Como a escola pode preparar alunos para um planeta em transformação

O avanço das mudanças climáticas passou a ocupar espaço permanente no noticiário e no cotidiano das cidades, com impactos que já atingem abastecimento de água, qualidade do ar e eventos extremos. Nesse cenário, a formação das crianças começa a ser pressionada por uma pergunta direta: o que significa, na prática, preparar alunos para viver em um mundo ambientalmente instável.

Na Escola Villare, em São Caetano do Sul, essa questão foi levada para dentro da sala de aula no 5º ano a partir de um problema concreto. Os alunos foram desafiados a projetar um parque de diversões que funcionasse com o menor impacto possível sobre o meio ambiente. O resultado foi o Ecoparque de Diversões, um projeto que articula consumo, uso de recursos naturais e preservação ambiental em uma proposta aplicada.

“A escola tem a função de mostrar que atitudes como reaproveitamento de materiais, manutenção de áreas verdes e consumo consciente fazem parte de um movimento maior. O que fazemos localmente também transforma o global”, afirma a professora Janaina Katinska, responsável pelo projeto.

A atividade partiu de dois eixos centrais. O primeiro foi o consumo responsável, com foco na escolha de materiais reutilizáveis e na redução do uso de plásticos. O segundo foi a preservação ambiental, que orientou as decisões sobre o funcionamento do parque e seu impacto sobre o entorno.

Ao longo do semestre, os alunos desenvolveram propostas que incluíam captação de água da chuva, uso de fontes de energia como a solar e a eólica e manutenção de áreas verdes integradas ao espaço. O trabalho também incorporou discussões sobre resíduos, com atenção especial ao acúmulo de plásticos no ambiente.

“O desafio era pensar como uma construção desse porte poderia existir com menos impacto. Eles discutiram o uso de materiais, o consumo e as consequências disso no ambiente”, explica Janaina.

O projeto foi ampliado por uma saída de campo ao parque Resgate da Infância. No local, os alunos observaram práticas de sustentabilidade em funcionamento, como o uso de água de reúso, tratada dentro do próprio espaço, e a preservação das árvores originais.

“Foi um momento importante porque eles perceberam que aquilo que estavam propondo não era só uma ideia. Existe e funciona”, diz a professora.

A visita levou os estudantes a revisar seus projetos, incorporando soluções observadas e ajustando suas propostas. O processo aproximou a discussão ambiental de situações concretas e observáveis, o que alterou a forma como os alunos compreendiam o tema.

Para Janaina, esse tipo de experiência define o sentido da alfabetização climática nos anos iniciais. “Não é só aprender sobre o clima, mas entender como nossas ações interferem no ambiente e o que podemos fazer diante disso.”

Na prática, o tema deixa de aparecer apenas como conteúdo e passa a orientar decisões dentro do processo de aprendizagem. Ao lidar com escolhas, limitações e consequências, os alunos são levados a construir uma compreensão mais concreta da relação entre ação humana e impacto ambiental.

A experiência da Villare indica um movimento que ainda não é predominante nas escolas, mas que tende a ganhar espaço à medida que a questão climática se torna parte do cotidiano. A forma como esse tema é incorporado na formação das crianças passa a ser um dos elementos que definem como elas irão responder, no futuro, a um problema que já começou.

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