Há anos o Colégio Magno consolida uma prática educacional em que sustentabilidade, ética e responsabilidade social caminham junto com o aprendizado acadêmico. Muito antes de o termo ESG ganhar espaço no vocabulário das empresas e de conferências internacionais colocarem o clima no centro das discussões, a escola já tratava essas questões como parte essencial da formação dos alunos. A gestão escolar, as experiências em sala de aula e as iniciativas comunitárias nasceram integradas, transformando cada espaço, da horta às salas, do refeitório aos corredores, em território de aprendizagem e cidadania.
ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, traduzida como Ambiental, Social e Governança. Criado inicialmente para orientar empresas a adotar práticas sustentáveis e transparentes, o conceito passou a ser apropriado também por instituições educacionais. No Magno, ele ganhou novo significado. “O ESG se tornou um instrumento de gestão pedagógica e de formação integral”, explica Milton Gola, coordenador da área. O eixo ambiental se reflete em ações ligadas ao uso consciente de recursos e à preservação do planeta, o social aparece nas relações entre alunos, professores e comunidade, e a governança se traduz na cultura de participação, diálogo e corresponsabilidade, em que os estudantes aprendem a identificar problemas e propor soluções.
No colégio, o ESG é transversal. O time administrativo implementa soluções sustentáveis e compartilha dados com a equipe pedagógica, que transforma essas informações em experiências de aprendizado. Painéis solares, composteiras, biodigestor, roda d’água, experimentos de energia eólica e um Núcleo de Pesquisa Ambiental formam a infraestrutura. Em sala, professores e alunos analisam esses dados, criam projetos e relacionam cada ação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “A escola se tornou um laboratório vivo, onde gestão e currículo caminham juntos”, afirma o coordenador.
Na educação infantil, o contato com a natureza não se resume a plantar e colher. As crianças observam ciclos, registram descobertas e aprendem sobre cuidado e responsabilidade. O alface que nasce vira tema de ciências, matemática e linguagem, e pode ganhar destino social. Em projetos recentes, o cultivo virou feira, com precificação, negociação e doação ao Magno Voluntário. Assim, a aprendizagem sobre números e troco se une à solidariedade e à noção de pertencimento.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, a horta se torna objeto de pesquisa. As turmas calculam quanto resíduo orgânico produzem, quanto adubo é gerado na composteira e como planejar uma venda justa. O ciclo da economia circular se torna visível e mensurável, com registros, tabelas e devolutivas às famílias. O que poderia ser uma atividade pontual ganha propósito e continuidade, fortalecendo o pensamento científico e o olhar crítico para o meio ambiente.
Nos anos finais, o Magno amplia o alcance dos projetos para o território. A escola adotou uma praça próxima, onde alunos investigam a qualidade da água e propõem soluções de tratamento. A governança estudantil aparece com força no projeto Não Pague Mico. Diante do hábito de alimentar os macacos que circulam pelos muros do colégio, alunas do quinto ano estudaram o impacto ambiental e de saúde dessa prática, planejaram uma campanha e percorreram salas para conscientizar colegas e famílias. A iniciativa resolveu um problema real e formou um exercício concreto de liderança e comunicação.
No ensino médio, a tecnologia se soma à consciência ambiental. O projeto Coletaí, iniciado por uma aluna do 9o ano, evoluiu para uma lixeira inteligente capaz de identificar resíduos por meio de inteligência artificial. A iniciativa rendeu prêmios e apresentações acadêmicas e segue sendo aprimorada por diferentes turmas. Outro exemplo é o viveiro indoor de espécies nativas da Mata Atlântica, criado pelos estudantes para produção e doação de mudas a escolas públicas. São ações que integram ciência, ecologia e responsabilidade social.
Cada projeto é vinculado a um ou mais ODS e passa a integrar relatórios internos que registram o impacto das ações e orientam as metas seguintes. Essa sistematização permite mensurar resultados, preservar a memória institucional e reforçar a coerência entre discurso e prática. O painel solar, por exemplo, não é apenas uma fonte de energia limpa, é um objeto de estudo. O biodigestor e a composteira, da mesma forma, tornam-se base para pesquisas sobre transformação de matéria e reaproveitamento de resíduos.
Mais do que adotar práticas sustentáveis, o Magno criou uma cultura. A governança, no contexto escolar, nasce quando um aluno percebe um problema, propõe uma solução e envolve colegas, professores e gestores em torno de uma causa. A sustentabilidade se aprende pela experiência direta, e o compromisso social se mede pela capacidade de olhar para fora e devolver à comunidade o que se aprende dentro da escola.
Em tempos em que sustentabilidade e ética aparecem em planos estratégicos e conferências globais, o Colégio Magno mostra que essas palavras ganham sentido quando são vividas todos os dias, na prática, nas decisões e nas relações. A escola é exemplo de como o ESG pode ultrapassar os limites das empresas e se transformar em um poderoso instrumento educativo, formando jovens capazes de compreender o mundo e agir sobre ele com consciência, conhecimento e responsabilidade.