A escola que prepara para o mundo começa pelo projeto pedagógico

“O que essa escola ensina, como ensina e com quem ensina?”

Mudanças recentes nos processos de admissão da Universidade de Oxford reforçam uma tendência internacional de revisão dos critérios usados para selecionar estudantes. A instituição anunciou que, a partir dos próximos ciclos, substituirá exames próprios por testes padronizados compartilhados com outras universidades britânicas, com foco em habilidades acadêmicas amplas, como raciocínio, leitura crítica e capacidade de argumentação. O movimento explicita algo que educadores já observam na prática: estudantes bem formados ao longo da vida escolar, com repertório, método de estudo e autonomia intelectual, estão preparados para ingressar em universidades no Brasil e no exterior, independentemente do caminho escolhido.

Para as famílias, essa mudança ajuda a esclarecer uma questão recorrente. Preparar um aluno para o futuro acadêmico não significa treiná-lo para um sistema específico nem antecipar decisões. Significa oferecer ferramentas para que ele saiba estudar, organizar o pensamento, planejar estratégias e sustentar escolhas ao longo do tempo. Não se trata de formar alunos excepcionais, mas jovens capazes de entender o que precisa ser feito para alcançar o percurso que desejam.

Na Escola Vera Cruz, essa formação aparece no cotidiano escolar por meio de um currículo que articula leitura, escrita, investigação e diálogo entre áreas do conhecimento. Projetos de Ciências Humanas que envolvem pesquisa com famílias, produção de podcasts e debates públicos exigem que os alunos organizem informações, construam argumentos e se posicionem com clareza. Para Marcelo Chulan, diretor da escola, a intencionalidade é clara. “A escola não forma alunos para um sistema específico. Forma estudantes que aprendem a pensar, escrever e sustentar decisões. Com essas ferramentas, o aluno consegue escolher caminhos no Brasil e fora dele com autonomia”, afirma.

Essa lógica também orienta o trabalho do Colégio Magno, onde a formação acadêmica se combina a acompanhamento próximo e construção de responsabilidade intelectual. Claudia Tricate, diretora da escola, destaca que o foco está no processo. “A gente trabalha para que o aluno saiba organizar o pensamento, construir rotina de estudo e sustentar escolhas ao longo do tempo. Isso é o que dá base para enfrentar qualquer universidade”, diz.

No Colégio Equipe, a tradição pedagógica está ligada ao rigor intelectual e à formação crítica. Leitura aprofundada, produção escrita frequente e debate de ideias fazem parte da cultura escolar e ajudam o aluno a lidar com complexidade. Para Luciana Fevorini, diretora pedagógica do colégio, essa base atravessa qualquer sistema universitário. “O que a gente constrói é a capacidade de ler bem, escrever com clareza e formular boas perguntas. Isso serve para qualquer universidade e para qualquer projeto de vida”, afirma.

Já na Escola Villare, a formação se apoia na interdisciplinaridade e no protagonismo do aluno. Projetos que conectam diferentes áreas do conhecimento ajudam o estudante a compreender o sentido do que aprende e a assumir responsabilidade pelo próprio percurso. Ernani Soares de Paula, diretor da escola, ressalta esse ponto. “Quando o aluno entende o porquê do que estuda, ele ganha clareza para fazer escolhas e sustentar caminhos, seja no vestibular brasileiro ou em uma candidatura internacional”, diz.

Em comum, essas escolas tratam a formação como um processo contínuo. A escrita aparece como ferramenta de pensamento, a leitura como interpretação crítica e a pesquisa como modo de aprender. Essas experiências constroem método de estudo, organização e autonomia, competências centrais para a vida universitária e para decisões profissionais futuras.

Nem todos os alunos seguirão o mesmo destino acadêmico. Alguns optarão por universidades brasileiras, outros buscarão experiências fora do país, e muitos mudarão de rota ao longo do caminho. O ponto central, segundo os educadores entrevistados, é que saem da escola com ferramentas para escolher, planejar e agir.

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