas conversas das crianças. “Elas trazem de casa informações sobre a crise climática e demonstram preocupação com a natureza. Raramente aparecem crenças incorretas. Pelo contrário, elas compartilham com os colegas o que ouvem da família e da mídia”, diz. Na escola, esse repertório é trabalhado de forma crítica e conectada ao cotidiano, com discussões sobre o uso da água, o descarte correto do lixo e o consumo consciente de materiais.

Para a diretora escolar Luciana Fevorini, o trabalho com alfabetização climática é parte da concepção pedagógica do Equipe, que busca integrar conhecimento, ética e ação desde as séries iniciais. “A educação climática não é um tema pontual. Está presente na forma como ensinamos as crianças a olhar para o mundo, a fazer perguntas, a compreender o que observam e a se posicionar com responsabilidade. Queremos formar estudantes capazes de entender as relações entre ciência, cultura e sociedade”, afirma.

Embora o tema da COP30 ainda não tenha sido abordado diretamente com as crianças, o projeto da 3ª série reflete os princípios discutidos nas conferências internacionais sobre clima: valorização da sabedoria ancestral, compreensão dos ciclos da natureza e compromisso com o cuidado coletivo. No Colégio Equipe, essas experiências formam o alicerce de uma alfabetização climática que atravessa toda a escolaridade e prepara os alunos para atuar com conhecimento e empatia diante dos desafios do futuro.

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