Seja na sala de aula ou na biblioteca, a criação de clubes de leitura é uma forma de promover engajamento e a formação leitora dos estudantes
Matéria publicada na PORVIR em 13/04/2026
Ao assumir o papel de mediadora de experiências literárias, em vez de limitar a leitura ao cumprimento de avaliações e fichamentos, a escola ganha a oportunidade de contrapor o discurso alarmista sobre a falta de leitores no país. Quando colocam em prática ações capazes de unir o prazer estético ao desenvolvimento crítico, educadores conseguem se adaptar a um formato de mediação que já apresenta resultados práticos: os clubes de leitura.
Esse movimento de adaptação é especialmente importante diante do cenário revelado pela última edição da pesquisa Retratos da leitura, desenvolvida pelo Instituto Pró-Livro. O levantamento mostrou um Brasil que lê cada vez menos: o percentual de não leitores saltou de 48% em 2019 para 53% em 2024. Pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2007, o número de brasileiros que não leem superou o de leitores.

Apesar desse dado desanimador, há um crescimento silencioso puxado justamente pelas estratégias de compartilhamento. Segundo a Câmara Brasileira do Livro, houve um aumento de 35% na criação de clubes de leitura nas últimas duas décadas. O dado confirma que a escola, sendo uma das primeiras fontes de contato com a literatura para a maioria dos estudantes, mantém um papel central na reversão das estatísticas por meio de práticas mediadas por educadores.
Como funcionam os clubes de leitura
Érica de Faria, professora de pós-graduação no Instituto Vera Cruz, em São Paulo (SP), destaca que os clubes funcionam quando se tornam espaços de acolhimento. Neles, estudantes e educadores devem sentir-se à vontade para compartilhar desde suas análises a respeito dos recursos linguísticos até interpretações mais subjetivas ou emocionais.
Para que um clube tenha sucesso, algumas condições são necessárias:
- Acervo disponível: acesso de todos os participantes à mesma obra;
- Participação nas escolhas: envolvimento do grupo na seleção dos títulos para ampliar o engajamento;
- Ambiente de escuta: garantia de um espaço para trocas reais, evitando falas isoladas.
“Se isso não acontecer no início, pode comprometer a continuidade do grupo”, ressalta a educadora. Embora o entusiasmo inicial seja comum, a sustentabilidade exige um cronograma factível, alinhado à realidade do grupo.
Érica pondera que a frequência não precisa ser rígida: Pode ser bimestral, por exemplo. O importante é manter a regularidade e o propósito. Mesmo que os professores leiam quatro ou cinco livros por ano, isso já é um grande avanço. O essencial é manter o foco”, destaca Érica.